No mesmo hotel, seleções se encontram e fazem música antes das quartas

As seleções de futebol do Brasil se encontraram e passaram pouco mais de um dia hospedadas no mesmo hotel no Japão

Seleções se encontraram em hotal no Japão
Seleções se encontraram em hotal no Japão Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação

Leandro Iamin, colaboração para a CNN

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Com agendas e realidades tão distintas, é raro o encontro que as Olimpíadas proporcionaram por um dia entre o time feminino e masculino do Brasil

As seleções de futebol do Brasil se encontraram e passaram pouco mais de um dia hospedadas no mesmo hotel. Como os atletas de futebol não dormem na Vila Olímpica, os encontros se dão, quando possível, no trânsito entre um jogo e outro. No caso brasileiro, foi uma chance, ainda que rápida, de estreitar os laços. 

No domingo (25), a seleção brasileira feminina fez check-in no Hotel Conrad Tokyo. Após jogar duas vezes em Miyagi, o terceiro compromisso seria em Saitama, mais perto da cidade olímpica. Como jogaria no dia seguinte no mesmo estádio, a seleção masculina desembarcou no mesmo hotel na segunda-feira (26). 

O que o público assistiu deste encontro foi a técnica Pia Sundhage tocando piano, dividindo o banco com Dani Alves e na companhia de Diego Carlos e Matheus Cunha. Ela tocou Anunciação, de Alceu Valença, acompanhada por palmas do lateral veterano e uma tímida tentativa de acertar a letra por parte dos outros atletas. 

O diplomático piano de Pia foi um evento espontâneo. Embora hospedados no mesmo hotel, as seleções ocuparam andares diferentes e tiveram programações distintas, até por protocolo de segurança. A ideia era tirar uma foto oficial dos times após o almoço, mas a empolgação dos atletas rendeu fotos individuais.

Aproximação

Embora a realidade do futebol entre homens e mulheres siga muito diferente e este encontro não diminua diretamente esta diferença, a espontaneidade com que alguns jogadores e jogadoras interagiram serve, no mínimo, como bússola para o futuro. 

Nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, ficou marcada a polarização entre as duas seleções. Parte do público, para criticar o time masculino, que estava em crise, usava o nome de Marta para cutucar Neymar. Até uma música foi cantada sobre isso nos estádios, e camisas da seleção tiveram o nome do astro, então no Barcelona, rasuradas.

A incitação a uma suposta rivalidade entre as seleções pautou parte do debate. Marta disse à época que “fica feliz com o carinho, mas as pessoas têm que apoiar as duas seleções”. 

No rebote de uma discussão que saiu de controle nas redes sociais, foram comuns manifestações machistas e violentas contra o time feminino, para defender os futuros campeões olímpicos. Isso tudo sem que houvesse um só fato real envolvendo as duas seleções, que, embora sem um encontro ao redor de um piano, tiveram relacionamento cordial e profissional ao longo dos Jogos. 

Sem um segundo encontro

Dada as agendas, dificilmente as seleções voltarão a se encontrar até o final destas Olimpíadas. Já serviu, no entanto, para encontros esperados. Richarlison, de 24 anos, revelou, antes dos jogos, querer conhecer Marta, 35, de quem é fã desde adolescente. Depois do encontro feito, Marta registrou em seu Instagram a própria comemoração, vendo pela TV, do gol de Richarlison contra a Arábia Saudita.  

O mesmo aconteceu entre Erika e Matheus Cunha, que usaram as redes sociais para trocarem mensagens de apoio após a zagueira registrar o gol do camisa 9 contra os árabes. Formiga, Dani Alves, Angelina, Diego Carlos e outros nomes dos dois times também publicaram registros após o momento de convivência.

 

Fora das câmeras, sem o piano de Pia Sundhage, aconteceu até um breve samba envolvendo atletas das duas seleções, entre outras interações no hall do hotel e os abraços na despedida do time feminino, que deixou as instalações na quarta (28), rumo a Miyagi, local do confronto com o Canadá, na sexta (30). A equipe de André Jardine atua em Saitama no dia seguinte. 

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