Olimpíadas 2020 dia #14: Brasil tem dia marcado por medalhas

Martine e Kahena são ouro na vela. Nos 400m com barreiras, Alison dos Santos é bronze, mesmo resultado conquistado por Thiago Braz no salto com vara

Douglas Vieira, Leandro Silveira, Marcelo Tuvuca e Paulo Junior, colaboração para CNN; Daniel Fernandes e Wellington Ramalhoso, da CNN, em São Paulo

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Entre a noite de ontem e a manhã de hoje, a delegação brasileira teve motivos para celebrar, com medalhas já definidas — um ouro e três bronzes — e também outras que não foram entregues, mas estão garantidas, duas no boxe e uma no futebol masculino.

O lugar mais alto do pódio veio com Martine e Kahena na vela, enquanto, no atletismo, Alison dos Santos fechou sua primeira olimpíada com um terceiro lugar nos 400m com barreiras, mesmo resultado conquistado por Thiago Braz, que vinha do título olímpico na Rio-2016 e terminou em terceiro lugar na final do salto com vara em Tóquio.

E seguimos com os bons resultados no boxe brasileiro, que garantiu hoje mais uma medalha, com a classificação de Bia Ferreira à semifinal. Os pugilistas brasileiros já têm três medalhas garantidas em Tóquio, mas apenas uma já definida, o bronze de Abner Teixeira.

Já na manhã de hoje, garantimos ao menos a prata com a seleção brasileira masculina de futebol, que se classificou à final e jogará pelo bicampeonato olímpico.

Thiago Braz mantém recorde olímpico

O brasileiro conquistou a medalha de bronze nesta terça-feira (3) na final do salto com vara do atletismo nas Olimpíadas 2020, superando a marca de 5,87m, altura que ainda não havia atingido no ano, e parou na terceira posição, quando queimou suas três tentativas em 5,92m. 

O sueco Armand Duplantis, recordista mundial, conquistou o ouro no momento em que o norte-americano Christopher Nilsen, medalha de prata, queimou suas três tentativas na marca de 6,02m. 

Thiago Braz saltou 5,87m, melhor marca do ano, e ficou com medalha de bronze
Thiago Braz saltou 5,87m, sua melhor marca do ano, e ficou com bronze no salto com vara
Foto: Michael Kappeler – 3.ago.2021/picture alliance via Getty Images

Favorito absoluto à prova, Duplantis superou 6,02m e, ao confirmar o ouro, subiu o sarrafo direto para 6,19m. Sua intenção era ultrapassar sua melhor marca, 6,18m, e bater novamente o recorde mundial, mas ele falhou nas três tentativas.

Dessa forma, o recorde olímpico continua sendo de Thiago Braz – 6,03m, atingido nas Olimpíadas do Rio.

O bicampeonato de Martine e Kahena

Após o adiamento da regata decisiva, que deveria ter ocorrido ontem, as brasileiras faturaram nesta terça a medalha de ouro na classe 49erFX da vela nas Olimpíadas de 2020. Para repetirem o feito alcançado nos Jogos do Rio, em 2016, ficaram na terceira posição na medal race, realizada na Baía de Enoshima. 

Martine e Kahena começaram bem a disputa da regata decisiva da classe 49erFX. Passaram na primeira marcação em terceiro lugar, atrás das embarcações da Argentina e Noruega, o suficiente para colocá-las na primeira posição na classificação geral. E esse cenário se manteve na segunda e na terceira marcações do evento, assim como na conclusão da regata.

Foi um campeonato de recuperação. Aconteceram coisas que a medalha de ouro parecia longe. Mas a gente nunca desistiu

Kahena, em declaração à TV Globo

Alison dos Santos tira Brasil da fila

Alison dos Santos, grande revelação do atletismo brasileiro, conquistou a medalha de bronze na final dos 400m com barreiras em sua estreia nas Olimpíadas, ainda aos 21 anos, em uma jornada histórica no Japão onde correu, cantou, dançou e recolocou o país num pódio de prova individual de pista depois de 33 anos.

Nesse período, o Brasil levou medalhas no salto com vara, no salto em distância, em provas de revezamento e na maratona. Feito parecido com o de Alison só em 1988, em Seul, com a prata de Joaquim Cruz nos 800m e o bronze de Robson Caetano nos 200m. O último ouro do país em provas de pista é com o próprio Joaquim, em 1984.

