Ana Sátila quer fazer história na canoagem nas Olimpíadas 2020

Grandes resultados no atual ciclo olímpico e experiência de Londres 2012 e Rio 2016 fazem de Sátila uma das favoritas para medalha nos Jogos Olímpicos

Por Bruno Oliveira e João Venturi

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Em busca de uma medalha inédita para a canoagem feminina brasileira, Ana Sátila chega em Tóquio como uma das atletas mais experientes da delegação nacional. Aos 25 anos, ela está pronta para disputar a terceira Olimpíada da carreira.

Sátila vai representar o Brasil na canoagem slalom, nas categorias C1, com canoa, e K1, com caiaque. Na canoagem slalom, o canoista precisa lutar contra as corredeiras, driblar os obstáculos, ter agilidade, elasticidade, força e concluir o percurso no menor tempo possível.

Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, a atleta tinha 16 anos e era a mais jovem da delegação brasileira. Em 2016, no Rio de Janeiro, um erro ao não passar por uma das balizas custou o sonho do pódio, e ela, mais uma vez, pagou o preço da inexperiência.

“Eu só pensava na medalha, eu queria essa medalha, era o meu sonho. Dormia sempre pensando nisso e acabei falhando. Mas depois vi que essa derrota foi o que mais me ensinou em toda minha carreira esportiva. Consegui tirar uma bagagem incrível de ensinamento, experiência, e tenho certeza que isso vai ser meu diferencial para Tóquio” disse a atleta.

O jornalista esportivo Marcelo Laguna acredita que Sátila chega mais preparada no Japão. “Ela foi finalista Olímpica no Rio, mas cometeu alguns erros que custaram uma melhor colocação. Acho que ela amadureceu nesses cinco anos, do Rio para cá, e acredito que ela tem chance de surpreender agora”.

Além de assimilar os erros da Rio 2016, a atleta teve a pandemia como grande obstáculo para os Jogos de Tóquio, que adiou a competição de 2020 para 2021 e comprometeu sua preparação. A saída foi mudar o ritmo de treinos e se reinventar.

“Passei 4 meses treinando em casa. E a canoagem slalom você não consegue treinar em casa. Então, a gente conseguiu focar na parte física, na parte psicológica, mas a parte técnica, específica na água, a gente não conseguiu fazer muito, e isso dificultou bastante”, afirmou a atleta.

Ainda assim, 2020 foi um ano dourado para Ana Sátila. A atleta venceu duas etapas da Copa do Mundo de canoagem na categoria C1: uma na Eslovênia e a outra na França. Foi a primeira vez que uma brasileira conseguiu esses resultados.

A categoria C1 estreia nas Olimpíadas 2020, e Ana chega ao Japão como uma das favoritas ao ouro na canoagem slalom e no caiaque. “Em ambas as categorias eu me dediquei muito e estou me sinto muito preparada. Então, com certeza poderia ser cotada como favorita. Estou indo para duas medalhas. Eu sonho muito alto, mas é possível”, contou.

A trajetória de Ana Sátila já rende comparações a outro canoísta brasileiro, Isaquias Queiroz. Nas Olimpíadas do Rio, Isaquias se tornou o primeiro atleta do País a conquistas três medalhas em uma única edição de Jogos Olímpicos.

Sátila sonha com a primeira. “É uma honra, né? Acho que o Isaquias é a nossa estrela, não só para mim na canoagem, mas para o Brasil inteiro. Então, ser colocada ao lado dele é uma honra incrível, mas, claro, o nosso sonho é ser a primeira Ana Sátila, a primeira a fazer história na canoagem slalom”, disse.

Ana Sátila, canoista brasileira (22.jul.2021)
Ana Sátila, canoista brasileira (22.jul.2021)
Foto: CNN Brasil

 

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