‘A história dela já mostra sua força’, diz coordenadora do COB sobre Biles

À CNN, medalhista olímpica e velejadora, Isabel Swan, diz que acompanhamento psicológico no esporte deve começar desde cedo

Vinicius Tadeu*, da CNN São Paulo

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A ginasta norte-americana e grande promessa das Olimpíadas de 2020, Simone Biles, desistiu de competir a final da modalidade solo para preservar sua saúde mental. Casos de depressão e pressão psicológica são observados no ambiente esportivo e, para isso, a velejadora brasileira e atual coordenadora da área Mulheres no Esporte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Isabel Swan, afirma que é imprescindível o cuidado desde os primeiros anos no ambiente esportivo.

“Este acompanhamento é bom que comece cedo para que estas bases sejam construídas de forma bem sólida”, disse Swan, em entrevista à CNN.

Ela analisa que a decisão de Biles demonstra firmeza e traz mais reconhecimento para essa causa. “A gente tem que tirar o chapéu porque a história dela já mostra esta força, ela não precisa provar mais nada para ninguém e é ainda mais forte tomando esta decisão e se respeitando.”

Swan é medalhista olímpica e conquistou seu espaço no pódio nos jogos de Pequim, em 2008. Ela destaca que um dos grandes dilemas é aprender a lidar com os erros e acertos.

“O esporte, para mim, é aprendizagem, é o que você faz com a derrota e a vitória. O que você faz com isso, quais lições você tira. E é perfeito porque não tem subterfúgio, não tem mentira. O esporte está ali, é resultado, é marca.”

Isabel Swan também destaca o que vem sendo feito no COB para tornar o ambiente esportivo um lugar mais seguro para as mulheres – a velejadora comentou o caso de Biles, que foi vítima de abuso sexual cometido por Larry Nassar, ex-médico da seleção dos Estados Unidos de ginástica artística.

Simone Biles em Tóquio
A ginasta americana Simone Biles, favorita ao ouro em todas as categorias de ginástica artística, escolheu deixar de competir no geral por equipes para preservar sua saúde mental
Foto: Tom Weller/Getty Images

“O ambiente esportivo tem muito contato corporal, toque, e esse limiar é muito próximo. Então, é muito importante as atletas terem consciência e se defenderem. Não só as mulheres, mas todo o ambiente esportivo deve prevenir qualquer assédio e abuso no esporte.”

De acordo com ela, o Instituto Olímpico Brasileiro (IOB) oferece um curso gratuito para informar a todos sobre o assédio no esporte.

(*sob supervisão de Elis Franco)

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