Rodrigo Rodrigues: diretor de hospital fala sobre complicações da Covid-19


Da CNN
28 de julho de 2020 às 15:08 | Atualizado 28 de julho de 2020 às 20:30

Diretor do hospital Hospital Unimed-Rio, onde faleceu nesta terça-feira (28) o apresentador Rodrigo Rodrigues, o médico Gabriel Massot falou à CNN sobre o quadro clínico do jornalista do SporTV. Ele tinha 45 anos e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital do Rio de Janeiro em estado grave por complicações causadas pelo novo coronavírus.

De acordo com o médico, o apresentador "deu entrada no hospital com quadro sugestivo de acidente vascular cerebral" e que pacientes com Covid-19 têm apresentado "relação com alterações vasculares" -- o que, segundo o especialista, teria relação no caso do jornalista.

O quadro clínico de Rodrigo Rodrigues se agravou por conta de um sangramento que aumentou a pressão na caixa craniana, que foi o motivo da cirurgia pela qual ele passou.

Tal quadro pode levar a lesões cerebrais que podem acarretar a morte do paciente, apontou o médico, que ainda informou que o falecimento foi registrado às 10h40 desta terça.

Leia e assista também:

Apresentador do SporTV Rodrigo Rodrigues morre por complicações de Covid-19
Colegas lamentam a morte do apresentador do SporTV Rodrigo Rodrigues
Juca Kfouri: Morte de Rodrigo Rodrigues não é apenas uma estatística

Massot descartou que uma demora na busca pelo atendimento possa ter levado ao agravamento do caso. "Não podemos confirmar se houve demora ou não. Ele estava seguindo o protocolo do afastamento pelos 15 dias e essa complicação pode ocorrer, assim como outras mais tardias, com os pacientes", pontuou.

Ele ainda acrescentou que há registros de muitos pacientes com Covid-19 que apresentam essas alterações de uma forma tardia, já no 15º dia de isolamento. 

O jornalista lidava com a infecção há quase 15 dias e estava afastado do trabalho desde que recebeu o diagnóstico da doença. Ele se sentiu mal, procurou atendimento e foi internado. Poucos depois, foi colocado em coma induzido por causa da trombose vascular cerebral. Rodrigues chegou a passar por uma cirurgia para aliviar a pressão intracraniana, mas não resistiu.

Em nota, o Hospital Unimed-Rio, onde Rodrigues estava internado, disse que "foi atestada morte encefálica".

"O paciente encontrava-se em estado grave e coma induzido, em unidade de terapia intensiva, desde o último domingo, 26/07, após ter sido submetido a procedimento para diminuição da pressão intracraniana em decorrência de uma trombose venosa cerebral."

O Grupo Globo informou, em um comunicado, que Rodrigues contou, no dia 9 de julho, que teve contato com um amigo que testou positivo para o novo coronavírus. Quatro dias depois, ele fez o teste e também foi diagnosticado com a doença. 

"Nos dias posteriores, apresentou sintomas como falta de paladar e olfato, mas dizia se sentir bem. No entanto, a situação mudou no último sábado. Segundo o boletim médico do hospital, Rodrigo deu entrada na emergência com quadro de dor de cabeça, vômito e desorientação", diz a nota da emissora.

Carreira

O apresentador Rodrigo Rodrigues

O apresentador Rodrigo Rodrigues

Foto: Rodrigo Rodrigues / Instagram

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Rodrigues se formou em jornalismo em 2001 e iniciou a carreira na televisão como apresentador em 1995. Também passou por emissoras como ESPN, TV Cultura, Bandeirantes e Esporte Interativo.

Rodrigues escreveu livros como As aventuras da Blitz (2008), sobre a vida do grupo musical fundado por Evandro Mesquita, e Almanaque da música pop no cinema (2012). Ele também era guitarrista da banda The Soundtrackers, com a qual costumava se apresentar com os amigos.

O velório de Rodrigues será no Memorial do Carmo, no Rio, às 14h desta quarta-feira (29). A cerimônia vai durar 20 minutos em espaço aberto -- a família não quis capela. Segundo o protocolo de funerais de vítimas da Covid-19, no máximo 10 pessoas poderão estar reunidas, por pouco tempo e seguindo as regras de distanciamento social. 

(Edição: Bernardo Barbosa)