Olimpíadas 2020 dia #12: Rebeca faz história na ginástica com ouro no salto

Atleta é primeira brasileira campeã olímpica na modalidade; dia brasileiro também foi marcado por boas declarações, tanto em momentos de glória, como de dor

Douglas Vieira, Leandro Silveira e Paulo Junior, colaboração para a CNN; Daniel Fernandes e Wellington Ramalhoso, da CNN

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O dia olímpico do Brasil foi de grandes conquistas, a maior delas, o histórico ouro na prova de salto de Rebeca Andrade, que se tornou a primeira campeã olímpica do Brasil na ginástica artística.

Antes da ginasta, ainda na noite de sábado (31), teve o bronze de Bruno Fratus, a medalha olímpica que ele esperava ter conquistado no Rio de Janeiro, em 2016. Um pódio que marcou a redenção do nadador após enfrentar a depressão durante o ciclo olímpico para Tóquio. 

E hoje teve mais uma vitória do boxe brasileiro, com Hebert Souza. O pugilista derrotou Abilkhan Amankul, do Cazaquistão, e está nas semifinais até 75kg, o que já lhe garante o bronze.

Foi um dia de grandes vitórias, sonhos interrompidos, sonhos de ouro e de grandes frases. 

Da emoção da vitória à dor de quem perde, os atletas brasileiros se destacaram também pelas excelentes declarações. 

Com a medalha no peito

Eu só pensei em usar todas as cartas que eu tinha. Eu saltei dupla e meia, que era uma coisa que muitas pessoas falavam ‘ai, ela não vai fazer’, ‘que o joelho dela…’. Eu treinei muito e estava preparada. Se eu ficasse pensando nisso, não estaria na ginástica

Rebeca Andrade, após conquistar o ouro na prova do salto. O resultado fez dela a primeira campeã olímpica brasileira da ginástica artística
Rebeca Andrade é ouro no salto
Rebeca Andrade é ouro no salto
Foto: Lisi Niesner – 1.ago.2021/Reuters

A gente vai e faz. Os caras são muito fortes, mas nós somos ruins. Se é para deixar uma mensagem é de que o Brasil é o melhor povo, o melhor país do mundo. Todos 'pagam pau' para nós, somos muito capazes. Se permitam. Estamos entre os melhores do mundo

Bruno Fratus, após conquistar o bronze nos 50m livre da natação. O atleta sofreu com depressão, teve sua esposa Michelle Lenhardt se tornando sua treinadora e, depois de uma década na elite da prova, conseguiu o sonhado pódio.
Bruno Fratus celebra medalha de bronze conquistada nos 50m livre em Tóquio
Bruno Fratus celebra medalha de bronze conquistada nos 50m livre em Tóquio
Foto: Gregory Bull – 1.ago.2021/AP

Eu sou medalhista olímpico! Eu mereço para c.... Nós trabalhamos para c..., p.... Eu estou aqui representando. É Brasil, é Bahia, é Salvador!

Hebert Souza, ainda no ringue, ao ser anunciado como vencedor do combate com Abilkhan Amankul, do Cazaquistão. A vitória o mantém o pugilista na disputa pelo e já lhe garante ao menos uma medalha de bronze
Hebert Sousa garantiu, ao menos, a medalha de bronze para o boxe brasileiro
Hebert Sousa garantiu, ao menos, a medalha de bronze para o boxe brasileiro nas Olimpíadas de 2020 ao derrotar Abilkhan Amankul, do Cazaquistão
Foto: Júlio César Guimarães – 1.ago.2021/COB

Ainda não sabemos como lidar com os sentimentos, com a emoção, com tudo o que está acontecendo. Só quero sentir estar aqui, agradecer essa medalha. Sentir ela agora aqui com a gente, é tudo muito novo. É quase quando acaba o jogo e você não sabe ainda o que está acontecendo. Mas é um prazer enorme. Essa aqui é para vocês, Brasil

Luisa Stefani, ao receber no fim da madrugada de hoje a medalha conquistada ontem (31), com uma virada espetacular contra as russas Elena Vesnina e Veronika Kudermetova
Laura Pigossi e Luisa Stefani seguram suas medalhas bronze no pódio do tênis
Laura Pigossi e Luisa Stefani não eram uma dupla antes de Tóquio e conquistaram uma improvável medalha de bronze, melhor resultado da história do tênis brasileiro
Foto: AP Photo/Seth Wenig

Os que perseguem o pódio

Olha, a expectativa por essa dancinha ficou grande. Eu tive que ensaiar, chamei uns amigos meus para me ajudar na criação. Se vier a medalha, vai vir uma dança. Mas não posso dar spoiler, tem que dar suspense

Alison dos Santos, após se classificar à final dos 400m com barreiras no atletismo, com o segundo melhor tempo da semifinal: 47s31. O corredor chegou ao Japão como principal aposta de medalha do Brasil no atletismo
Alison dos Santos sorri após passar à final dos 400m com barreiras em Tóquio
Alison dos Santos celebra a classificação à final dos 400 metros com barreiras das Olimpíadas de Tóquio
Foto: AP Photo/Martin Meissner

