Olimpíadas já tiveram provas de balão e planador, mas sem entrega de medalhas

Balonismo e voo a vela estiveram nos jogos olímpicos de verão como esportes de demonstração

Foto: Divulgação

Thiago Vinholes, colaboração para a CNN Brasil

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A Olimpíada já foi palco de testes de diversos esportes que não faziam parte da programação oficial do evento. Essas modalidades entram nos jogos como “Esportes de Demonstração”, e os competidores não recebem medalhas olímpicas.

Para o Comitê Olímpico Internacional (COI), essas demonstrações são oportunidade para analisar de perto a aceitação do público e o desempenho de práticas que almejam o status de esporte olímpico. Aproveitando esse espaço, passaram pela avaliação do COI modalidades famosas em certos países, entras elas lacrosse, futebol americano e kung fu, além de corridas de automóveis, motocicletas e barcos.

Apesar do espetáculo e das disputas de alto nível, a maioria dos esportes de demonstração foi reprovada pelo COI ao longo da história dos jogos olímpicos. Foi o caso dos esportes aéreos balonismo e do voo a vela.

A indicação de qual esporte de demonstração pode participar dos jogos olímpicos normalmente parte da nação que sedia o evento e onde a prática costuma ser popular. Foi assim na Olimpíada de Paris, em 1900, que foi acompanhada por uma competição paralela de balonismo, modalidade que era muito comum e admirada na França no fim do século XIX.

O balonismo foi disputado em Paris com balões de gás (não confundir com balão de ar quente). Houve prêmios (e não medalhas) para os competidores que marcaram a maior distância, altitude, mais tempo de voo e melhores pousos em alvos. Participaram das provas um total de 14 pilotos, todos eles homens e franceses.

Durante as demonstrações, Henry de La Vaulx, famoso balonista francês e pioneiro da aviação, estabeleceu um recorde mundial de distância de voo de balão ao percorrer 1.925 km. Essa marca, porém, não foi classificada como oficial, afinal, tratava-se apenas de uma demonstração.

Além do balonismo, a Olímpiada de Paris 1900 recebeu uma competição demonstrativa de outro esporte com viés aéreo: voo de pipa.

Voo a vela nas Olimpíadas de Berlim 1936

Desenvolvido na Alemanha na década de 1920, embora suas origens remontem a segunda metade do século XIX, o voo a vela é até hoje um esporte muito popular entre os alemães. A competição com planadores foi uma das modalidades de demonstração avaliadas pelo COI na Olimpíada de Berlim, em 1936, juntamente com o kabaddi e o beisebol.

A competição foi disputada num intervalo de seis dias durante os jogos de Berlim e reuniu 14 pilotos de sete países (Alemanha, Áustria, Bulgária, Hungria, Itália, Iugoslávia e Suíça). Um desses competidores, o piloto austríaco Ignaz Stiefsohn, morreu um dia antes do início da disputa, após um acidente com seu planador, enquanto fazia uma apresentação acrobática.

O vencedor da prova foi o piloto húngaro Lajos Rotter, que percorreu 336,5 km com seu planador “Nemere”, estabelecendo um novo recorde de voo a vela na época para planadores lançados do solo (que são diferentes de planadores que decolam com auxílio de aviões rebocadores).

Apesar do acidente fatal com um dos atletas (embora fora do âmbito competitivo), a demonstração na Olimpíada de Berlim foi bem avaliada. Em 1938, na Conferência do Cairo, o voo a vela foi aceito pelo COI e ele seria disputado pela primeira vez de forma oficial e com distribuição de medalhas na edição seguinte dos jogos, em 1940, mas o evento (que seria realizado em Tóquio) foi cancelado devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo com a retomada da Olimpíada a partir de 1944, o balonismo e o voo a vela (ou outros esportes aéreos) nunca mais foram sugeridos para participarem da programação dos jogos nem como esportes de demonstração.

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