Boxe profissional não seduz Bia, que vai atrás do ouro olímpico em Paris

Beatriz Ferreira descarta boxe profissional e vai seguir na modalidade olímpica para ganhar o ouro nos Jogos Olímpicos de Paris-2024

Fernando Gavini, do Olimpíada Todo Dia

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A pugilista Bia Ferreira salta sozinha no meio do ringue socando o ar
Beatriz Ferreira luta no último dia dos Jogos de Tóquio para confirmar favoritismo ao ouro no boxe peso leve
Foto: ASSOCIATED PRESS

Ao final da trajetória de Beatriz Ferreira no ciclo encerrado na Tóquio-2020, em que ela colecionou ouro nos Jogos Sul-Americanos, nos Jogos Pan-Americanos e no Mundial, e a prata nos Jogos Olímpicos, a pergunta a ser feita tem a ver com o futuro da pugilista. Será ela seduzida pelo boxe profissional como foram os últimos brasileiros a subir no pódio — Esquiva e Yamaguchi Falcão, Adriana Araújo e Robson Conceição? A resposta é não! A boxeadora não só vai ficar no esporte olímpico, mas também quer se transformar em uma das maiores medalhistas do país na história.

“Tóquio acabou, mas esse ano ainda temos mundial. Então não podemos parar. E aí, Paris? Vou conversar com meu treinador ali e vamos ver. Por mim, sim. Quero mudar a cor dessa medalha”, afirmou Beatriz Ferreira logo depois de receber a medalha de prata de Tóquio.

Se a atleta disse que vai conversar com o técnico, Mateus Alves já tem na ponta da língua o que considera melhor para a medalhista: “É muito mais vantagem para ela seguir para uma segunda Olimpíada e tentar uma segunda medalha. Ela vai ter uma visibilidade muito grande e, em nível financeiro, ela já tem recursos muito altos. A Bia é a atleta do boxe de todos os tempos que mais tem patrocínio. Ela tem MRV, Petrobrás, Nike, bolsa pódio, salário dos militares e salário da CBBoxe.”

Ele explica que, além da compensação financeira, ela está muito focada em ir para uma segunda Olimpíada e ser duas vezes medalhista olímpica. “A gente tem uma meta dela ser uma das maiores atletas olímpicas do país e, para isso acontecer, ela precisa de mais medalhas”, explica o treinador.

Tóquio acabou, mas esse ano ainda temos mundial. Então não podemos parar. E aí, Paris? Vou conversar com meu treinador ali e vamos ver. Por mim, sim. Quero mudar a cor dessa medalha

Bia Ferreira, logo após receber a medalha de prata
Beatriz Ferreira com a medalha de prata conquistada nas Olimpíadas de Tóquio
Beatriz Ferreira com a medalha de prata conquistada nas Olimpíadas de Tóquio
Foto: Jonne Roriz / COB

Mateus Alves tem também confiança de que, além de Beatriz Ferreira, os outros medalhistas brasileiros em Tóquio, Hebert Conceição, que ganhou o ouro na categoria até 75 kg, e Abner Teixeira, bronze até 91 kg, continuem no ciclo para Paris. “Esse grupo que está aqui vai ficar, a não ser que venha uma proposta muito boa do boxe profissional dos Estados Unidos, mas é difícil.”

Hoje, para seduzir um medalhista olímpico, não é fácil, mediante toda a infraestrutura que ele recebe: equipe olímpica permanente, bolsa atleta, salário da CBBoxe e salário das Forças Armadas. Marcelo explica que, atualmente, para assinar um contrato de cinco lutas, um atleta com o perfil da delegação brasileira de boxe receberá em torno de 50 mil dólares.

A questão, para ele, é que ao fazer isso o pugilista, além de perder o salário, vai ter que começar a pagar toda a estrutra de treinamento e o estafe. “Financeiramente falando, eles têm muito mais vantagens porque, estando na equipe olímpica, a gente dá casa e comida, paga todas as contas de luz, telefone. Então, eles não têm custo nenhum. Só benefício financeiro e não precisam gastar para viver”, conclui Marcelo.

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