Com certeza, a nossa primeira fase não foi da forma que a gente imaginava. Tivemos alguns empecilhos… Infelizmente, um tio meu faleceu e mexeu um pouco com meu emocional. Mas estamos aqui para jogar, não é justificativa. Ia ser um jogo difícil, mas a gente acreditava no que tínhamos conversado e visto de melhora. A vitória é boa pra cabeça, dá uma afirmação de que estamos crescendo numa fase importante

Ana Patrícia, sobre a vitória nas oitavas de final contra Wang e Xia, após uma primeira fase ruim, em que ela e Rebeca venceram apenas uma de três partidas. A dupla chinesa havia derrotado as brasileiras no início dos Jogos
Jogadora de vôlei de praia Ana Patrícia grita com os braços abertos
Ana Patrícia vibra em vitória nas oitavas de final do vôlei de praia
Foto: AP Photo/Petros Giannakouris

É bom não encontrar a Polônia e a Rússia nas quartas, claro. Mas a gente tem de se concentrar em manter o alto nível, que conseguimos após a derrota para a Rússia. Se a gente mantiver isso, o time que enfrentarmos... eles é que têm de ficar preocupados

Ponteiro Leal, após vitória contra a França, em partida que entrou para a história como o jogo de vôlei com maior pontuação na história das Olimpíadas. Foram 249, sendo 128 do Brasil e 121 da França.
Jogador Leal, da seleção brasileira, dá uma cortada em jogo das Olimpíadas
Ponteiro Leal foi um dos destaques da vitória do Brasil contra a França no vôlei masculino
Foto: AP Photo/Frank Augstein

O dia do Brasil em fotos

Os que se despedem de Tóquio

É difícil porque a gente trabalha muito para estar aqui. Eu me permito um dia lutar por essa medalha. Eu tenho 22 anos e nem que eu faça isso até os 80 eu vou conseguir essa medalha nos 100m um dia

Paulo André, promessa do atletismo brasileiro, depois de não se classificar à sonhada final dos 100m rasos, uma das mais tradicionais provas da modalidade
Paulo André fez o tempo de 10s17, terceiro melhor em sua bateria dos 100m rasos
Paulo André fez o tempo de 10s17, terceiro melhor em sua bateria dos 100m rasos
Foto: Wagner Carmo – 31.jul.2021/CBAt

Foi por muito pouco. A sensação é muito ruim porque é muito trabalho para chegar até aqui. É dar a vida, sabe... é pegar a vida e entregar para o esporte. A gente acha que merece, batalhou para caramba, mas tem o adversário que também trabalhou. São duas grandes jogadoras e a gente sabia que seria difícil

Ágatha, após ela e Duda perderem para as alemãs Laura Ludwig e Margareta Kozuch por 2 sets a 1, neste domingo, e se despedirem nas oitavas de final
Jogadora Duda sentada no chão após derrota no vôlei de praia nas oitavas de fina
Ágatha e Duda lamentam durante derrota
Foto: AP Photo/Petros Giannakouris

Estou me sentindo um pouco frustrado. O dia não foi muito bom, não velejei muito bem, queria ter velejado bem melhor. Mas é o que eu tinha hoje. É um orgulho representar meu país mais uma vez, sétima Olimpíada, uma história longa, guardo memórias de todas essa Olimpíadas, de todos esses feitos, de todas essas emoções, para o resto da minha vida

Robert Scheidt, sobre fechar sua participação em Tóquio na oitava posição. Em sua sétima olimpíada veio seu pior resultado. Nos Jogos do Rio-2016, foi o quarto colocado na classe Laser, na primeira vez que não foi ao pódio. Antes, o velejador de 48 anos havia ganhado ouro em Atlanta-1996 e Atenas-2004, prata em Sidney-2000 e Pequim-2008, e bronze em Londres-2012
Robert Scheidt veleja durante regata das Olimpíadas de Tóquio
Robert Schedit fechou as Olimpíadas em oitavo lugar na classe Laser
Foto: Gaspar Nóbrega / COB

Atletismo tem dia de recorde, medalha dividida e nova era nos 100m rasos

O terceiro dia de competições do atletismo nas Olimpíadas de Tóquio foi marcado por disputas emocionantes em provas como os 100m rasos masculino – a mais rápida de toda a competição –, pela quebra de recordes e por um momento pouco comum: a decisão de dois competidores dividirem a medalha de ouro. 

Homem mais rápido vem da Itália

O italiano Lamont Marcell Jacobs venceu neste domingo a final dos 100m rasos entre os homens nas Olimpíadas de 2020 – a primeira em Jogos desde a aposentadoria de Usain Bolt em 2017 – e se tornou o homem mais rápido do mundo.

