Os atletas que podem brilhar ou surpreender nas Olimpíadas da Covid

Apesar das dificuldades na preparação para os Jogos de Tóquio em razão da pandemia de Covid-19, atletas buscam novas marcas e consagração na competição

Skatista Rayssa Leal, atleta mais jovem a representar o Brasil em Tóquio, é uma das esperanças de medalha do país
Skatista Rayssa Leal, atleta mais jovem a representar o Brasil em Tóquio, é uma das esperanças de medalha do país Foto: Mônica Faria/COB

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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As Olimpíadas de 2020 começam oficialmente nesta sexta-feira (23), com uma restrita cerimônia de abertura, e devem ser o cenário ideal para estrelas do esporte como a nadadora Katie Ledecky e a ginasta Simone Biles buscarem novos recordes e encantarem o mundo – que, quase em sua totalidade, acompanhará à distância.

Também pode ser a melhor oportunidade desde o início da pandemia do novo coronavírus – que afetou drasticamente as competições esportivas desde março de 2020 – para jovens atletas como o saltador Armand Duplantis e o nadador Caeleb Dressel se consolidarem em suas modalidades

Mas o impacto da Covid-19 no esporte pode fazer com que o número de “surpresas” negativas também seja maior que em edições anteriores dos Jogos.

Levantamento feito por pesquisadores de mais de 140 países com quase 12.500 atletas em 2020 mostrou que menos de 39% deles conseguiram treinar de forma adequada para suas modalidades, por exemplo.

“É altamente provável que tenhamos impactos bastante pronunciados no condicionamento físico desses atletas, no rendimento esportivo. Especialmente nas modalidades em que os aspectos fisiológicos são determinantes para o desempenho”, afirmou recentemente o professor da USP, Emerson Franchini, em declaração à rádio da universidade.

Ainda segundo Franchini, preparador físico da equipe de judô do Brasil nos Jogos de Londres, em 2012, para alguns pesquisadores a situação causada pela Covid-19 pode ser semelhante ao impacto da Primeira Guerra Mundial nos Jogos de 1916 e ao da Segunda Guerra Mundial nas competições de 1940 e 1944, que registraram desempenhos inferiores aos de Jogos anteriores.

Outro fator de atenção é a estreia (ou a volta) de cinco modalidades nos Jogos: beisebol (masculino) e softbol (feminino) – cujas primeiras partidas foram disputadas antes mesmo da abertura dos Jogos –, karatê, escalada, skate e surfe.

Como tudo isso vai impactar ou não as Olimpíadas é algo que ficará claro nos próximos dias, quando começam as disputas por medalhas em Tóquio – as primeiras delas estarão em jogo já no sábado (24), em competições de tiro com arco, ciclismo de estrada, esgrima, judo, tiro, taekwondo e halterofilismo.

Para saber quem deve disputar a tão sonhada medalha de ouro, a CNN preparou uma lista com alguns dos principais atletas e equipes para acompanhar ao longo dos Jogos de 2020:

• Ginástica Artística

Simone Biles (Estados Unidos)


A campeã olímpica Simone Biles também treinou nesta quinta-feira em Tóquio
A campeã olímpica Simone Biles durante treino nesta quinta-feira (22) em Tóquio
Foto: Ashley Landis/AP

A ginasta norte-americana Simone Biles é a atual campeã olímpica no individual geral. Se vencer em Tóquio, a atleta de 24 anos será a primeira mulher a repetir o feito desde a tcheca Vera Caslavska, em 1968. 

Nos últimos anos, Biles surpreendeu o mundo com movimentos nunca antes vistos na categoria – atualmente existem quatro habilidades originais com o nome dela. No início deste ano, ela se tornou a primeira mulher a pousar o salto duplo de Lúcio Yurchenko em uma competição.

Arthur Zanetti (Brasil)

O campeão olímpico Arthur Zanetti
O campeão olímpico Arthur Zanetti
Foto: Júlio César Guimarães/COB

Arthur Zanetti conquistou sua primeira medalha olímpica nas argolas nos Jogos de Londres, em 2012, quando conseguiu um ouro. Quatro anos depois, no Brasil, conquistou a prata na mesma modalidade.

