Com ciclo curto pela frente, Pia tem nova geração pedindo espaço na seleção

Contratada para promover a renovação de gerações e montar time competitivo, Pia terá, visando 2023 e 2024, que tomar decisões difíceis

Pia Sundhage tem como missão renovar a seleção feminina de futebol do Brasil
Pia Sundhage tem como missão renovar a seleção feminina de futebol do Brasil Foto: Andre Penner/AP

Leandro Iamin, colaboração para a CNN

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Acaba o sonho olímpico brasileiro, o som dos zíperes das malas machuca o coração e os abraços de despedida dissolvem temporariamente o elenco da seleção. Ficam as memórias e, aos poucos, o foco mira no que há de vir. No caso do futebol feminino brasileiro, é a Copa do Mundo de 2023 e as Olimpíadas em Paris, no ano seguinte, em um ciclo trienal, mais curto que o normal. 

Pia Sundhage fez sua primeira convocação como líder do time brasileiro em agosto de 2019. O tempo entre ela e a jornada olímpica é exatamente o mesmo entre a derrota para o Canadá e a estreia na Copa do Mundo. Pia, que já dividiu com o público que a CBF espera dela também um trabalho de renovação de elenco, tem, portanto, uma missão única na história do cargo.

Única, porque nunca coube a ninguém o antipático papel de negar a jogadoras do tamanho de Cristiane uma vaga olímpica. Agora, com a provável saída de Formiga das convocações ou ao menos do time titular, a técnica sueca também é responsável por explorar o melhor de Marta em um ciclo que, quando acabar, terá a Rainha com 38 anos. Onde, e com quem, a camisa 10 deverá atuar?

Pia Sundhage
Foto: Andre Penner/AP

É preciso olhar as idades das atletas e a tendência de Pia nas últimas convocações que fez — ela, inclusive, chegou a fazer convocações só para treinos, sem jogos marcados, pois queria ver de perto as atletas, mesmo que só em treinamentos. 

Aos nomes

Giovana é atacante e tem 18 anos. Já atua no Barcelona, e fez a sua base no Atlético de Madrid. Ela foi a mais jovem das convocadas para Tóquio 2020. Terá 20 anos na Copa de 2023. Certamente a veremos em campo até lá. Além dela, outras 8 atletas fizeram suas primeiras Olimpíadas: Letícia Izidoro (26 anos), Jucinara (27), Letícia Santos (26), Angelina (21), Júlia Bianchi (23), Duda (26), Geyse (23) e Ludmila (25).

Há certo padrão na idade das calouras. Rafael Alves, do portal Planeta Futebol Feminino, foi perguntado pela CNN quais nomes indicaria nesta idade média que deverão entrar no radar de Pia Sundhage. “Bruna Calderan (lateral, 25 anos, Palmeiras); Yasmin (lateral, 25 anos, Corinthians); Nycole (Benfica, 21 anos, atacante); Rafa Levis (meia do Grêmio, 18); e Mayara (19 anos, goleira do Inter)”, foi a sugestão.

Em convocações anteriores, Pia confiou em Kerolin, atacante de 21 anos, que tem história à parte: ficou dois anos sem jogar por suspensão de doping, mas, antes disso, causou ótima impressão em um Mundial sub-17. Hoje joga no Madrid, ao lado de Valéria, ex-São Paulo, meia de 22 anos. São, as duas, candidatas a espaço no próximo triênio. 

Vale lembrar que a lista olímpica tinha 18 nomes, depois passou para 22, mas Pia convocou 25 nomes para a última sessão de treinos. As três cortadas, que podemos considerar na lista de nomes prováveis para o futuro da seleção, são Ary Borges, meia do Palmeiras (21), Giovanna Crivelari (28), e Adriana, meia do Corinthians (24), que foi chamada, mas cortada por lesão e trocada pela caloura Angelina.

Técnica da seleção brasileira de futebol feminino Pia Sundhage
Técnica da seleção brasileira de futebol feminino já demonstra algumas tendências
Foto: Ricardo Moraes/Reuters (30.jul.2019)

Entre tendências, opiniões e convocações pregressas, é possível imaginar os próximos passos de Pia Sundhage que, dois anos atrás, em sua primeira convocação, levou 8 atletas que atuavam no Brasil, e, para as Olimpíadas, convocou 12, perdendo uma por lesão. 

Sinais de que, enquanto Pia pensa e planeja a seleção do Brasil, o futebol nacional, com um campeonato mais desenvolvido, alimenta a prancheta da treinadora com novas opções.

Madrugada de semifinais

Na manhã desta segunda-feira (2) acontecem as semifinais do torneio olímpico. Estados Unidos e Canadá medem forças às 5h, horário brasileiro, enquanto Suécia e Austrália se encontram às 8h. As medalhas serão decididas três dias depois, na quinta-feira (5), com as mesmas quatro seleções.

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