Bahia demite Mano Menezes; clube vai investigar acusação de racismo por Ramírez

Gérson, do Flamengo, acusou jogador colombiano de injúria racial ao dizer a ele "cala a boca, negro" durante discussão dentro do gramado

Fabrício Julião e Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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O Bahia anunciou, na noite deste domingo (20), a demissão do técnico Mano Menezes. Ele estava no cargo há apenas três meses e tinha contrato com o clube até dezembro de 2021. 

A saída de Mano Menezes foi anunciada após a derrota de virada para o Flamengo, por 4 a 3, no Maracanã. O Bahia é o décimo-sexto colocado do Campeonato Brasileiro, com 28 pontos, a uma posição da zona de rebaixamento.

O clube também anunciou que vai se posicionar “em breve” em relação à acusação de racismo contra o jogador colombiano Indio Ramirez.

Gérson, do Flamengo, acusou Ramírez de ter cometido injúria racial contra ele, em entrevista concedida após o jogo. De acordo com o que relatou o atleta, durante uma discussão, Ramírez disse a ele “Cala a boca, negro”.

Gérson ainda criticou a postura do agora ex-treinador do Bahia.

“O Mano falou: ‘ah, agora você é vítima, né? O Daniel Alves te atropelou e você não falou nada’. Claro, porque teve respeito entre eu e ele. Eu nunca falei de treinador, mas o Mano tem que saber respeitar”, concluiu. 

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Mano Menezes
O técnico Mano Menezes
Foto: Divulgação/Bahia

Acusação

O meio-campista Gérson, do Flamengo, afirmou ter sofrido racismo em campo após o fim da partida contra o Bahia, neste domingo (20), válida pela 26ª rodada do Brasileirão. Em entrevista após o jogo, o atleta acusou o jogador Ramírez, do time baiano, de falar “calar boca, negro”, enquanto a bola rolava. 

“Antes de terminar essa entrevista, quero falar uma coisa. Tive vários jogos como profissional, e eu nunca fui à imprensa falar nada até porque eu nunca sofri esse preconceito, nunca fui vítima nenhuma vez. O Ramírez reclamou com o Bruno e eu fui falar com ele. Ele falou assim para mim: ‘cala boca, negro’. Eu nunca falei nada disso porque eu nunca sofri, mas isso aí eu não aceito. Eu não aceito e estou vindo falar aqui em nome de todos os negros do Brasil”, declarou o jogador rubro-negro, após o término da partida. 

O treinador do Flamengo, Rogério Ceni, falou sobre o episódio após o jogo. “Lamentável a situação criada no dia de hoje. Atacar um ser-humano dessa maneira eu acho de um nível muito baixo”, disse. 

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro também manifestou repúdio ao caso, por meio das redes sociais. “É inadmissível o ato relatado pelo meia Gerson, do Flamengo, no jogo contra o Bahia. A Ferj repudia a discriminação e clama por igualdade, respeito… E que seja apurado com rigor o fato relatado”. 

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Alguns clubes brasileiros se solidarizaram com o jogador e pediram para que o episódio narrado seja apurado pelas autoridades competentes. “Nos solidarizamos com o atleta Gérson em mais um relato inaceitável de racismo no nosso futebol. Esse tipo de luta está acima de qualquer rivalidade. Que seja apurado com rigor. Não podemos tolerar esse tipo de atitude!”, escreveu o rival carioca Vasco da Gama.

“O Corinthians se solidariza com o meia Gérson, do Flamengo, repudia qualquer injúria de conotação racista, seja dentro ou fora de campo, e apoia que os fatos relatados no Maracanã sejam apurados com rigor”, disse o Corinthians.

“O Clube do Povo se solidariza com o atleta Gerson, do Flamengo, que denunciou ter sido vítima de racismo neste domingo, e saúda a corajosa postura do jogador, que não se calou diante de mais um episódio lamentável”, afirmou o Internacional. 

São Paulo, Santos, Botafogo, Ponte Preta, Vitória, América-MG, Cruzeiro também se solidarizaram com o atleta do Flamengo.

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