Rogério Caboclo é afastado da presidência da CBF

Afastamento de 30 dias é por decisão da Comissão de Ética após denúncia por assédio sexual

Anna Gabriela Costa, Elis Barreto e Maria Mazzei, da CNN, em São Paulo e no Rio de Janeiro
06 de junho de 2021 às 17:29 | Atualizado 06 de junho de 2021 às 19:12

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado do cargo neste domingo (6), conforme informação confirmada pelo colunista Caio Junqueira. O afastamento por 30 dias é por decisão da Comissão de Ética após denúncia de assédio sexual.

As investigações contra o ex-presidente da entidade devem começar já nesta segunda-feira (7). A denúncia foi protocolada na sexta-feira (4) e, de acordo com o Código de Ética da organização, os trâmites investigativos começam no próximo dia útil após o recebimento da notificação.

Caboclo será investigado e julgado por duas câmaras diferentes, que fazem parte da comissão. A primeira é composta por cinco membros, e terá um relator escolhido pelo próprio presidente do conselho, Carlos Renato de Azevedo Ferreira. O grupo é responsável por apurar indícios, ouvir testemunhas e analisar provas da denúncia. A Câmara de Julgamento irá analisar o relatório dos integrantes, e aplicar as medidas cabíveis caso decidam pela condenação.

A CNN confirmou com fontes que o diretor de Governança e Conformidade da CBF, André Megale, enviou um e-mail na noite de sábado (5) sugerindo que Caboclo se licencie da função até que a investigação seja concluída. Também justificou que, dessa forma, Caboclo conseguiria dedicar-se à própria defesa. O e-mail foi direcionado ao atual presidente e outros 22 dirigentes.

De acordo com a apuração, a maioria concordou com o conselho de afastamento feito por Megale. Ainda segundo fontes, outros dirigentes, porém, estariam tentando convencer Caboclo a renunciar e teriam justificado que seria mais honroso para o então presidente da instituição comunicar sua saída, do que ser afastado pela CBF.

Mas Caboclo estaria resistindo à ideia, e até o momento não teria reunido seus dirigentes para se explicar das acusações, o que estaria tornando sua situação cada vez mais delicada internamente.

Em nota, a defesa de Rogério Caboclo informou “que ele nunca cometeu nenhum tipo de assédio. E vai provar isso na investigação da Comissão de Ética da CBF.”

A CBF informou, também por meio de uma nota, que recebeu na tarde deste domingo a decisão da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro suspendendo temporariamente o presidente Rogério Caboclo do exercício de suas funções.

"Seguindo o Estatuto da entidade, toma posse interinamente, por critério de idade, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima. A decisão é sigilosa e o processo tramitará perante a referida Comissão, com a finalidade de apurar a denúncia apresentada". 

Patrocinadores

Fontes internas afirmaram também que até patrocinadores da seleção já teriam manifestado incômodo com as acusações contra Rogério Caboclo.

Em nota enviada à CNN, a Nike, que estampa a camisa oficial da seleção, disse estar "profundamente preocupada com as graves acusações feitas ao presidente da CBF." E que estão "acompanhando de perto a apuração do caso.” Finalizam dizendo que esperam que todas as descobertas sejam acionadas rapidamente.

O Itaú Unibanco também se posicionou, e disse que recebeu "com preocupação as acusações divulgadas nesta sexta-feira envolvendo o presidente da CBF. Na qualidade de patrocinador oficial da Seleção Brasileira de Futebol, o banco acompanhará de perto a apuração do caso e espera que a investigação seja profunda e célere.”, informaram.

Já a Vivo informou que "está acompanhando com atenção as apurações sobre o caso, por se tratar de uma denúncia que reporta situações que não condizem com os valores da empresa. A Vivo repudia qualquer ato de assédio ou discriminatório.”

Denúncia

Uma denúncia formal de assédio moral e sexual contra o presidente da instituição, Rogério Caboclo foi enviada à Comissão de Ética da CBF e a Diretoria de Governança e Conformidade na última sexta-feira (4).

A acusação foi feita por uma funcionária que ocupa um cargo de confiança e trabalha há cerca de nove anos na CBF. No documento apresentado pelo escritório Ideses Advogados, que representa a suposta vítima, a defesa afirma ter provas dos fatos narrados e pede que o dirigente seja investigado e afastado. Os advogados também pedem investigação na Justiça estadual. 

Desde então, a funcionária encontra-se afastada de suas funções após, supostamente, apresentar problemas de saúde. Procurada pela CNN, a defesa dela, até o momento, não se manifestou.

Rogério Langanke Caboclo durante cerimônia de posse na presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)
Foto: Lucas Figueiredo/CBF