Nos três últimos Jogos Pan-americanos, conquistou seis medalhas: três ouros e três pratas. Agora, em Tóquio, é mais uma vez um dos principais candidatos ao pódio.

• Tênis

Naomi Osaka (Japão)

Naomi Osaka
Depois de desistir de Roland Garros e Wimbledon, Naomi Osaka tentará medalha de ouro em Tóquio
Foto: Susan Mullane/USA TODAY Sports via Reuters

Naomi Osaka, uma das maiores estrelas do tênis, ganhou sete títulos, incluindo alguns dos mais importantes da categoria, como o Aberto dos EUA e o Aberto da Austrália.

Ela esteve nas manchetes recentemente quando se retirou do Roland Garros. Ela disse que, naquele momento, precisava cuidar de sua saúde mental. A campeã também ficou fora de Wimbledon. 

Novak Djokovic (Sérvia)

Tenista Novak Djokovic
Após vencer Wimbledon, Roland Garros e o Aberto da Austrália, Djokovic busca o Golden Slam
Foto: Simon Bruty/Anychance/Getty Images

Em Tóquio, o tenista sérvio Novak Djokovic – número um do mundo e detentor de 20 títulos de Grand Slams – vai em busca do Golden Slam.

Djokovic completou a terceira etapa rumo à conquista do Golden Slam na semana passada, quando somou o título de Wimbledon aos do Aberto da Austrália e de Roland Garros neste ano.

Nenhum homem jamais ganhou os quatro torneios de Grand Slam e o ouro olímpico no mesmo ano – a alemã Steffi Graf foi a única jogadora a realizar o feito, em 1988.

• Salto com vara

Armand Duplantis (Suécia)

Atual recordista mundial na modalidade, Armand Duplantis, 21, deve ser o principal adversário do brasileiro Thiago Braz, que busca o bicampeonato olímpico.

O atleta sueco estabeleceu a marca de 6,18 m em competição indoor em 16 de fevereiro de 2020, na Irlanda. Seis meses depois, cravou também o recorde mundial ao ar livre, em Roma, com um salto de 6,15 m.

A expectativa para Tóquio é saber se o jovem poderá dar início a um legado como o do ucraniano Sergey Bubka, que por mais de 20 anos manteve o recorde do salto com vara – período em que registrou 17 melhores marcas em competições ao ar livre e 18 em competições indoor.

Thiago Braz (Brasil)

Ouro em 2016, Thiago Braz é esperança de medalha no salto com vara em Tóquio
Ouro em 2016, Thiago Braz é esperança de medalha na disputa do salto com vara em Tóquio
Foto: Srdjan Stevanovic – 24.fev.2021/Getty Images

Thiago Braz é o atual campeão olímpico no salto com vara, além de recordista olímpico e um dos nove atletas no mundo que saltaram acima dos seis metros de altura – em 2016, quando conquistou o ouro no Nilton Santos, estabeleceu a marca de 6,03 m.

Depois do ouro olímpico, porém, o atleta alternou entre desempenhos bons e ruins. No fim de junho, porém, conquistou o título de torneio preparatório na Alemanha e bateu a sua melhor marca no ano: 5,80 m.

• Natação

Katie Ledecky (EUA)

Katie Ledecky
Katie Ledecky (Estados Unidos) – Natação
Foto: Al Bello/Getty Images – 16 jun. 2021

Katie Ledecky foi um dos principais nomes das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, quando ganhou cinco medalhas de ouro e estabeleceu dois recordes mundiais – um no estilo livre de 400 m e outro no estilo livre de 800 m.

Também foi a primeira nadadora desde 1968 a vencer os estilos livres de 200 m, 400 m e 800 m na mesma edição das Olimpíadas, e ela tentará defender todos esses títulos em Tóquio. 

Aos 24 anos, também é a favorita na prova dos 1.500 m livre, que estreia este ano entre as mulheres.

Caeleb Dressel (EUA)

Caeleb Dressel
Caeleb Dressel (Estados Unidos) – Natação
Foto: Maddie Meyer/Getty Images

Com a aposentadoria de Michael Phelps depois dos Jogos do Rio, em 2016, o jovem Caeleb Dressel se tornou a principal esperança da natação masculina dos EUA.

