Dois ouros? Barshim e Tamberi dividem primeiro lugar no salto em altura

Catariano e italiano acertaram todos os saltos na primeira tentativa, até errarem juntos na marca de 2.39m e decidirem pela divisão do título

Sudipto Ganguly, da Reuters

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Mutaz Essa Barshim, do Catar, acrescentou um ouro olímpico à sua lista de conquistas na final do salto em altura nos Jogos de Tóquio neste domingo (1) – e convenceu os árbitros a deixarem que o título fosse dividido com seu amigo e adversário, o italiano Gianmarco Tamberi.

Tanto Barshim, de 30 anos, quanto Tamberi, 29, terminaram seus saltos em 2.37m e não erraram nenhuma tentativa até chegarem na marca de 2.39m. Depois de três erros de cada neste patamar, a organização do evento lhes ofereceu a possibilidade de um salto extra para decidirem o campeão.

“Podemos ter dois ouros?”, perguntou Barshim. O mediador acenou com a cabeça, e os dois atletas se cumprimentaram e gritaram em comemoração.

“Eu olhei para ele, ele olhou para mim, e a gente entendeu. Apenas trocamos olhares e entendemos, é isso, está feito. Não tem necessidade [de continuar]”, disse Barshim.

“Ele é um dos meus melhores amigos, não só na prova, mas fora da competição também. Trabalhamos juntos. É um sonho virando realidade. Esse é o espírito, o espírito esportivo, e a gente está aqui para passar essa mensagem”.

Divisão de título não acontecia havia mais de cem anos

Terminada a prova, eles fizeram história. Há mais de cem anos não havia um título dividido no atletismo, feito que aconteceu na Olimpíada de Estocolmo, em 1912, quando o americano Jim Thorpe e o norueguês Ferdinand Bie terminaram em primeiro no pentatlo.

Foi também uma situação perfeita para o italiano, que quebrou o tornozelo dias antes dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Depois das minhas lesões eu só queria voltar, mas agora eu tenho uma medalha de ouro. É inacreditável”, afirmou. “Eu sonhei com isso muitas vezes. Me disseram em 2016, antes do Rio, que eu tinha um risco de não poder competir mais. Foi uma longa jornada”.

Maksim Nedasekau, de Belarus, também chegou aos 2.37m (mas sem todos acertos de primeira) e ficou com o bronze. 

Barshim, terceiro em Londres e segundo no Rio, venceu dois títulos mundiais consecutivos em 2017 e 2019. Sua melhor marca é 2.43m, o segundo salto de todos os tempos, atrás apenas dos 2.45m do cubano Javier Sotomayor, em 1993. 

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