Lateral do Flamengo é denunciado por morte de entregador em atropelamento

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Ramon Ramos dirigia acima da velocidade e não teria guardado a distância de segurança para a bicicleta da vítima

Carro de Ramon após atropelamento de ciclista.
Carro de Ramon após atropelamento de ciclista. Divulgação PM/RJ

Cleber Rodriguesda CNN

Rio de Janeiro

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O lateral do Flamengo, Ramon Ramos Lima, de 21 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio culposo, após atropelar e matar o entregador de aplicativos, Jonatas Davi dos Santos, em dezembro de 2021.

De acordo com o MPRJ, no momento da colisão com a bicicleta, o carro do atleta estava acima da velocidade máxima permitida para a via, de 70 Km/h, além de não guardar a distância de segurança entre o veículo e a bicicleta. O documento também destaca que, segundos antes do atropelamento, o carro conduzido por Ramon foi multado por excesso de velocidade, tendo o radar instalado no local registrado 110 km/h.

Ainda de acordo com o documento, o Código de Trânsito Brasileiro, em seu artigo 29, relata que, no trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação, o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu e os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade e as condições do local, da circulação, do veículo e as condições climáticas.

E que os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

O acidente aconteceu na noite do dia 4 de dezembro na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Jônatas estava de bicicleta e trabalhava fazendo entregas de comida por aplicativo. Ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos.

Dias após o acidente, a Polícia Civil indiciou o jogador por “homicídio culposo na direção de veículo automotor”. De acordo com a conclusão da investigação, conduzida pela delegacia da Barra da Tijuca (16ª DP), a imprudência de ambos foi determinante para o acidente.

Em nota, a defesa do atleta alega que Ramon prestou socorro à vítima e afirma que “a denúncia do órgão entra em conflito com o inquérito policial ao afirmar que Ramon não guardou a segurança necessária na via e comete um erro ao afirmar que ele estava conduzindo o veículo a 102 km/h no momento do ocorrido.”

Leia a íntegra da defesa do jogador:

“A UJ Football Talent, juntamente com o advogado Dr. Xisto Mattos, vem a público se pronunciar sobre a situação do atleta Ramon, lateral do Flamengo.

Ramon foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro após um inquérito policial que analisou fatos ocorridos no dia 4 de dezembro de 2021, quando sofreu um acidente de carro na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, junto ao ciclista Jonatas Davi dos Santos, que não sobreviveu após uma colisão com o carro do jogador.

Ainda consternado pelo episódio, mesmo três meses depois, Ramon, lamenta profundamente a perda de Santos, acompanhado da UJ e de seus representantes legais, manifestando seu profundo respeito aos familiares e amigos do ciclista.

Ao mesmo tempo, informa que estuda, junto ao advogado Xisto Mattos, uma resposta às injustas acusações do MP fluminense. A denúncia do órgão entra em conflito com o inquérito policial ao afirmar que Ramon não guardou a segurança necessária na via e comete um erro ao afirmar que ele estava conduzindo o veículo a 102 km/h no momento do ocorrido. A própria autoridade policial constatou, na realidade, número diferente do registrado pelo MP.

Além disso, Ramon destaca que prestou o socorro adequado a Santos e esteve ao lado da família do cicilista em todos os momentos necessários. Também colaborou e segue em contato com as autoridades para melhor resolução do caso. Natural de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Ramon é conhecido no futebol pela conduta ética e correta, afeita aos bons costumes e às boas práticas, frutos de sua criação familiar com valores mantidos ao longo da carreira, inclusive em momentos de dificuldade como esse.

Outras questões de mérito serão tratadas no processo pela defesa.”

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