Mourinho admite erro após treinar jogadores em parque público da Inglaterra

Técnico do Tottenham foi flagrado com jogadores da equipe em parque público, desrespeitando o isolamento social durante pandemia do novo coronavírus

Da CNN Internacional
08 de abril de 2020 às 18:16 | Atualizado 08 de abril de 2020 às 18:18
Após vazamento de imagens orientando exercícios ao ar livre, Mourinho lamentou sua atitude e pediu que as pessoas fiquem em casa (07.abr.2020)
Foto: Reprodução/Twitter


O técnico do Tottenham, José Mourinho, se desculpou nesta quarta-feira (8) após ser flagrado desobedecendo o isolamento social instaurado pelo governo do Reino Unido durante a pandemia do novo coronavírus. 

Mourinho e alguns dos jogadores sob seu comando no time inglês foram flagrados treinando juntos em um parque no norte de Londres. 

As fotos surgiram nas redes sociais na terça-feira (7) e mostravam Mourinho guiando uma sessão de exercícios improvisados para o meio-campista Tanguy Ndombele, enquanto o zagueiro Davinson Sanchez e o lateral-esquerdo Ryan Sessegnon corriam juntos, quebrando a regra de distanciamento social de dois metros entre si. 

“Eu admito que minhas ações não estavam alinhadas com o protocolo do governo e repito que nós devemos ter contato apenas com membros da nossa própria casa”, declarou Mourinho em um comunicado a CNN Internacional

“É vital que todos nós cumpramos nossa parte e sigamos os conselhos do governo para apoiar nossos herois no NHS e salvar vidas”, completou o treinador, mencionando os funcionários do Sistema Nacional de Saúde britânico.  

Depois do flagra, a diretoria do Tottenham também interviu para lembrar os jogadores de sua responsabilidade durante a quarentena. 

“Todos os nossos jogadores foram lembrados para respeitar o distanciamento social durante os exercícios a céu aberto. Nós devemos continuar a reforçar essa mensagem”, escreveu o representante do clube da Premier League em comunicado

O Reino Unido é um dos países que enfrenta o maior desafio diante da pandemia do novo coronavírus. Já são pelo menos 61.474 casos confirmados e 7.097 mortes, de acordo com as informações da Universidade Johns Hopkins

Depois de certa resistência do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, atualmente internado por complicações da COVID-19, o governo aumentou suas regras de restrição social, pedindo que a população saia de casa apenas se necessário. 

Segundo as medidas, é permitido sair para exercícios nos parques públicos uma vez ao dia e apenas com a companhia de pessoas que morem na mesma casa. 

Prefeito de Londres critica time

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, criticou o Tottenham por ignorar as orientações do governo e alertou que jogadores e comissão técnica do clube inglês deveriam agir como modelos de conduta. 

"Minha preocupação é que a população, principalmente as crianças, que apoia o Spurs ou apenas acompanhe futebol, possa assistir a essas imagens e pensar que, se é ok para eles (deixar a quarentena), porque não é ok para mim?”, lamentou Khan em entrevista ao programa BBC Breakfast na manhã desta quarta. 

“Eu não acho que seja necessário treinar com tamanha proximidade com outro jogador que pode estar carregando o vírus. O que vocês estão fazendo é acidentalmente, involuntariamente e potencialmente espalhar o vírus. Vocês não deveriam estar fazendo isso”, advertiu o prefeito, comentando as imagens de Mourinho e seus comandados. 

Em seus perfis nas redes sociais, o Tottenham aderiu a tendência de postar vídeos dos jogadores treinando em aulas online, apoiando a campanha #StayAtHome (Fique em casa, em português).

No último mês, José Mourinho fez doações em dinheiro a um banco de comida local diante dos impactos da pandemia do novo coronavírus. 

Mas a polêmica desta quarta não é a primeira do Tottenham neste período de isolamento. A diretoria da equipe foi criticada por licenciar parte de seus funcionários administrativos durante o surto de coronavírus.

Os afetados receberão 80% de seus salários apenas por meio de um programa de recuperação financeira implementado pelo governo britânico. O presidente do clube, Daniel Levy, está sob pressão para reverter a decisão depois que o Liverpool, que havia adotado medida semelhante, voltou atrás.