CBF libera quatro jogadores do Atlético-GO com Covid-19 para jogo com Flamengo

Atletas testaram positivos há mais de dez dias e, segundo o clube, apresentam apenas resquícios do vírus no organismo, sem chance de contaminação

Pedro Teixeira, Layane Serrano e Henrique Andrade*, da CNN, em São Paulo e em Goiânia
12 de agosto de 2020 às 12:18 | Atualizado 12 de agosto de 2020 às 13:15

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aceitou recurso do Atlético Clube Goianiense e liberou quatro jogadores da equipe, diagnosticados com Covid-19, para a partida contra o Flamengo, que será realizada nesta quarta-feira (12). 

O Atlético-GO apresentou o recurso na noite desta terça-feira (11), alegando que os atletas que testaram positivo estão em reta final de contaminação e não apresentam potencial de transmissão do vírus.

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Jogadores do Atlético Goianiense durante treino
Foto: Reprodução/Redes Socais

A CBF realizou bateria de testagem com os atletas do clube no domingo (9) e informou na terça que quatro testes apresentaram resultado positivo. A equipe goiana afirmou que estes jogadores já tinham apresentado diagnóstico positivo para o vírus em testagem feita pelo próprio clube há cerca de duas semanas e, por isso, já cumpriram o período de quarentena e isolamento de 10 dias, como exigido pela CBF.

Os atletas já estão treinando normalmente desde sábado por não apresentarem sintomas após o período de isolamento de dez dias, segundo o Atlético. O departamento médico do clube afirma que esses jogadores apresentam apenas resquícios do vírus, sem risco de transmissão.

Em entrevista à CNN, na manhã desta quarta-feira (12) Raphael Einsfeld, médico especialista em esporte e coordenador do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo, analisou o recurso do time goiano e afirmou ainda que o principal método de testagem, o RT-PCR, não é o melhor exame para avaliar o status da doença.

"O RT-PCR não é o melhor exame para ficar avaliando se a doença está ativa ou não. O que as principais agências de saúde do mundo têm discutido é que após 10 dias da infecção ou de ausência do sintoma, é possível ter o retorno do indivíduo às suas atividades. Portanto, a CBF usa o controle de prenvenção americana como protocolo e para embasar esta decisão", explicou.

Em sua avaliação, Einsfeld acredita que pessoas com sintomas leves da doença não são capazes de transmitir o vírus após o seu oitavo dia de infecção.

"Os estudos têm mostrado a relação entre o PCR e a cultura do vírus. De acordo com a pesquisa, pessoas com infecções leves e que não necessitam de hospitais, em seu oitavo dia, não registram mais replicação do vírus em cultura. Ou seja, o PCR ainda consta positivo, pois ainda têm resíduos de RNA, mas não existe infecção viral. O que é diferente no caso de uma pessoa em casos mais graves", finalizou.

A CBF informa que sua comissão médica está em reunião para tratar o assunto e deve divulgar posicionamento ainda hoje, antes da partida.

 

(*Sob supervisão de Julyanne Jucá)