Jornalista Newton Zarani, fundador do futsal, morre aos 93 anos

Zarani também foi responsável por fundar a primeira federação de futebol de salão do mundo; ele faleceu no Rio de Janeiro, onde iniciou a prática da modalidade

Stéfano Salles Da CNN, no Rio de Janeiro
11 de maio de 2020 às 14:36
Newton Zarani
O jornalista Newton Zarani morreu nesta segunda-feira (11) no Rio de Janeiro; ele foi responsável por criar o futebol de salão com um grupo de amigos na Barra da Tijuca, também na capital carioca
Foto: Mariana Fidélis/Divulgação


O futsal perdeu um de seus pioneiros nessa segunda-feira. O jornalista Newton Zarani, de 93 anos, foi um dos fundadores do esporte nos anos 1950, quando a prática ainda era chamada de futebol de salão.

A modalidade surgiu na quadra do América, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde também seria fundada por ele e outros amigos, em 1954, a primeira federação do esporte no mundo: a Federação Metropolitana de Futebol de Salão, hoje rebatizada de Federação de Futsal do Estado do Rio de Janeiro. 

Com o passar do tempo, embora permanecesse reconhecido pelo trabalho no futsal, esporte no qual atuou também como treinador e dirigente, Zarani se tornou mais conhecido pela atuação na imprensa esportiva, especialmente, pelos 38 anos de carreira no mesmo veículo: o extinto Jornal dos Sports, pelo qual cobriu todas as modalidades esportivas. Nas página do cor de rosa, nunca escondeu a preferência esportiva que era sua paixão: o América. 

Newton Zarani defendeu o América em boa parte da carreira como atleta. O esporte, àquela altura, era, como gostava de definir, "feito para quem sabia jogar bola". Não eram permitidos carrinhos, tocar as duas mãos no chão ao mesmo tempo e nem mesmo gols de fora da área. 

O jornalista era um dos pouco remanescentes da crônica esportiva a terem acompanhado a última conquista estadual de seu o América: o Campeonato Carioca de 1960, o primeiro do antigo estado da Guanabara. Daquele elenco, Zarani orgulhava-se de falar se sua amizade com o meia Amaro, que chegou a ser vendido à Juventus de Turim (Itália) e convocado para a seleção brasileira. Morreu em 2010. 

No início do ano, o jornalista esteve pela primeira vez no novo Maracanã, para a gravação de um documentário. Na visita, demonstrou espanto com as transformações pelas quais passou o estádio que viu surgir para a Copa do Mundo de 1950, mas aprovou o resultado. A Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (Acerj) prestou solidariedade à família, e o América determinou luto de três dias.