Aos 24 anos, ele já conquistou duas medalhas de ouro olímpicas (em provas de revezamento) e foi o principal nome no Mundial de Gwangju, em 2019, quando conquistou seis ouros e duas pratas, além de ser recordista mundial nos 100 metros borboleta.

Em Tóquio, Dressel deve competir nas provas dos 50 m e 100m livre e nos 100 m borboleta. Também deve nadas nos revezamentos 4×100 m livre, 4×100 m medley e 4×100 m medley misto – uma novidade destas Olimpíadas.

• Surfe

Gabriel Medina (Brasil)

Gabriel Medina
Gabriel Medina durante semifinal da Jeep Surf Ranch Pro, na Califórnia, em 2020
Foto: Pat Nolan/World Surf League via Getty Images

Atual líder do ranking mundial – mais de 13.000 pontos à frente do compatriota Ítalo Ferreira – e bicampeão da categoria (2014 e 2018), Gabriel Medina é um dos surfistas mais populares do circuito com sua atitude acrobática nos mares.

Apesar da recente polêmica com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), que rejeitou o pedido de Medina para ser acompanhado no Japão pela esposa Yasmin Brunet, dentro das águas ele é forte candidato a uma medalha olímpica. 

Ítalo Ferreira (Brasil)

O surfista brasileiro Ítalo Ferreira treina as Olimpíadas de Tóquio
O surfista brasileiro Ítalo Ferreira treina para as Olimpíadas de Tóquio
Foto: Francisco Seco – 22.jul.2021/AP

Campeão mundial em 2019 – a edição de 2020 foi cancelada devido à pandemia –, o potigar é, ao lado de Medina, um dos grandes favoritos ao ouro.

Ítalo representará o Time Brasil nas águas do Japão também ao lado de Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima, duas vezes vice-campeã mundial, formando uma das equipes mais fortes da modalidade.

Stephanie Gilmore (Austrália)

Stephanie Gilmore
Stephanie Gilmore (Austrália) – Surf
Foto: Cait Miers/World Surf League via Getty Images

Aos 33, Stephanie Gilmore é a maior vencedora do Circuito Mundial feminino de surfe, com sete títulos – mesma marca da também australiana Layne Beachley

É também a primeira surfista – entre homens e mulheres – a conquistar o título mundial em sua temporada de estreia no circuito mundial, feito que detém desde 2007.

• Skate

Pâmela Rosa (Brasil)

Pâmela Rosa é principal nome do Brasil no skate street e candidata a medalha
Pâmela Rosa é principal nome do Brasil no skate street e candidata a medalha de ouro
Foto: Sean M. Haffey – 23.mai.2021/Getty Images

Campeã do mundo e líder do ranking mundial, Pâmela Rosa é uma das três atletas que representarão o Brasil no skate street feminino, uma das provas nos Jogos Olímpicos de Tóquio em que o Brasil tem mais chances de medalha.

Além de ser a número um do mundo no street, ela venceu cinco das últimas sete competições que participou e figura entre as quatro melhores nas principais competições internacionais desde o início de 2019.

Rayssa Leal (Brasil) 

Apesar de ser a atleta mais jovem da delegação brasileira, com apenas 13 anos, Rayssa Leal, conhecida como “Fadinha”, é considerada uma das maiores revelações do mundo na modalidade Street.

Por seu histórico recente – foi bronze no Mundial de 2021 e prata no de 2019 – é forte candidata a sair de Tóquio com uma medalha na estreia do skate nos Jogos Olímpicos.

• Atletismo

Eliud Kipchoge (Quênia)

Eliud Kipchoge
Eliud Kipchoge é a única pessoa a terminar uma maratona em menos de 2 horas
Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images

Kipchoge, única pessoa a completar uma maratona em menos de duas horas, é uma lenda do esporte. 

O corredor de 36 anos conquistou o ouro olímpico em 2016 e é um dos favoritos a vencer novamente a prova.

