Caboclo não comparece à primeira audiência do Conselho de Ética da CBF

O presidente afastado da entidade é investigado pelo órgão, após denúncia de assédio moral e sexual feita por uma funcionária

Camille Couto, Camila Portes e Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro

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Rogério Caboclo não compareceu ao primeiro depoimento sobre as denúncias de assédio sexual e moral, que estava marcado para a tarde desta sexta-feira (9), na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O presidente afastado da entidade seria ouvido pelos membros do Conselho de Ética a respeito da denúncia protocolada por uma funcionária da instituição.   

Em nota, a defesa alegou que não reconhece a Comissão de Ética “como um órgão legítimo e competente para decretar o seu afastamento provisório do cargo de presidente da CBF; e não prestará depoimento no âmbito de processo eivado de nulidades e constituído por provas ilícitas e testemunhos evidentemente parciais”.

Mesmo sem a presença do presidente afastado, mulheres organizaram, na porta da CBF, um protesto contra o assédio sexual.

Caboclo, que está há cerca de nove anos na CBF, foi eleito presidente em 2018 e afastado pela Comissão de Ética no início de junho após o caso ser divulgado na imprensa. Inicialmente, o afastamento decretado foi de 30 dias. Posteriormente, foi prorrogado por mais 60 dias enquanto as investigações ainda estão em curso.    

Depois do afastamento do mandatário, outro funcionário da CBF, desta vez um diretor, denunciou Caboclo por assédio moral. Esta segunda denúncia também está sendo apreciada pela Comissão de Ética da entidade.     

Além da Comissão, existem investigações sobre as denúncias de assédio no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e no Ministério Público do Trabalho (MPT). Na quinta-feira (8), deputados federais aprovaram convite para que Rogério Caboclo deponha sobre as denúncias de assédio. Esse depoimento não tem data para acontecer, e o presidente afastado não tem obrigação de comparecer.      

Rogério Caboclo nega as acusações de assédio e alega que está sendo vítima de um complô para destituí-lo do cargo máximo da CBF. A confederação não comenta as investigações do Conselho de Ética.  

Presidente da CBF, Rogério Caboclo
Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF, diz não reconhecer a legitimidade do Conselho de Ética
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Leia a nota de Caboclo na íntegra:  

Rogério Langanke Caboclo, por seus advogados, vem informar que não comparecerá ao depoimento designado para a data de hoje, uma vez que: i) não reconhece esta Comissão de Ética como um órgão legítimo e competente para decretar o seu afastamento provisório do cargo de Presidente da CBF; ii) não prestará depoimento no âmbito de processo eivado de nulidades e constituído por provas ilícitas e testemunhos evidentemente parciais. Em sua Defesa escrita apresentada no último dia 7 de julho, o peticionário comprovou cabalmente que não praticou nenhum tipo de assédio, e nem mesmo infração ética de qualquer natureza, o que torna a medida de afastamento provisório ainda mais absurda, constituindo verdadeira antecipação de pena. As provas dos autos que amparam a denúncia são manifestamente ilícitas e imprestáveis: as gravações ambientais apresentadas pela denunciante são inadmissíveis para fins de acusação (art. 8º-A da Lei nº 9.296/96), e os depoimentos das testemunhas vinculadas à diretoria e à gestão atual são flagrantemente parciais e tendenciosos, devendo ser desentranhados dos autos.

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