Corredor de São Paulo completa maratona em circuito feito dentro de casa

Frederico de Almeida, de 52 anos, participou da 'prova' numa pista de 21 metros montada em sua residência

Roberta Russo, da CNN em São Paulo
27 de julho de 2020 às 11:58 | Atualizado 27 de julho de 2020 às 14:16

Mais de mil voltas dentro da própria casa, no bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Foi assim, indo e voltando em uma pista de 21 metros criada entre a garagem, sala e quintal externo, que o médico Frederico de Almeida, de 52 anos, completou uma maratona dentro da residência dele, no último dia 17 de julho.

Com seis maratonas no currículo, o médico estava inscrito para participar da prova da Finlândia, em agosto, mas cancelou a viagem por causa da pandemia do coronavírus. Mesmo com a máscara, Fred não se sente seguro para correr pelas ruas e parques da capital paulista, que estão liberados com horários restritos e abertos apenas durante a semana: “Eu tenho uma opção: posso ficar em casa ou posso sair para correr, só que eu prefiro ficar realmente pelo número de pessoas que não tem essa opção de ficar em casa”. 

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Impossibilitado, portanto, de treinar e fazer provas, a ideia de correr a maratona dentro de casa foi da esposa, Cristina, que sempre incentiva o marido a seguir praticando o esporte. Foi ela quem ajudou a preparar postos de hidratação nos cômodos da casa com Gatorade, chocolate e mel: “no final da prova tinha até cafezinho”, ela brinca.

Como em todas as corridas que Fred completa, a companheira manteve a tradição de esperá-lo na chegada com a bandeira do Brasil para a comemoração de mais um desafio cumprido. No dia 17 de julho, um sábado, Fred começou a saga dos 42 quilômetros por volta das cinco horas da manhã. Terminou o trajeto em 5 horas e 21 minutos. E ganhou até uma medalha, de madeira, que foi feita pela esposa.

Superação e foco na pandemia


 Normalmente, em uma prova de 42 quilômetros, os atletas têm as paisagens como aliadas para aguentar o percurso exaustivo; o que, no caso de Fred, não aconteceu. Ele explica que o controle mental foi o mais importante para conseguir completar o trajeto mesmo dentro da própria casa.

"Foco, disciplina no treinamento, você ficar determinado, você se programar, condicionamento físico, tudo isso foi importante. Mas para essa maratona, em particular, o que funcionou mesmo foi o meu equilíbrio emocional, psicológico e mental. Eu já passei muitos perrengues em maratonas, já corri machucado; mas você sempre se distrai com as paisagens diferentes. Aqui eu via uma paisagem só, entrando e voltando...”

Provas canceladas

Em todo o planeta, corredores de rua tentam manter o ritmo mesmo com praticamente todas as principais provas canceladas por causa da pandemia. A Maratona de Nova Iorque, a maior de todas, foi cancelada no fim do mês; mesmo caminho seguido pela prova de Berlim, considerada a mais veloz.

No Brasil, a Maratona de São Paulo havia sido adiada para novembro, e agora foi cancelada. A edição 2020 será feita no ano que vem, com as inscrições que já estavam pagas sendo mantidas. Querida pelos corredores, a Maratona do Rio também não vai acontecer por causa dos perigos da aglomeração e da falta de um calendário certo para as vacinas no país.

Entre as mais famosas, apenas a corrida de São Silvestre, que acontece no último dia do ano, não foi cancelada ainda. A decisão deve ser tomada em agosto, de acordo com os organizadores.