Equipes da F1 contestam acordo secreto entre FIA e Ferrari sobre motores


05 de março de 2020 às 12:36
Charles Leclerc da Ferrari participa de teste da F1 em Barcelona

Charles Leclerc da Ferrari participa de teste da pré-temporada da F1 em Barcelona

Crédito: Albert Gea/Reuters (28.02.2020)

Sete das dez equipes de Fórmula 1 prometeram adotar medidas legais contra um acordo secreto entre a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Ferrari a respeito de investigações do motor usado pela escuderia italiana em 2019.

Em comunicado conjunto, as equipes disseram ter ficado "surpresas e chocadas" com uma nota emitida pela FIA no último dia dos testes da pré-temporada na Espanha, na semana passada. Nenhuma delas usa motores fornecidos pela Ferrari.

A nota da FIA dava poucas informações, além de dizer que o organismo administrativo e a equipe italiana chegaram a um acordo depois de investigações técnicas a respeito do motor da equipe. O texto disse que "os detalhes do acordo ficarão entre as partes".

As sete equipes, incluindo a atual campeã Mercedes, consideraram a situação é inaceitável. A modalidade se prepara para a primeira corrida da temporada na Austrália no dia 15 de março.

"Uma agência regulatória esportiva internacional tem a responsabilidade de agir com os padrões mais altos de governança, integridade e transparência”, disseram. “Depois de meses de investigações que foram realizadas pela FIA seguindo somente questionamentos feitas pelas outras equipes, refutamos fortemente que a FIA firme um acordo confidencial com a Ferrari para encerrar o assunto", completaram.

As equipes acrescentaram que compartilham o compromisso "de buscar o esclarecimento pleno e devido desta questão, para fazer com que nosso esporte trate todos os competidores justa e igualmente". "Além disso, nos reservamos o direito de buscar uma retificação legal dentro do devido processo da FIA e diante dos tribunais competentes."

Entenda

A potência do motor da Ferrari foi objeto de especulações, por parte dos rivais, de que a equipe italiana contornando os sensores de fluxo de combustível para obter mais desempenho. A Ferrari negou ter feito algo ilegal.

A equipe começou a temporada de 2019 como favorita após marcar tempos muito melhores que os rivais nos testes e apresentar uma considerável vantagem de velocidade em linha reta.

O desempenho ficou menor depois que a FIA emitiu várias diretrizes técnicas sobre sensores de fluxo de combustível no final do ano. Eles também foram mais lentos do que a Mercedes nos treinos da pré-temporada deste ano.

Resposta da FIA

Depois da reclamação das equipes, a FIA afirmou nesta quinta-feira (5) que sua investigação não comprovou que motor de 2019 da Ferrari violava regras. A organização explicou em comunicado que, por essa razão, fez um acordo particular para evitar um processo demorado com um desfecho incerto.

"As investigações longas e minuciosas realizadas durante a temporada 2019 provocaram suspeitas de que a unidade de potência (motor) da Scuderia Ferrari poderia ser considerada como não operando dentro dos limites dos regulamentos da FIA em todos os momentos", disse a entidade.

"A Scuderia Ferrari se opôs com firmeza às suspeitas e reiterou que sua unidade de potência sempre operou de acordo com os regulamentos. A FIA não ficou totalmente satisfeita, mas decidiu que uma ação adicional não necessariamente resultaria em um caso inconclusivo devido à complexidade da questão e da impossibilidade material de providenciar a prova inequívoca de uma violação", explicou.

A entidade disse que a confidencialidade do acordo foi estipulada de acordo com as regras judiciais e disciplinares.