Inspirado por Mandela e música baiana, Hebert Conceição luta pelo ouro no boxe

Pugilista fala sobre racismo e agradece a torcida dos artistas baianos e também de todos aqueles que se sentiram representados por ele em Tóquio

Hebert Conceição está na final da categoria até 75kg do boxe nas Olimpíadas
Hebert Conceição está na final da categoria até 75kg do boxe nas Olimpíadas Foto: Júlio César Guimarães - 1.ago.2021/COB

Fernando Gavini, do Olimpíada Todo Dia

Ouvir notícia

Impulsionado por mensagens recebidas de artistas baianos, Hebert Conceição subiu ao ringue antes da vitória sobre o atual campeão mundial Gleb Bakshi, da Rússia, ao som da música “Madiba”, do Olodum, feita em homenagem a Nelson Mandela. Como diz a canção, o pugilista foi um “nobre guerreiro, negro de alma leve, nobre guerreiro, negro lutador” para derrotar o adversário e se classificar para a disputa da medalha de ouro do peso médio (até 75kg) do boxe nas Olimpíadas de 2020.

“Eu sempre entro para lutar com esse grande hino. Infelizmente, a gente em pleno século 21 ainda conviver com casos de racismo. É muito lamentável! Eu como negro também não poderia deixar de poder representar a minha raça e também poder mostrar que nós podemos! Basta a gente trabalhar, não ligar para críticas, se abrir apenas às críticas construtivas e trabalhar, ter fé em seja lá o que for que alimente a sua fé. Trabalhe, respeite o próximo, seja ele branco, negro, pardo, índio… Seja lá o que for, respeitem as pessoas, trabalhem porque com certeza você será recompensado”, declarou Hebert.

Nascido em Salvador há 23 anos, Hebert está animado com a repercussão de sua participação nos Jogos Olímpicos entre os artistas baianos. “Ah, desculpe se eu esquecer de alguém, mas dos artistas foram o cantor da banda Olodum, o Denny, que foi cantor no Timbalada, Compadre Washington, Léo Santana. Ivete Sangalo também me seguiu no Instagram. Muitos artistas, muitas pessoas que nem me conhecem mandando muita energia positiva, falando que se sentiram representados”, conta, empolgado, o pugilista, que fez questão de mencionar também seu clube de coração, o Bahia.

“A nação tricolor também! Os torcedores me mandaram muita energia positiva. Estou feliz de estar representando de maneira geral todo baiano. Não importa se é Bahia ou se é Vitória, se é são-paulino ou corintiano, acho que todo brasileiro se sentiu representado e eu fico muito feliz”, comemorou Hebert.

O boxeador baiano disputa a final da categoria até 75kg às 2h45 (horário de Brasília) deste sábado (7)  contra o ucraniano Oleksandr Khyzhniak, campeão mundial em 2017 e atual bicampeão europeu.

Mais Recentes da CNN