‘Há provas robustas contra Marcinho’, diz delegado Alan Luxardo

Polícia do Rio de Janeiro apura acidente que matou duas pessoas no Recreio dos Bandeirantes

O jogador Marcinho e seu pai, Sérgio Lemos de Oliveira, prestam depoimento na 42º DP (Recreio)
O jogador Marcinho e seu pai, Sérgio Lemos de Oliveira, prestam depoimento na 42º DP (Recreio) Foto: Estefan Radovicz/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Thayana Araujo e Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirma ter provas robustas de que o jogador do Botafogo Marcinho estava em alta velocidade e que fugiu do local do acidente em que ele atropelou e matou duas pessoas no Recreio dos Bandeirantes, na zona Oeste, no último dia (30). A declaração dada pelo delegado Alan Luxardo, à CNN, diz muito sobre a possibilidade de o atleta ter seu indiciamento por homicídio culposo agravado. “O caso já está robusto com provas da alta velocidade e da fuga do local. Isso era o mais importante para as investigações da polícia”, afirmou o delegado.

A polícia ouviu na manhã desta quarta (6) mais quatro testemunhas do caso. Nenhuma delas, no entanto, presenciou o atropelamento. Eram pessoas que estavam com o jogador antes ou depois do acidente. “Pessoas que puderam falar sobre a comemoração em que Marcinho estava antes da batida. Contaram que ele estava em um encontro de família”, explicou o delegado.

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A segunda vítima, Maria Cristina Soares, morreu nesta terça-feira (5) após passar por duas cirurgias, por causa de fraturas nas pernas e no quadril, provocadas pelo acidente. O hospital Vitória informou que a morte foi em decorrência dos traumas, mas a causa exata não foi divulgada. A filha da vítima esteve na delegacia, mas não quis falar com a imprensa. O companheiro de Maria, Alexandre Silva Lima, morreu no momento do acidente. O casal dava aula no Cefet/RJ.

Com a morte da professora, o jogador do Botafogo passa a responder por duplo homicídio culposo, ou seja, quando não intenção ou dolo de executar o crime. O advogado das vítimas, Márcio Albuquerque, disse que está levantando mais provas para comprovar um possível dolo eventual do jogador. “Essa questão no Brasil é complicada pelo Código de Trânsito. Pelos fatos, pelas narrativas das testemunhas, e pelo o que eu espero que apareça, eu acho que seria dolo eventual, um caso de dolo eventual, não seria culposo porque ele assumiu o risco de matar pessoas. Isso pode mudar, se a perícia constatar alguma coisa e outras coisas mais, realmente, pra mim é dolo eventual”, disse.

Três testemunhas prestaram depoimento na 42ªDP (Recreio) nesta terça-feira (5). Duas delas afirmaram ter visto o carro dirigido pelo jogador trafegando em alta velocidade, costurando na pista.

O jogador foi ouvido na segunda-feira (4) e havia alegado em seu depoimento que trafegava a 60 quilômetros e que não havia ingerido bebida alcoólica, no entanto, não foi realizado o exame toxicológico, que poderia atestar ou não a presença de álcool no sangue, porque Marcinho só se apresentou à polícia cinco dias depois do acidente e alegou medo de linchamento para justificar o fato de não prestar socorro às vítimas.

A polícia segue em busca de mais provas para elucidar o caso. Os policiais analisam imagens de câmeras de segurança também. “Estamos buscando mais testemunhas. De qualquer maneira, posso falar que a versão de velocidade moderada vai cair”, concluiu Luxardo. Marcinho deve ser convocado para prestar um novo depoimento ao fim das investigações.

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