Federação de futebol confirma retorno de restrições em estádios do Rio

Redução na capacidade de público e exigência de testes para Covid-19 são medidas estudadas para evitar avanço da doença

Estádio do Maracanã enfeitado com faixas para a final do Carioca
Estádio do Maracanã enfeitado com faixas para a final do Carioca Foto: Pedro Duran/CNN

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Os jogos de futebol do Campeonato Carioca de 2022 voltarão a ter medidas sanitárias mais rígidas devido ao avanço da variante Ômicron da Covid-19 no país.

O novo protocolo será anunciado de forma oficial pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) nos próximos dias. No entanto, a CNN conseguiu adiantar algumas informações nesta sexta-feira (14).

Diretores da Ferj, em conjunto com a junta médica da federação, estudam quais medidas sanitárias serão adotadas para que a realização do Campeonato Carioca não deteriore ainda mais o cenário epidemiológico da cidade do Rio de Janeiro, que já registra uma taxa de positividade de 50% para Covid-19.

Entre as possibilidades para evitar a propagação do vírus dentro dos estádios estão a redução da capacidade de público durante os jogos e a exigência de testes de antígeno 48 horas antes de cada partida do campeonato.

Nos meses finais de 2021, quando a cidade do Rio de Janeiro registrava indicadores epidemiológicos estáveis, a apresentação do comprovante vacinal era o único pré-requisito para a entrada do público aos jogos na capital carioca.

“Os casos estão crescendo em grande velocidade nas duas últimas semanas, não apenas pela maior taxa de transmissão da variante Ômicron, mas também pelas aglomerações que ocorreram nas festas de fim de ano”, disse à CNN o professor Márcio Watanabe, pós-doutor em Epidemiologia e membro do Departamento de Estatística da instituição.

“Por isso, acredito que tomar medidas equilibradas que evitem maiores aglomerações como é o caso de jogos de futebol são importantes nesse momento”, acrescentou.

O Campeonato Carioca tem início marcado para o dia 26 de janeiro. Em função de uma obra no gramado, o estádio do Maracanã não estará disponível até o começo de março.

A expectativa é de que os grandes clubes da cidade joguem em São Januário e no estádio Nilton Santos, que tem capacidade máxima de 40 mil pessoas.

A CNN procurou o Secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, que afirmou não ter conhecimento ainda sobre as novas determinações nos estádios.

Já a Secretaria Estadual de Saúde (SES) não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Estados brasileiros voltam a endurecer protocolos para futebol

Buscando conter o avanço da Ômicron, pelo menos três estados brasileiros já anunciaram novas restrições na volta das partidas profissionais de futebol em 2022.

O governo estadual de São Paulo determinou um limite de 70% na ocupação dos estádios de futebol a partir do próximo dia 23, quando começa o Campeonato Paulista.

Já os governos da Bahia e de Pernambuco foram ainda mais restritivos. Na segunda-feira (10), os governadores dos estados estipularam o limite máximo de 50% da capacidade dos estádios durante os campeonatos locais.

CBF apoia medidas restritivas

A CNN também apurou que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai reformular os protocolos sanitários para as competições nacionais em 2022. A ideia é intensificar o controle de acesso dos torcedores aos estádios para evitar que o número de contaminações com a nova cepa no país aumente ainda mais.

O presidente da Comissão Nacional de Médicos de Futebol (CNMF) e membro do comitê da CBF, Jorge Pagura, destacou a importância de um protocolo mais exigente em um cenário de incertezas trazido pela Ômicron. No entanto, ele descarta uma nova paralisação do futebol brasileiro ou fechamento dos estádios aos torcedores.

“Nós terminamos o ano passado numa tranquilidade total. Mas agora o cenário mudou e o protocolo atual não funciona mais. A CBF vai aumentar exigência dos controles. Além do comprovante, vamos voltar a exigir os testes negativos de Covid-19″ afirmou Pagura.

“Sempre trabalhamos com um protocolo vivo com base na ciência e na proteção dos envolvidos. O calendário está mantido por hora. Não pensamos em retirar público não, mas isso será discutido mais para frente”, finalizou.

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