Shelly-Ann Fraser-Pryce (Jamaica)

Shelly-Ann Fraser-Pryce
Shelly-Ann Fraser-Pryce (Jamaica) – Atletismo
Foto: Ian MacNicol/Getty Images

Fraser-Pryce quer se tornar a primeira mulher a vencer os 100 m rasos em três Olimpíadas diferentes – ela terminou em terceiro em 2016 depois de ganhar o ouro em 2008 e 2012, mas ela se recuperou para ganhar a prova no Campeonato Mundial de 2019. 

Em junho, registrou um tempo de 10,63 segundos, segundo melhor tempo feminino da história. Se a atleta de 34 anos ganhar o ouro em Tóquio, se tornará a pessoa mais velha a vencer uma corrida olímpica individual.

Karsten Warholm (Noruega)

Karsten Warholm
Karsten Warholm quebrou neste mês o recorde mais antigo no atletismo masculino e chega como favorito para a prova dos 400m com barreiras
Foto: Daniel Cole/Pool via Getty Images

Em 2 de julho, Karsten Warholm quebrou um recorde mundial de 29 anos – estabelecido quatro anos antes mesmo dele nascer por Kevin Young – ao terminar os 400 metros com barreiras em 46,70 segundos – era também o recorde mais antigo nas competições masculinas de atletismo.

Warholm, de 25 anos, tem dominado o evento nos últimos anos e conquistou os dois últimos títulos mundiais da categoria.

• Canoagem

Isaquias Queiroz (Brasil)

Isaquias Queiroz
Isaquias Queiroz, dono de três medalhas olímpicas, pode voltar a brilhar no Japão
Foto: COB/Divulgação

Isaquias Queiroz foi o primeiro brasileiro na história a vencer três medalhas diferentes em uma mesma Olimpíada, no Rio em 2016, quando conquistou duas pratas e um bronze e se tornou um dos maiores destaques mundiais da canoagem.

Em Tóquio, ele volta para defender suas medalhas e, quem sabe, brigar pelo ouro.

• Basquete

Kevin Durant (Estados Unidos) – Basquete

Kevin Durant
Kevin Durant liderou basquete dos EUA em 2016 e tenta conquistar nova medalha de ouro em Tóquio
Foto: Ned Dishman/NBAE via Getty Images

A seleção de basquete dos Estados Unidos domina o basquete masculino em Jogos Olímpicos desde 1992, em Barcelona, quando os jogadores da NBA jogaram pela primeira vez na competição e o “Dream Team” se tornou um fenômeno global.

Os americanos conquistaram as últimas três medalhas de ouro. Durant, 32, é um dos dois jogadores do time que venceu em 2016 e será referência pela liderança em quadra e por sua alta média de pontuação – nos playoffs da NBA neste ano, ele teve uma média de 34,3 pontos.

Diana Taurasi e Sue Bird (Estados Unidos)

Diana Taurasi e Sue Bird
Diana Taurasi e Sue Bird (Estados Unidos) – Basquete
Foto: David Becker/NBAE via Getty Images

Se a equipe de basquete feminino dos EUA for campeã em Tóquio – como aconteceu em todas as Olimpíadas desde 1996 –, Taurasi e Bird se tornarão as primeiras jogadoras de basquete de qualquer gênero a ganhar cinco medalhas de ouro olímpicas.

As duas estão entre as das maiores jogadoras de basquete feminino de todos os tempos. Taurasi, 39, é a maior pontuadora de todos os tempos da WNBA – a liga feminina de basquete dos EUA. Bird, 40, é a líder em assistências.

• Vôlei masculino

Brasil

Atual campeão olímpico, o vôlei masculino do Brasil chega a Tóquio como um dos favoritos para conquistar a quarta medalha de ouro da modalidade.

Assim como ocorreu em 2016, o Brasil, que lidera o ranking, caiu no chamado “grupo da morte” e divide a chave com Rússia, França, Argentina, EUA e Tunísia.

O time poderá contar, porém, com um fator extra de motivação na busca pela medalha: recuperado da Covid-19, o técnico Renan Dal Zotto prometeu “não poupar esforços e dar o máximo” para buscar o “sonho de estar no pódio”.

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