Alison dos Santos comemora o bronze nos 400m com barreiras
Alison dos Santos comemora o bronze nos 400m com barreiras
Foto: Gaspar Nobrega/COB

Brasil busca bicampeonato no futebol

1984, 1988, 2012, 2016 e, agora, Tóquio 2020: pela quinta vez na história o Brasil é finalista do torneio olímpico de futebol masculino.

Jogando em Kashima, no estádio onde Zico revolucionou o futebol japonês, a seleção superou o México nos pênaltis após um longuíssimo 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, e tem compromisso marcado na manhã de sábado (7), em Yokohama: uma final, no palco do penta, valendo o bi e o ouro olímpicos. O adversário será a Espanha, que derrotou o Japão por 1 a 0 na outra semifinal.

Reinier converteu 4ª cobrança de pênalti do Brasil contra o México vaga na final
Reinier converteu a quarta cobrança de pênalti do Brasil contra o México e garantiu a classificação para a final
Foto: Andre Penner – 3.ago.2021/AP

Bronze, mais uma medalha e derrotas para Cuba

Beatriz Ferreira garantiu mais uma medalha para o boxe brasileiro nas Olimpíadas de 2020. Nesta terça-feira (3), ela dominou a luta contra a uzbeque Raykhona Kodirova e a derrotou pelas quartas de final do peso leve (até 60kg). Com isso, assegurou ao menos o bronze, pois se classificou às semifinais em uma modalidade que não conta com disputa do terceiro lugar. 

É a terceira medalha do boxe do Brasil nas Olimpíadas. Já a do peso pesado (até 91kg) Abner Teixeira será o bronze, o que ficou definido após ele perder para o cubano Julio la Cruz nas semifinais

Wanderson de Oliveira foi outro brasileiro a sofrer com um cubano nesta terça. Ele foi superado por Andy Cruz nas quartas de final do peso leve (até 63kg), deixando o evento em Tóquio. Na próxima quinta (5), Herbert Sousa, outro pugilista com bronze já garantido, busca a final no peso médio (até 75kg) para mudar a cor de sua medalha.

Bia Ferreira golpeia pugilista do Uzbequistão em luta vencida de forma unanime
Bia Ferreira (D) golpeia Raykhona Kodirova, do Uzbequistão, em luta vencida de forma unânime pela brasileira
Foto: Dan Mullan – 3.ago.2021/Getty Images

Darlan Romani na final do arremeso de peso

O brasileiro se classificou, nesta terça-feira (3), para a final da modalidade nas Olimpíadas de 2020 ao atingir a marca de 21,31m em sua segunda tentativa na prova classificatória. 

Para obter a classificação automática, era preciso superar a barreira de 21,20 metros, o que seis atletas, incluindo Romani, conseguiram. A marca do brasileiro foi a quarta melhor do dia. A maior marca foi do norte-americano Ryan Crouser, que arremessou seu peso a 22,05 metros.

Romani voltará ao Estádio Olímpico de Tóquio na quarta-feira (4), às 23h05 (horário de Brasília) para brigar por medalhas na modalidade.

Hoje é mais um passo que demos para uma final olímpica. Estou dando meus 200% lá dentro. Torçam, mandem energia positiva, porque vamos atrás desse sonho

Darlan Romani, à SporTV, após emplacar a final
Darlan Romani arremessou peso a 21,31m e se classificou para final olímpica
Darlan Romani arremessou peso a 21,31m e se classificou para final olímpica
Foto: David J. Phillip – 3.ago.2021/AP

Isaquias e Jack ficam fora do pódio

Isaquias Queiroz desembarcou em Tóquio, para as Olimpíadas de 2020, com um objetivo claro: chegar a cinco medalhas e subir para o topo da lista dos maiores vencedores do país nos Jogos. Mas o que seria a quarta conquista, primeira em Tóquio, não veio na noite desta segunda-feira (no horário de Brasília), na categoria C-2 1000m da canoagem, em dupla com o estreante Jacky Godmann. Em prova muito forte, os brasileiros terminaram no quarto lugar. 

Isaquias, 27, conquistou três medalhas nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, se tornando o brasileiro com  mais pódios em uma única edição olímpica. Ele levou uma prata e um bronze nas provas individuais (uma delas, a corrida de 200m, foi excluída do programa para Tóquio), mais uma prata nesta disputa por duplas. Agora, ele ainda volta para a água nos próximos dias para a C-1 1000m, sua especialidade, onde buscará o ouro.

