Prefeitura do Rio quer detalhes sobre circulação de pessoas na Copa América

Comitê Científico do Estado discute nesta terça-feira (8) realização do torneio

Cerimônia da Conmebol sobre a Copa América
Cerimônia da Conmebol sobre a Copa América Foto: Luisa Gonzalez/Reuters (3.dez.2019)

Pauline Almeida, Thayana Araujo e Isabelle Resende,

da CNN, no Rio de Janeiro

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A Prefeitura do Rio de Janeiro aguarda informações dos organizadores da Copa América sobre quantas pessoas devem se movimentar pela cidade durante o torneio e quais os deslocamentos previstos.

“A gente já definiu nossos protocolos, eles estão publicados em decreto desde 1º de janeiro. Agora, a gente precisa que a Copa América envie todo o detalhamento dos protocolos de segurança para que possam ser ajustados de acordo com as regras”, declarou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, na manhã desta terça-feira (8) à CNN.

Oito jogos estão marcados em estádios da capital, que tem 92% dos leitos de UTI ocupados e todos os bairros com risco alto de transmissão do coronavírus, cenário ressaltado por Soranz. “São 1,2 mil pessoas internadas com Covid-19 nesse momento, então tem que ter cautela para elaboração de qualquer evento esportivo, evento de massa como esse”, avaliou.

O torneio continental ainda está na pauta desta terça-feira do Comitê Científico da Secretaria de Estado da Saúde. O presidente do grupo, o infectologista Edmilson Migowski, confirmou que levará o assunto para ser discutido. No entanto, não adiantou se serão tratados protocolos para as partidas ou o impacto da circulação das delegações internacionais. Na semana passada, ele se colocou favorável ao evento.

“Não fazer a Copa América para não aglomerar não faz sentido. Seguindo essa linha de raciocínio, você não tem que fazer Libertadores, Copa Sul-americana e Campeonato Brasileiro. Por que critérios diferentes? Se você tiver cerca de mil pessoas num país de dimensões continentais, como o Brasil, é pouco provável que tenha a disseminação do vírus aqui”, defendeu na ocasião à CNN.

O estádio Nilton Santos, o Engenhão, casa do Botafogo, receberá sete partidas, a primeira delas já na próxima segunda-feira (14), entre Argentina e Chile. Enquanto a final, no dia 10 de julho, será realizada no Maracanã. Mesmo com a proximidade do campeonato, diversos grupos se mobilizam na tentativa de impedir que o Rio de Janeiro seja uma das sedes, juntamente com Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal, e também para avaliar as consequências do evento.

O Ministério Público Federal deve apurar possíveis violações a direitos humanos envolvendo a realização da Copa América. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) encaminhou ofícios solicitando que procedimentos sejam abertos pelas procuradorias regionais nos três estados-sede e também em São Paulo – endereço dos canais transmissores e de patrocinadores. O MPF-RJ confirmou o recebimento do documento e informou que deve responder nos próximos dias.

A PFDC destaca que o Brasil vive uma situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19 e que preocupa a movimentação de pelo menos 585 pessoas de diferentes países. Ainda argumenta que as cidades onde vão acontecer os jogos enfrentam uma situação delicada na rede hospitalar, com mais de 80% dos leitos de UTI ocupados. Devido a esse contexto, sugere uma ação conjunta para investigação de possíveis práticas que possam violar os direitos à vida e à saúde por parte de organizadores, transmissoras e patrocinadores.

Já na Justiça do Rio de Janeiro, na 5ª Vara da Fazenda Pública, está em avaliação um mandado de segurança para suspensão dos jogos da Copa América, impetrado pelo deputado estadual Flávio Serafini (PSOL).

À CNN, o parlamentar disse que “trazer atletas e profissionais que atuam em diferentes partes do mundo aumenta o risco de virem novas cepas para cá, num momento em que a pandemia segue sob descontrole. A cidade do Rio de Janeiro, além de toda a Baixada Fluminense e outros municípios, seguem em bandeira vermelha. Uma nova cepa é o que a gente não precisa, pois pode significar novas mortes.”  

A deputada Renata Souza, também do PSOL, vai entrar com uma representação contra o torneio, nessa terça-feira, no Ministério Público Estadual. Além disso, na Câmara do Rio, um projeto apresentado nessa segunda-feira pede o veto a eventos e competições internacionais na capital e também à presença de público em estádios, arenas e ginásios. O texto é de parlamentares do PSOL e tem como justificativa a pandemia e a falta de um percentual amplo de pessoas vacinadas contra o coronavírus.

O decreto municipal em vigor permite a realização de jogos, mas proíbe a presença de torcedores. Na última sexta-feira (8), o prefeito Eduardo Paes julgou como inoportuna a realização da competição neste momento e informou que a prefeitura não chegou a ser consultada formalmente. “O que eu imagino é que eles estejam se guiando pelo decreto em vigor na cidade”, declarou na oportunidade.

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