De Taffarel a Kanu: a história do Brasil nas semifinais do futebol em Olimpíadas

Foram sete semifinais, com quatro classificações e três eliminações; na terça, os dois últimos campeões olímpicos se reencontram

Antes de se consagrar na Copa de 1994, Taffarel defendeu pênaltis nas Olimpíadas de Seul, em 1988
Antes de se consagrar na Copa de 1994, Taffarel defendeu pênaltis nas Olimpíadas de Seul, em 1988 Foto: Estadão Conteúdo

Leandro Iamin, colaboração para a CNN

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Carlos; Rosemiro, Tecão, Edinho e Chico Fraga; Júnior, Alberto, Batista e Erivelto; Jarbas e Santos. Foi esse o time que Cláudio Coutinho escalou na primeira vez que o Brasil jogou uma semifinal olímpica de futebol, em Montreal, nos Jogos de 1976, contra a Polônia. O Brasil perdeu por 2 a 0 e viria a perder também o bronze no confronto com a União Soviética. Quarenta e cinco anos depois, o confronto nas Olimpíadas de 2020 será contra o México, nesta terça-feira (3), às 5h (horário de Brasília).

Até as Olimpíadas de Montreal, era mais difícil alcançar o pódio olímpico. Entre 1952 e 1980 só foram campeões olímpicos países da cortina de ferro: União Soviética (1956), Iugoslávia (1960), Hungria (1964 e 1968), Polônia (1972), República Democrática Alemã (1976) e Tchecoslováquia (1980). Era exigência da Fifa que o futebol olímpico fosse jogado só por amadores, regra driblada pelos países da cortina do leste europeu, que praticavam um falso amadorismo, registrando seus melhores atletas, profissionais, como militares amadores.

Nos anos 1960, a Fifa radicalizou e proibiu, nas Olimpíadas, quem já tivesse jogado uma Copa do Mundo. Tudo isso é parte originária das restrições que temos hoje no futebol olímpico masculino, que limita as vagas de atletas maiores de 23 anos. Seja como for, o time de 1976 do Brasil levou a pior na primeira chance que teve de medalhar.

A primeira medalha veio oito anos depois, em Los Angeles-1984. Na semifinal, a seleção, que era quase toda formada por atletas do Internacional, venceu a Itália por 2 a 1, com gol do lateral Ronaldo, ex-Corinthians, aos 5 minutos da prorrogação. O time tinha Dunga, Mauro Galvão, Gilmar Rinaldi e o técnico Jair Picerni e perdeu para a França na final.

No ciclo seguinte, a mais dolorosa derrota olímpica teve a semifinal mais marcante. A equipe de Taffarel, Neto, Bebeto, Romário, Ricardo Gomes, Geovani e grande elenco enfrentou a Alemanha de Klinsmann e decidiu nos pênaltis após 1 a 1 em 120 minutos. Taffarel pegou três penalidades e começou a construir sua mitologia na seleção. Essa campanha em Seul-1988, derrotada na final pela União Soviética, se encarregaria de plantar de vez no brasileiro a urgência em ganhar a medalha de ouro.

Derrotas duras e uma vitória fácil do Brasil

Se tem uma derrota em semifinal olímpica que criou fantasmas na cabeça da torcida brasileira, foi a de Atlanta-1996, a quarta vez em que a seleção lá esteve. Nesse caso, com um enredo surreal.

O Brasil, afinal, vencia com certa facilidade e exuberância, 3 a 1 no placar, até os 34 minutos da etapa final. A Nigéria empatou no tempo normal e virou com o cruel “golden goal”, mecanismo da prorrogação que vigorou por pouco tempo e encerrava o jogo imediatamente após o primeiro gol. E o gol foi de Kanu, interrompendo o caminho do time de Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Dida e cia.

Kanu, ex-jogador da Nigéria
Nas Olimpíadas de 1996, Kanu foi carrasco do Brasil e depois conquistou a medalha de ouro
Foto: Matthew Ashton/EMPICS/Getty Images

Foram doze anos até voltar a uma semifinal. Em Pequim-2008, o time de Ronaldinho, Jô e Thiago Neves apanhou da Argentina 3 a 0, baile de Aguero e Riquelme, resultado tão categórico que nem criou trauma, e sim raiva.

No ciclo seguinte, com dois gols de Leandro Damião, um outro 3 a 0, mas a favor, e contra a Coreia do Sul em Londres-2012. Pena que havia um México no caminho. Na final, o time de Neymar, Hulk, Pato e Ganso perdeu em Wembley. Foi a última olimpíada de espera.

No Rio de Janeiro, em 2016, o Brasil venceu Honduras com facilidade espantosa, 6 a 0, dois gols de Gabriel Jesus e outros dois de Neymar. Naquela ocasião, enfim, o ouro chegaria — e é pelo bi que o Brasil vem a campo nesta terça.

Foram, portanto, sete semifinais disputadas pelo Brasil, com quatro classificações e três eliminações. O encontro com os campeões olímpicos de 2012 é uma revanche, mas também uma chance de o retrospecto se manter favorável à seleção brasileira nesta fase do torneio.

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