Boca Juniors e River Plate se unem em campanha por desaparecidos da ditadura

Balanço inicial apontou que pelo menos 8.961 argentinos morreram na ditadura

Leonardo Lopes, da CNN, em São Paulo*
19 de março de 2021 às 17:48
Boca Juniors empata com River Plate por 1 a 1 em La Bombonera
Foto: Reprodução/Twitter @BocaJrsOficial

Responsáveis pelo maior clássico do futebol argentino, os clubes Boca Juniors e River Plate anunciaram, nesta sexta-feira (19), que vão se unir em uma campanha pelas pessoas desaparecidas da ditadura argentina.

Foram convocados os familiares ou amigos próximos de desaparecidos que eram sócios dos clubes quando foram vítimas do regime militar, que vigorou no país entre 1976 e 1983. 

Os times anunciaram aos torcedores que o objetivo da ação é "conhecer suas histórias de vida e reivindicar sua condição societária".

A ação é feita em conjunto com a Secretaria de Direitos Humanos da Argentina e representa um "marco de uma política de memória, justiça e verdade", de acordo com nota publicada pelas equipes.

"Somos rivais, não inimigos... E, pelas vítimas do terrorismo de Estado, erguemos a mesma bandeira", afirma a publicação.

Ditadura Argentina

No dia 24 de março de 1976, as Forças Armadas da Argentina executaram um golpe de Estado que derrubou a presidente María Estela Martínez e as autoridades constitucionais.

O regime autodenominado de "Processo de Reorganização Nacional" durou até 1983 e ficou marcado, entre outras coisas, pela perseguição de opositores.

A Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), órgão criado pelo governo argentino para investigar os crimes cometidos pelo regime, produziu, em 1984, um relatório de 50 mil páginas que ganhou o nome "Nunca Mais". 

O balanço inicial apontou que pelo menos 8.961 argentinos morreram na ditadura.

O próprio CONADEP ressalta que este número não pode ser considerado definitivo porque muitos casos sequer foram denunciados.

Organizações de Direitos Humanos, como as Abuelas de Plaza de Mayo (Avós da Praça de Maio, em tradução) apontam que a ditadura argentina teria deixado pelo menos 30 mil desaparecidos.

*Sob supervisão de Ludmila Candal