Com Covid como 'sombra', Copa América começa neste domingo com Brasil em campo

Na véspera, Venezuela, adversária da Seleção, e Bolívia registraram casos do novo coronavírus nas delegações que vieram ao Brasil

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo
13 de junho de 2021 às 04:30
Brasil 5 x 0 Bolívia
Atacante Neymar, da Seleção Brasileira, durante jogo contra Bolívia
Foto: Miguel Schincariol/CBF

Após muitas pressões políticas, sanitárias e comerciais, em uma incerteza que chegou à Justiça brasileira, a edição de 2021 da Copa América começa neste domingo (13) com a Seleção Brasileira em campo contra a Venezuela, partida que será disputada em Brasília a partir das 18h.

A véspera do início da competição foi marcada por más notícias. Pela manhã, a seleção venezuelana anunciou ter detectado 13 casos de Covid-19 em sua delegação, de 65 pessoas. A noite foi a vez da Bolívia, que confirmou quatro casos, sendo três jogadores e um integrante da comissão técnica.

O agravamento da pandemia da Covid-19 levou a Argentina a desistir de sediar a competição, seguindo a Colômbia, que havia aberto mão do torneio diante de um momento de instabilidade política no país.

A decisão do Brasil em aceitar receber a competição foi criticada por senadores da oposição e até por parte dos próprios atletas. Da sua parte, o governo federal, assim como os estados e cidades que aceitaram a Copa América, declaram confiar nos protocolos sanitários da Conmebol, bem como ressaltam que o país já permite partidas de diversas competições, nacionais e internacionais.

Além de Brasília, que recebe a partida entre Brasil e Venezuela, Cuiabá, Goiânia e Rio de Janeiro receberão os jogos. A Seleção Brasileira e a Venezuela integram o grupo B da Copa América, que também tem Equador, Colômbia e Peru. Estas duas últimas também jogam no domingo, às 20h, na Arena Pantanal, em Cuiabá. 

A partida de abertura da competição será apitada pelo árbitro uruguaio Esteban Ostojich. O chileno Julio Bascuñán comandará o árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês). Como previsto em todos os jogos da Copa América, o primeiro jogo do Brasil não terá torcida.

O Brasil manteve o elenco dos dois últimos jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, com a exceção de Rodrigo Caio, que deixou a escalação para abrir espaço a Thiago Silva, do Chelsea (ING), que esteve afastado para tratar uma lesão.

Nas Eliminatórias, o Brasil tem uma campanha irretocável: seis vitórias seguidas, sobre Bolívia (5 a 0), Peru (4 a 2), Venezuela (1 a 0), Uruguai (2 a 0), Equador (2 a 0) e Paraguai (2 a 0), na última terça-feira). 

Também na última terça-feira, a Venezuela empatou por 0 a 0 com o Uruguai. Antes disso, perdeu para a Bolívia (3 a 1), ganhou do Chile (2 a 1) e perdeu para o Brasil (1 a 0), para o Paraguai (1 a 0) e para a Colômbia (3 a 0).

Onde assistir a Brasil x Venezuela

A partida entre Brasil e Venezuela será transmitida, na TV por assinatura, por ESPN e FOX Sports.

Na TV aberta, o SBT fará a transmissão do jogo, que começa às 18h.

Polêmicas da competição

Disputada por seleções de futebol de 10 países, o torneio deste ano chegou ao Brasil por caminhos tortuosos: originalmente, os países que iriam sediar o evento eram Argentina e Colômbia. 

No entanto, tomada por protestos de milhares de pessoas contra o governo do presidente Iván Duque, a Colômbia desistiu de sediar o evento esportivo no dia 20 de maio, a menos de um mês do início da competição.

Com a notícia, a Argentina passou a ser a sede única da Copa América, mas 10 dias depois da desistência da Colômbia, foi a vez dos argentinos abrirem mão de sediar o evento, decisão creditada à alta taxa de infecção por Covid-19 no país.

No dia seguinte à desistência da Argentina, a Conmebol, organizadora do evento esportivo, ratificou: o Brasil foi escolhido para sediar a Copa América, ideia prontamente acolhida pelo governo federal e, nesta quinta-feira (10), confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Além disso, os jogadores da Seleção Brasileira e a equipe técnica, incluindo o treinador, Tite, demonstraram contrariedade com o evento nos dias posteriores à confirmação de que a Copa América ocorreria no Brasil. 

A competição também foi rapidamente capturada pelo debate político no Brasil, com simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendendo a realização da Copa América no Brasil, enquanto críticos do governo federal se manifestaram contra o evento, citando, principalmente a crise sanitária pela qual passa o país. 

Em entrevista à TV Globo, logo após a vitória sobre o Equador no dia 4 de junho, o capitão da Seleção, o volante Casemiro, expressou o incômodo do elenco com a Copa América, e avisou que a Seleção iria se manifestar nos dias seguintes. 

A manifestação ocorreu na terça-feira (9), em um comunicado à imprensa e aos torcedores. No texto, os jogadores disseram que, "por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil". O time disse entender que "todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização". 

Apesar das críticas, os jogadores disseram que têm "uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo" e afirmaram que, embora sejam "contra a organização da Copa América", "nunca diremos não à Seleção Brasileira"

O manifesto também trouxe um trecho que demonstrou o desconforto dos atletas com a politização em torno da competição. "É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia e estamos presentes nas redes sociais", escreveram. 

"Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros", destacaram os jogadores da Seleção.