Atletas olímpicos e do futebol: por que ainda há casos de Covid-19 no esporte

Esportes têm lidado com número significativo e preocupante de casos de Covid-19

Funcionária olímpica monta barreira plástica para evitar propagação do coronavírus
Funcionária olímpica monta barreira plástica para evitar propagação do coronavírus Foto: AP Photo / Markus Schreiber

Steve Almasy, da CNN

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Antes do início oficial de um dos principais eventos mundiais, o mundo dos esportes tem lidado com um número significativo e preocupante de casos de Covid-19.

Alguns japoneses fizeram pedidos para cancelar as Olimpíadas, que acontece com um ano de atraso devido à pandemia de coronavírus.

Equipes esportivas e grandes eventos estão enfrentando o desafio do número recente de testes positivos. Veja alguns dos casos:

• Os torneios de futebol da Copa América e da Eurocopa viram seus times perder jogadores, que não podiam competir por causa de protocolos contra o coronavírus.

• Seis jogadores do New York Yankees testaram positivo na semana passada, forçando o adiamento do primeiro jogo da MLB após o intervalo do All-Star Game e provocando uma série de mudanças na escalação das competições. Não foi a primeira vez que os Yankees sofreram com casos da doença.

• O Colorado Rockies anunciou na sexta-feira (16) que vários jogadores, o gerente e um técnico ficariam afastados por um tempo por causa do surto de Covid-19 na MLB e dos protocolos de rastreamento de contato.

• O amistoso da equipe masculina de basquete dos Estados Unidos, agendado para sexta-feira (16), foi cancelado depois que a USA Basketball anunciou que o armador do Washington Wizards, Bradley Beal, não vai aos Jogos Olímpicos, e Jerami Grant, do Detroit Pistons, está cumprindo os protocolos de saúde e segurança da organização.

• Dois membros da equipe sul-africana de futebol masculino e um analista de vídeo tiveram resultados positivos enquanto estavam na Vila Olímpica. Agora, 21 membros da equipe considerados contatos próximos desses atletas estão em isolamento ou quarentena.

• Os tenistas Alex de Minaur, da Austrália, e Coco Gauff, dos Estados Unidos, testaram positivo, o que significa que não vão competir na Olimpíada.

• Katie Lou Samuelson, integrante da equipe olímpica de basquete feminino 3×3 dos Estados Unidos, também vai perder os jogos por causa da Covid-19.

• No domingo, Kara Eaker, suplente da equipe de ginástica feminina dos Estados Unidos, foi colocada em isolamento após o teste positivo para o coronavírus.

Mas será que o número significativo de casos é um sinal da Covid-19 no mundo como um todo, ou existe algo de diferente nas competições esportivas?

“Não há muitos lugares em que testamos com tanta frequência quanto nos esportes profissionais e universitários”, disse à CNN na segunda-feira (19) o doutor Costi Sifri, médico infectologista e epidemiologista da Universidade da Virgínia.

Ele disse que é um bom sinal que os testes frequentes nos atletas estejam detectando um grande número de casos assintomáticos.

O médico afirmou ainda que, se fosse um atleta olímpico, teria sido vacinado (o que não é obrigatório) mas, quando chegasse a Tóquio, agiria como se não tivesse tomado a vacina.

“Existem maneiras de fazer as coisas com segurança”, comentou, lembrando do uso de máscaras em situações de alto risco e para a participação em eventos sociais apenas em áreas externas.

A proximidade dos atletas pode ser um terreno fértil para doenças infecciosas, disse o médico. Deve-se observar que os programas de vacinas variam nas nações ao redor do mundo, e não se sabe tanto sobre algumas vacinas administradas em alguns países, acrescentou. Além disso, Sifri disse ainda que alguns atletas adolescentes podem vir de países que não vacinam pessoas dessa idade.

O correspondente médico da CNN, Sanjay Gupta, disse em Tóquio que a Olimpíada traz um desafio único: mais de 11 mil atletas representando 206 comitês olímpicos nacionais vieram para uma nação insular que viu um grande aumento no número de casos.

Não haverá um fluxo de fãs para o país, já que os eventos não terão espectadores, nem em Tóquio, nem nas prefeituras próximas.

Os atletas em Tóquio estão sendo orientados a limitar sua movimentação aos locais de competição e à Vila Olímpica. O restante da estratégia consiste em pilares da saúde pública de combate à pandemia, disse recentemente a Gupta o presidente do Painel de Especialistas Independentes (IEP) do Comitê Olímpico Internacional.

“Distanciamento social, distanciamento físico, uso de máscara e higiene das mãos”, disse o consultor de saúde dos Jogos Olímpicos, doutor Brian McCloskey. “Eles sempre estiveram no cerne do que sabíamos que reduziria o risco de Covid-19 durante os Jogos. Em seguida, acrescentamos uma camada a mais, a estratégia de testes”.

O médico disse aos repórteres da Olimpíadas na segunda-feira (19) que achava que os casos de Covid-19 eram “na verdade extremamente baixos, provavelmente mais baixos do que esperávamos ver”.

As competições começaram na quarta-feira (21) e a cerimônia de abertura está marcada para sexta-feira (23).

A Vila Olímpica está preparada com centros de saúde e testes para Covid-19, com placas de sinalização lembrando os residentes de usar máscaras e manter pelo menos 1 metro de distância uns dos outros. Os atletas terão seus contatos rastreados e testados para a Covid-19 diariamente; se o teste for positivo, eles serão levados para uma instalação de isolamento fora da Vila Olímpica e não poderão competir.

Amy Compton Phillips, diretora clínica do Providence Health System, disse que as autoridades estão fazendo a coisa certa.

“Eles estão fazendo o que se faz com um novo patógeno quando você quer contê-lo, não mitigar a propagação, não desacelerar a propagação, mas interrompê-la”, disse Jim Sciutto à CNN.

Algo que ajudaria a impedir a propagação do vírus seria se todas as equipes esportivas profissionais pudessem persuadir 100% de seus membros elegíveis a se vacinarem, comentou Sifri.

A MLB, a liga profissional de beisebol dos Estados Unidos, e o sindicato dos jogadores concordaram no início deste ano em relaxar certos protocolos de saúde e segurança para clubes que têm uma taxa de vacinação de 85% ou mais.

Os Yankees são um dos 23 times da liga que atingiram essa meta, disse uma fonte familiarizada com a situação. Antes desses protocolos serem modificados, os jogadores eram testados pelo menos a cada dois dias.

No entanto, Sifri disse que a variante Delta e outras cepas são como um bode na sala.

“As novas variantes fazem com que a gente se pergunte se (o limite de 85%) é suficiente”, questionou.

As equipes precisam dizer aos membros não vacinados para manter o distanciamento social e usar máscaras nos vestiários, comentou. Elas também têm de tentar entender por que um membro da equipe não foi vacinado.

E os fãs? Os espectadores devem usar máscaras nos eventos? Sifri disse que provavelmente não usaria devido à situação atual.

“Estou bastante confortável conhecendo a eficácia das vacinas e a biologia da transmissão numa área externa e sem máscara”, afirmou.

Mas ele acrescentou que também levaria em consideração dados locais e tendências dos casos. O que está acontecendo onde ele mora, no estado da Virgínia, por exemplo, pode ser uma situação melhor do que em outro estado onde os números são preocupantes, argumentou.

Kevin Dotson, Amir Vera, Jill Martin e Gawon Bae da CNN contribuíram para esta reportagem.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês aqui.)

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