Jacky Godmann e Isaquias Queiroz na semifinal da canoagem, em Tóquio
Jacky Godmann e Isaquias Queiroz na semifinal da canoagem, em Tóquio
Foto: Lee Jin-man/AP

“É uma semifinal que poderia ser uma final”, diz Wallace, oposto do Brasil, sobre os russos

A seleção brasileira masculina de vôlei confirmou o favoritismo diante do Japão e venceu por 3 a 0 (25-20, 25-22, 25-20) as quartas de final das Olimpíadas de 2020, na madrugada desta terça-feira (3), se colocando mais uma vez entre os quatro melhores para rever um algoz de dias atrás.

O reencontro é com a equipe russa, na disputa por um lugar na decisão. Na primeira fase, o duelo representou a única derrota do Brasil nesses Jogos, um 3 a 0 que ligou o sinal de alerta. Nesta madrugada, abrindo as quartas de final, os russos fizeram 3 a 0 no Canadá.

Contra a Rússia, o que faltou foi a cobertura. Óbvio que a gente não estava conseguindo rodar, o bloqueio dos caras é grande e a cobertura às vezes falhava. A gente vai ter que bombardear no saque

Wallace, projetando o duelo com a Rússia
Seleção brasileira de vôlei masculino venceu o Japão pelas quartas de final
Seleção brasileira de vôlei masculino venceu o Japão pelas quartas de final
Foto: Frank Augstein/AP

Náuseas e eliminação no vôlei de praia

Pela segunda vez na história, o Brasil fica sem medalhas no vôlei de praia feminino nos Jogos Olímpicos. A última dupla do país que restava nas Olimpíadas de 2020, formada por Ana Patrícia e Rebecca, foi eliminada. Em jogo tenso, elas perderam nas quartas de final para as suíças Joana Heidrich e Anouk Verge-Depre por 2 sets a 1.

Presente nos Jogos desde Atlanta-1996, o vôlei de praia feminino só não havia tido uma dupla brasileira no pódio em Pequim-2008.

A brasileira Ana passou mal antes e durante o jogo. Depois da derrota, ela afirmou que havia desmaiado na véspera quando sofreu uma queda de glicemia. O Comitê Olímpico Brasileiro informou que ela também sentiu náuseas na partida em razão do forte calor e foi atendida por um médico. “Os últimos dias foram incrivelmente difíceis”, afirmou a jogadora.

Rebecca e Ana Patrícia, do vôlei de praia
Rebecca e Ana Patrícia enfrentaram as suíças Joana Heidrich e Anouk Verge-Depre pelas quartas de final do vôlei de praia nas Olimpíadas 2020
Foto: Petros Giannakouris/AP

Os ouros desta terça

O bronze da vitória de Biles

A norte-americana Simone Biles retornou ao tablado da Arena Ariake, em Tóquio, nesta terça-feira (3), buscando uma vitória pessoal. Depois de abandonar a disputa de quatro finais, alegando questões de saúde mental, Biles voltou para competir em sua última decisão nas Olimpíadas 2020, na trave.

Biles fez uma apresentação segura, tirou 14.000 e conquistou o bronze na prova pela segunda Olimpíada consecutiva. A China ficou com as duas primeiras posições: Chenchen Guan, que já havia liderado a classificatória, foi ouro (14.633), e Xijing Tang levou a prata (14.233).

Simone Biles se emociona após concluir apresentação na final da trave
Simone Biles se emociona após concluir apresentação na final da trave
Foto: Natacha Pisarenko – 3.ago.2021/AP

“Dream Team” está na semifinal

A seleção masculina de basquete dos EUA, chamada desde 1992 de “Dream Team”, é semifinalista das Olimpíadas de Tóquio após vencer, nesta terça-feira (3), por 95 a 81, a Espanha — não sem antes flertar com o pesadelo.

Em determinado momento do segundo período o time espanhol, derrotado pelos americanos em todas as últimas quatro edições dos Jogos, esteve vencendo por dez pontos e parecia pronto para, enfim, vencer o algoz. Mas no segundo período os norte-americanos buscaram o empate e, no terceiro, com as bolas de três caindo, assumiram defintivamente a liderança. 

Kevin Durant, com 29 pontos, foi o cestinha do “Dream Team”, que administrou sem drama o placar nos minutos finais, optando por jogadas que gastassem a maior parte do tempo. 

Kevin Durant
Kevin Durant foi o cestinha do Dream Team no duelo contra a Espanha
Foto: Charlie Neibergall/AP

 

 

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