Entenda como funciona o sistema de classificação paralímpica

Atletas são agrupados de acordo com nível de limitação das atividades decorrente das diferentes deficiências, de acordo com o Comitê Paralímpico Internacional

Membros da equipe dos Estados Unidos se preparam para entrar na piscina durante treino para o triatlo antes dos Jogos Paralímpicos de Tóquio
Membros da equipe dos Estados Unidos se preparam para entrar na piscina durante treino para o triatlo antes dos Jogos Paralímpicos de Tóquio Alex Pantling/Getty Images

Ben Morseda CNN

Ouvir notícia

Após a cerimônia de encerramento das Olimpíadas, o Japão recebe os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, que tiveram início na terça-feira (24).

Assim como as Olimpíadas, as Paralimpíadas acontecem um ano após o planejamento original devido ao atraso causado pela pandemia de Covid-19.

De acordo com o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), os jogos, que acontecem de 24 de agosto a 5 de setembro, contam com 2.550 atletas do sexo masculino e 1.853 do sexo feminino.

“A classificação é a base do Movimento Paralímpico, ela determina quais atletas são elegíveis para competir em um esporte e como os atletas são agrupados para a competição”, diz o IPC.

O que torna um atleta paralímpico?

Os paralímpicos são agrupados pelo “grau de limitação da atividade decorrente do comprometimento”, de acordo com o IPC.

Como diferentes esportes requerem diferentes demandas físicas, o IPC diz que o processo de classificação “visa minimizar o impacto do comprometimento no desempenho dos atletas” para que suas proezas atléticas sejam exibidas.

O processo de “Avaliação do Atleta” do IPC busca responder a três questões.

O atleta tem uma ‘deficiência elegível’ permanente?

Em primeiro lugar, deve-se avaliar se o atleta tem uma “condição de saúde subjacente”, que levou a uma “deficiência elegível permanente”. A avaliação é realizada pelo órgão regulador da Federação Internacional de Esportes, que supervisiona cada esporte individual.

Existem 10 tipos diferentes de deficiência. Eles são frequentemente divididos em três grupos de deficiência: física (potência muscular prejudicada, amplitude de movimento prejudicada, deficiência de membros, diferença de comprimento das pernas, hipertonia, ataxia, atetose e baixa estatura), de visão e intelectual.

Uma vez que tenha sido avaliado se um atleta tem ou não uma deficiência elegível, deve-se determinar se o atleta atende aos “Critérios de Comprometimento Mínimo”. A classificação de cada esporte tem regras para “descrever o quão grave uma deficiência elegível deve ser para um atleta ser considerado elegível para competir”.

Exemplos de critérios de comprometimento mínimo incluem altura máxima definida para atletas com baixa estatura ou um nível de amputação definido para atletas com deficiência de membro. Os critérios são baseados em pesquisas científicas.

Jogos Paralímpicos de Tóquio
Membros da seleção do Irã seguem para a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 / Alex Davidson/Getty Images for International Paralympic Committee

O que significam as classes em cada esporte?

A etapa final é decidir a classe esportiva do atleta. Enquanto esportes como hóquei no gelo e halterofilismo paralímpicos têm apenas uma classe, outros têm muitas classes diferentes para incluir todas as 10 deficiências elegíveis e com muitas disciplinas diferentes. Em eventos de corrida e salto, existem 20 classes, por exemplo.

A classe agrupa esportistas com limitações atléticas semelhantes para que possam competir em níveis semelhantes, mas não necessariamente tem que agrupar atletas com a mesma deficiência elegível.

“Se diferentes deficiências causam limitação de atividade semelhante, os atletas com essas deficiências podem competir juntos”, disse o IPC.

Como algumas deficiências progridem com o tempo, os atletas podem mudar de classificação ao longo dos anos.

O Diretor de Marca e Comunicações do IPC, Craig Spence, afirmou que determinar a classificação dos atletas antes dos jogos foi um “verdadeiro desafio” por causa da pandemia.

“As federações internacionais têm feito um grande trabalho nos últimos seis meses para classificar os atletas com antecedência”, disse.

Spence diz que está trabalhando para classificar todos os atletas programados para competir nos jogos deste ano, mas a falta de competições desde o início da pandemia tornou o trabalho mais difícil para o IPC.

“Eles não puderam comparecer a uma competição nos últimos 20 meses em que a classificação foi oferecida”, explicou.

Jogos Paralímpicos de Tóquio
Preparativos em andamento antes da Cerimônia de Abertura dos Jogos Paralímpicos de Tóquio / Marcus Brandt/picture alliance/Getty Images

“Começamos a classificação ontem [23 de agosto] no atletismo e continuaremos no atletismo e no rúgbi em cadeira de rodas”, acrescentou Spence.

“A classificação está em andamento e esperamos que todos os atletas sejam classificados antes das datas das competições”.

“O processo de classificação é feito pelo livro de regras, apesar da pandemia. Você é colocado em uma classe e então observado na competição para garantir que está na classe correta”, concluiu.

Texto traduzido, leia o original em inglês.

Mais Recentes da CNN