Conmebol deve abrir 6ª denúncia por atos racistas contra brasileiros na Libertadores

Imagens mostraram torcedor imitando macaco na direção dos torcedores brasileiros durante a partida entre Corinthians e Boca Juniors, na Argentina

Lucas JanoneElis Barretoda CNN

Rio de Janeiro

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Após mais um caso de ofensa racial cometido por um torcedor, dessa vez no jogo entre o Boca Juniors e Corinthians, na noite de terça-feira (17), a Conmebol informou que até sexta-feira (20) deverá abrir um processo disciplinar para investigar o ato.

O jogo aconteceu na Argentina e imagens compartilhadas em redes sociais mostram um torcedor imitando macaco na direção dos torcedores brasileiros. Este episódio é o sexto possível ato de racismo durante os jogos da Libertadores da América envolvendo clubes do Brasil.

A Conmebol informou a CNN que a Unidade Disciplinar aguarda receber os relatórios do delegado do jogo e da arbitragem para avaliar a situação.

Caso o processo seja aberto, será o primeiro clube sul-americano a ser julgado pelo novo código penal da Conmebol, que endureceu as sanções contra atos de discriminação em todas as competições da entidade “por motivação de cor de pele, raça, sexo ou orientação sexual, etnia, idioma, credo ou origem.”

Neste novo regulamento, a multa mínima a ser aplicada a clubes ou associação em que o torcedor infringir a regra, passa a ser de 100 mil dólares – anteriormente era de 30 mil dólares. A maior rigidez adotada pela Conmebol leva em consideração os frequentes casos de racismo contra brasileiros em 2022.

Dos seis casos flagrados, apenas dois processos já tiveram as penas estabelecidas. O mais recente deles teve a multa divulgada na noite de terça-feira (17), e faz referência à partida entre Flamengo e Universidade Católica, em 28 de abril, no Chile.

A Unidades Disciplinar da Conmebol decidiu punir em 30 mil dólares o clube Universidade Católica, do Chile, por atos racistas cometidos por torcedores do clube chileno contra a torcida do Flamengo, no jogo de ida da fase de grupos da Copa Libertadores, em 28 de abril.

“O valor desta multa será debitado automaticamente da quantia que o clube receberá da entidade por direitos Televisivos ou de Patrocínio”, destaca um trecho da comissão disciplinar.

Já o caso da partida da noite de terça-feira, é o segundo episódio de racismo por parte de torcedores do Boca Juniors contra corintianos. No primeiro jogo pela fase de grupo, em 26 de abril, um torcedor argentino foi detido após fazer gestos racistas para a torcida do Corinthians na Neo Quimica Arena, em São Paulo. Ele foi liberado após pagamento de fiança.

Os outros três casos de racismo na Libertadores aconteceram contra clubes paulistas durante o mês de maio. Durante uma partida entre Emelec e Palmeiras, no dia 27, um torcedor do clube equatoriano também foi flagrado fazendo ofensas racistas contra um grupo de alviverdes.

Outro caso aconteceu na Argentina, com torcedores do Estudiantes de La Plata imitando o som de macacos em direção a torcedores do Bragantino, no dia 26 de abril.

Histórico de casos de racismo na Copa Libertadores de 2022

  • 13 de abril, jogo entre Fortaleza x River Plate, na Argentina
  • 26 de abril, jogo entre Corinthians x Boca Juniors, em São Paulo
  • 26 de abril, jogo entre Estudiantes de la Plata x Red Bull Bragantino, na Argentina
  • 27 de abril, jogo entre Emelec x Palmeiras, no Equador
  • 28 de abril, jogo entre Universidade Católica x Flamengo, no Chile
  • 17 de maio, jogo entre Boca Juniors x Corinthians, na Argentina

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