Justiça argentina vai julgar médicos e enfermeiras de Maradona por homicídio

Juiz argumenta que os comportamentos dos acusados contribuíram para a morte do jogador; na Argentina, crime leva a uma pena de 8 a 25 anos de prisão

Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020 em decorrência de uma parada cardíaca
Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020 em decorrência de uma parada cardíaca 25/11/2021REUTERS/Mariana Nedelcu

Ramiro Scandaloda Reuters

em Buenos Aires

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Oito pessoas que cuidaram da lenda do futebol Diego Maradona serão julgadas em tribunais argentinos por homicídio. A decisão da Justiça foi divulgada nesta quarta-feira (22) após uma investigação sobre a morte do jogador em decorrência de uma parada cardíaca em novembro de 2020.

No documento de 236 páginas analisado pela Reuters, o juiz responsável pelo caso questionou “os comportamentos – ativos ou omissos – de cada um dos acusados ​​que levaram e contribuíram para a realização do resultado danoso”.

A decisão diz que oito pessoas, incluindo médicos, enfermeiros e um psicólogo que cuidou de Maradona no momento de sua morte, são acusados ​​de “homicídio simples”, uma acusação grave que significa tirar a vida com intenção.

Um conselho médico nomeado para investigar a morte concluiu em 2021 que a equipe médica do craque agiu de “maneira inadequada, deficiente e imprudente”.

Maradona foi considerado um dos maiores jogadores de futebol da história, embora o jogador tenha lutado contra drogas e álcool abuso por anos.

Mario Baudry, advogado de um dos filhos de Maradona, disse à Reuters que o vencedor da Copa do Mundo estava “em situação de desamparo” no momento de seu óbito. O treinador morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos.

“Assim que vi a causa, falei que era homicídio. Lutei por muito tempo e aqui estamos, com essa etapa concluída”, desabafou.

Promotores argentinos iniciaram investigações logo após a morte do jogador em uma casa perto de Buenos Aires, incluindo ordenar buscas nas propriedades de seu médico pessoal e investigar outras pessoas envolvidas em seus cuidados.

Os réus citados na decisão foram o neurocirurgião e médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Diaz, os enfermeiros Gisella Madrid e Ricardo Almiron, seu chefe Mariano Perroni, e os médicos Pedro Di Spagna e Nancy Forlini.

Os réus negaram a responsabilidade pela morte do atleta. O juiz informou que os advogados de alguns deles pediram que o caso fosse arquivado.

Vadim Mischanchuk, advogado de Cosachov, afirmou que vai recorrer da decisão, acrescentando que a área de atendimento do psiquiatra não tem relação com a causa da morte.

“Um culpado está sendo procurado a todo custo e a objetividade está sendo perdida”, argumento o advogado.

A Reuters não conseguiu entrar em contato imediatamente com os réus ou outros advogados para comentar.

O crime de “homicídio simples” na Argentina geralmente leva a uma pena de 8 a 25 anos de prisão, de acordo com o código penal do país. Ainda não há data definida para o julgamento.

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