Após saída de ingleses, Superliga suspende competição e vai 'reformular projeto'

A iniciativa de criação da competição começou a naufragar nesta terça-feira (20) após uma onda de manifestação de torcidas e a oposição geral à iniciativa

Daniel Fernandes*, da CNN, em São Paulo
20 de abril de 2021 às 22:20 | Atualizado 20 de abril de 2021 às 23:58
Estádio do Tottenham
Tottenham Hotspur foi um dos times a desistir de participar da Superliga
Foto: Divulgação/Tottenham Hotspur

Após todos os seis clubes ingleses que integrariam o grupo de fundadores da Superliga – Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham – anunciarem que desistiram de participar da competição, os organizadores do evento afirmaram nesta terça-feira (20), em um comunicado, que focarão agora em "reformular o projeto".

"Apesar da anunciada saída dos clubes ingleses, forçados a tomar tais decisões devido à pressão sobre eles, estamos convencidos de que nossa proposta está totalmente alinhada com as leis e regulamentos europeus", disse o comunicado dos responsáveis pela Superliga.

A iniciativa de criação da Superliga Europeia de clubes começou a naufragar nesta terça-feira (20) após uma onda de manifestação de torcidas e a oposição geral à iniciativa. Depois da saída dos ingleses, seguem na liga Real Madrid, Atlético de Madrid e Barcelona, da Espanha, e Inter de Milão, Milan e Juventus, da Itália.

Ingleses desistiram da ideia após protestos

No caso do Chelsea, a manifestação da torcida chegou a atrasar em 15 minutos o início do jogo do clube londrino contra o Brighton, pelo Campeonato Inglês.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram torcedores do Chelsea em frente ao estádio Stamford Bridge, em Londres, comemorando como se fosse um título a notícia da desistência da participação do clube na Superliga.

A desistência do Manchester City foi confirmada em nota. O clube enfrentava resistência interna, com críticas à Superliga externadas pelo próprio técnico, Pep Guardiola.

"Manchester City Football Club pode confirmar que formalmente iniciou os procedimentos para deixar o grupo que desenvolve planos para uma Superliga Europeia", afirma o comunicado. 

Em comunicado nas redes sociais, o Arsenal informou a desistência de integrar a Superliga e afirmou que a decisão foi tomada após ouvir os torcedores e a comunidade do futebol. "Cometemos um erro e pedimos desculpas por isso", disse o clube.

Também em um comunicado, o Liverpool afirmou que recebeu posicionamentos de diversas "partes interessadas importantes, tanto interna quanto externamente", e que, após analisar os posicionamentos, decidiu desistir da ideia de integrar a nova competição. 

No mesmo dia o Tottenham também divulgou uma nota para comunicar que havia iniciado o processo de saída do grupo de times que desejam fundar a Superliga. 

“Lamentamos a ansiedade e aborrecimento causados pela proposta. Sentimos que era importante que o nosso clube participasse no desenvolvimento de uma possível nova estrutura que buscava melhor garantir o fair play e a sustentabilidade financeira, ao mesmo tempo que fornecia um apoio significativamente maior para a pirâmide futebolística mais ampla" disse o presidente do time, Daniel Levy, no comunicado. 

“Acreditamos que nunca devemos ficar parados e que o esporte deve revisar constantemente as competições e a governança para garantir que o jogo que todos amamos continue a evoluir e entusiasmar os fãs em todo o mundo."

Último inglês a abandonar o projeto, o Manchester United afirmou que deixará o grupo de fundadores da Superliga depois de ouvir "atentamente a reação de nossos fãs, do governo do Reino Unido e de outras partes interessadas importantes".

Sem seis dos seus 12 fundadores iniciais, a liga agora passará por uma reformulação, de acordo com os organizadores. “Nas atuais circunstâncias, vamos reconsiderar os passos mais adequados para reformular o projeto, tendo sempre em mente os nossos objetivos de oferecer aos fãs a melhor experiência possível”, diz o comunicado. 

Espanhóis também rejeitam Superliga

Na Espanha as notícias também não eram boas para os chefões da Superliga.

“O Barcelona não entrará na Superliga até que nossos sócios votem a favor. O clube é deles, então a decisão é deles”, afirmou Joan Laporta, presidente do time catalão, após sentir a pressão dos torcedores.

Segundo o diário Daily Express, o Atlético de Madrid, por sua vez, se preparava para enviar uma carta comunicando a saída da Superliga, cujo presidente é o mandatário do rival Real Madrid, Florentino Pérez.

Em Munique, fãs do Bayern se manifestaram antes do jogo contra o Bayer Leverkusen pelo Campeonato Alemão. O curioso é que o atual campeão europeu nem integrava o grupo de clubes que lançou a ideia da Superliga.

Na véspera, um protesto tinha acontecido em frente ao estádio de Anfield, casa do Liverpool. Torcedores pregaram faixas nos portões da arena, apelidados de Shankly Gates em homenagem a Bill Shankly, que por 15 anos ocupou o cargo de treinador do clube, tirando o Liverpool da segunda divisão até formar o time que se tornaria potência europeia.

Foi Shankly, morto em 1981, o técnico que forjou alguns dos principais valores do clube. Nos cartazes, a torcida dizia: “Vergonha” e “Descanse em paz, Liverpool (1892-2021)”.

Uma reunião entre os capitães de todos os times da Premier League foi convocada pelo meia Jordan Henderson, do Liverpool. Até entre os jogadores a insatisfação era grande com a criação de uma liga sem depender das competições nacionais para conseguir vaga no torneio continental e sem o risco de rebaixamento.

*Com informações da Reuters