Jacobs completou a prova em 9s80 – novo recorde europeu da prova –, mas não superou os recordes mundial (9s58) e olímpico (9s63) conquistados por Bolt em 2009 e 2012, respectivamente.

O pódio dos 100m teve também a presença do norte-americano Fred Kerley, que fez o tempo de 9s84 – o melhor de sua carreira –, e o canadense Andre de Grasse, com 9s89 (também o melhor tempo da carreira).

Italiano Marcell Jacobs venceu 100m rasos nas Olimpíadas de 2020
Italiano Marcell Jacobs venceu 100m rasos nas Olimpíadas de 2020
Foto: Cameron Spencer/Getty Images

Recorde esmagado no salto triplo

A final olímpica do salto triplo feminino foi marcada por dois momentos de glória para a atleta venezuelana Yulimar Rojas.

Primeiro, em sua tentativa inicial, ela obteve a marca de 15,41m e quebrou o recorde olímpico da prova. Depois, em seu último salto em Tóquio, Rojas foi ainda melhor, obteve 15,67m, quebrou o recorde olímpico e garantiu o ouro.

Patricia Mamona, de Portugal, e a espanhola Ana Peleteiro completaram o pódio, ambas estabelecendo recordes nacionais.

O recorde mundial superado pela venezuelana havia sido estabelecido em 1995 pela ucraniana Inessa Kravets.

Venezuelana Yulimar Rojas quebrou recorde mundial do salto triplo, com 15,67m
Venezuelana Yulimar Rojas quebrou recorde mundial do salto triplo, com 15,67m, e ficou com ouro em Tóquio
Foto: David J. Phillip – 1.ago.2021/AP

Medalha de ouro para dois… pode isso?

Em uma cena emocionante – e digna da tradição dos Jogos Olímpicos de estabelecer momentos marcantes no esporte – neste domingo dois atletas dividiram a medalha de ouro em uma prova do atletismo.

O feito aconteceu salto em altura masculino, em que o italiano Gianmarco Tamberi, e Mutaz Essa Barshim, do Catar, estabeleceram suas melhores marcas em 2,37m – melhores marcas pessoais de ambos na temporada.

Depois, ambos falharam em suas tentativas de saltar 2,39m e concordaram em dividir a medalha de ouro e o título de campeão olímpico.

Maksim Nedasekau, de Belarus, também saltou 2,37m, mas acabou com a medalha de bronze por ter falhado em mais tentativas do que os outros dois medalhistas.

Gianmarco Tamberi e Mutaz Barshim dividiram medalha de ouro no salto em altura
Gianmarco Tamberi e Mutaz Barshim dividiram medalha de ouro no salto em altura
Foto: Martin Meissner – 1.ago.2021/AP

Os medalhistas de ouro neste domingo

Nova desistência de Simones Biles

E a equipe de ginástica artística dos Estados Unidos anunciou neste domingo (1º) que Simone Biles desistiu de participar de mais uma final — a do solo, que será disputada nesta segunda-feira (2). 

O time americano afirmou que Biles ainda definirá se disputa ou não a final na trave, marcada para terça-feira (3) — a última para a qual se classificou nas Olimpíadas de 2020 — e que apoia a decisão da estrela do esporte.

Simone Biles em Tóquio
A ginasta americana Simone Biles, favorita ao ouro em todas as categorias de ginástica artística, escolheu deixar de competir no geral por equipes para preservar sua saúde mental
Foto: Tom Weller/Getty Images

Natação: Emma McKeon faz história

A australiana Emma McKeon viveu uma noite história na piscina de Tóquio. Ela conquistou duas medalhas de ouro na sua última noite nos Jogos e chegou a sete pódios nesta edição das Olimpíadas. Com isso, ela igualou o recorde geral entre as mulheres e se tornou a nadadora mais vitoriosa de uma competição nos Jogos.

A ginasta Maria Gorokhovskaya, da União Soviética, era até então a única mulher a levar sete medalhas numa só edição, em 1952. Na modalidade, a melhor marca era da alemã Kristin Otto, que tinha conquistado seis na natação dos Jogos de 1988. Entre os homens, só Michael Phelps fez mais, ganhando oito tanto em 2004 quanto em 2008.

Emma McKeon, nadadora da Austrália, ouro nos 100m livre nos Jogos
Emma McKeon, nadadora da Austrália, ouro nos 100m livre nos Jogos
Foto: David Goldman/AP

Atletas investigados por consumir bebida alcoólica

Os organizadores das Olimpíadas abriram uma investigação depois que um grupo de atletas consumiu bebida alcoólica na Vila Olímpica, violando medidas para prevenir a disseminação da Covid-19.

Os atletas foram pegos bebendo em um parque na vila na noite de sexta-feira (30), disse o CEO da Tóquio 2020, Toshiro Muto, que não deu detalhes sobre o número de atletas envolvidos ou suas nacionalidades.

 

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