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    Episódio LGBTQ da série “Friends” é censurado na China

    Após o sucesso do especial "Friends: The Reunion", de 2021, plataformas de streaming voltam a exibir a atração, que teve parte da história e falas cortadas na atual versão

    Os protagonistas do seriado "Friends"
    Os protagonistas do seriado "Friends" Foto: NBC/Divulgação

    Philip Wangda CNN

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    As principais plataformas de streaming chinesas censuraram uma história LGBTQ na série “Friends”, gerando várias manifestações dos fãs do programa nas mídias sociais.

    No primeiro episódio da série americana foram deletadas as conversas sobre a ex-esposa do personagem Ross, Carol Willick, que se divorcia dele após perceber que é lésbica. Outras conversas que eram sexualmente sugestivas também foram editadas.

    Na versão original, Ross menciona que “havia apenas uma mulher” para Carol, que o deixa por sua amiga Susan Bunch, enquanto seu amigo Joey pergunta se ele já sabia que ela era lésbica.

    “Friends”, estrelado por Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer como seis amigos que vivem em Nova York, é muito popular na China e possui uma base de fãs extremamente leal.

    O programa estreou nas plataformas de streaming chinesas Sohu e iQiyi em 2012 sem nenhuma censura, e estava disponível para assistir até que o contrato de streaming terminasse em 2013.

    Após a crescente popularidade do especial de 2021 “Friends: The Reunion”, que viu os seis atores principais se reunirem para relembrar o programa, as plataformas de streaming chinesas compraram os direitos de transmissão do programa novamente. Bilibili, Tencent, Youku, Sohu e iQiyi começaram a transmitir “Friends” a partir de 11 de fevereiro.

    Logo em seguida, os fãs foram ao site de mídia social chinês Weibo para protestar contra a censura da história, e #FriendsCensored acabou se tornando o tópico mais popular do site.

    A hashtag recebeu mais de 54 milhões de visualizações na noite dessa sexta-feira, mas foi posteriormente censurada pela plataforma na manhã deste sábado, com resultados de pesquisa mostrando que “este tópico não é mostrado de acordo com as leis e regulamentos relevantes”.

    David Schwimmer como Ross Geller, Jessica Hecht como Susan Bunch e Anita Barone como Carol Willick/ Divulgação

    A CNN entrou em contato com Bilibili, Tencent, Youku, Sohu e iQiyi para comentar.

    Na versão anterior do Sohu, Ross dizia: “[As mulheres podem ter] orgasmos múltiplos” ao debater as vantagens de homens e mulheres com seus amigos no café. No entanto, na versão recente, as plataformas substituíram a legenda em chinês da fala de Ross por “Mulheres têm fofocas sem fim”, apesar de manterem a trilha sonora original e a legenda em inglês.

    Muitos fãs zombaram da mudança como um “insulto à nossa habilidade com a língua inglesa”. Um usuário do Weibo disse: “Não apenas ignora o desejo e o prazer sexual das mulheres, mas também reforça o estereótipo de gênero das mulheres”. Este comentário recebeu mais de 81.000 curtidas.

    A censura é mais um prova de que o governo chinês faz o controle da mídia e do entretenimento.

    Em 2016, a China emitiu novas diretrizes dizendo que os programas de televisão não deveriam incluir histórias envolvendo relacionamentos gays, bem como outros tópicos que “exageram o lado sombrio da sociedade”. O documento de oito páginas fazia referência à “conteúdo vulgar, imoral e insalubre” e considerava a homossexualidade, casos extraconjugais, encontros de uma noite e amor de menores como fora dos limites.

    Quando “Bohemian Rhapsody”, uma cinebiografia da banda de rock britânica Queen, lançado na China em 2019, mais de dois minutos de conteúdo LGBTQ foram removidos do filme, incluindo cenas de dois homens se beijando e a palavra “gay”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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