Quinn, 1ª trans não-binária a conquistar medalha, mira além da glória olímpica

Quinn tem sido fundamental para o Canadá e começou quatro das cinco partidas do time -- que disputa a final do futebol feminino -- nestes Jogos Olímpicos

Quinn se tornou a primeira pessoa transgênero e não-binária a conquistar uma medalha olímpica
Quinn se tornou a primeira pessoa transgênero e não-binária a conquistar uma medalha olímpica Foto: Silvia Izquierdo/AP

Becky Thompson, da CNN

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Uma medalha de ouro é a ambição, mas Quinn já fez história nas Olimpíadas de Tóquio em 2020 ao se tornar a primeira pessoa transgênero e não-binária a ganhar uma medalha.

O Canadá enfrentará a Suécia na final do futebol feminino nesta sexta-feira (6), depois de derrotar os Estados Unidos por 1 a 0 na semifinal na segunda-feira (2). Isso significa que Quinn tem garantia de ganhar prata ou ouro.

Mas, nos Jogos de Tóquio, Quinn não está pensando apenas em medalhas. Após o sucesso na semifinal de segunda-feira — a primeira vitória do Canadá sobre a seleção feminina dos Estados Unidos em 20 anos — Quinn, que usa pronomes neutros, disse à CBC Sports que tem “recebido mensagens de jovens dizendo que nunca viram uma pessoa trans no esporte antes”. 

“O esporte é a parte mais emocionante da minha vida e que me traz mais alegria”, disse. “Se eu puder permitir que as crianças pratiquem os esportes que amam, esse é o meu legado e é para isso que estou aqui.”

Família de atletas

Linda, a mãe de Quinn, jogava basquete na Universidade de Waterloo, no Canadá, enquanto seu pai, Bill, jogava rugby na Universidade de Western Ontario.

Quinn, que joga pelo Seattle OL Reign na liga americana, fez sua estreia pelo Canadá em 2014. Desde então, aos 25 anos, fez 68 partidas pelo país e conquistou inclusive a medalha de bronze com o time no Rio, em 2016 — mas na época não era publicamente uma pessoa trans e não-binária.

Quinn
Foto: Silvia Izquierdo/AP

Avançando para 2021 e em 21 de julho, Quinn se tornou a primeira pessoa trans a competir em uma Olimpíada.

“O primeiro trans olímpico abertamente a competir. Não sei como me sentir”, escreveu Quinn em um post no Instagram.

“Sinto-me otimista para a mudança. Mudança na legislatura. Mudanças nas regras, estruturas e mentalidades.”

Peça-chave da seleção

Quinn tem sido fundamental para o Canadá e começou quatro das cinco partidas do time nestes Jogos Olímpicos, incluindo a semifinal contra os Estados Unidos. A goleira Stephanie Labbé também tem sido crucial para o sucesso do Canadá até agora, e a equipe conta também com a artilheira Christine Sinclair e sua liderança como capitã para conquistar o ouro.

Esta não é a primeira vez que Quinn fez história

Depois de jogar futebol na universidade Duke de 2013 a 2017, Quinn teve o melhor ranking de uma canadense no draft — processo de seleção de atletas — da liga americana de futebol feminino, indo para o Washington Spirit como terceira escolha geral em 2018.

As Olimpíadas de Tóquio foram classificadas como as mais inclusivas até o momento. Segundo o site Outsports, há pelo menos 180 atletas olímpicos LGBTQIA+ em Tóquio e pelo menos quatro atletas abertamente trans ou não-binários.

Quinn
Foto: Fernando Vergara/AP

No Rio, o número de esportistas abertamente LGBTQIA+ era de apenas 56, e não havia atletas abertamente transgêneros. Foi uma decisão de 2004 do Comitê Olímpico Internacional (COI) que permitiu que atletas trans competissem formalmente.

Outras atletas 

Quinn é acompanhada nos Jogos de Tóquio por Laurel Hubbard, a primeira mulher transgênero a competir nas Olimpíadas.

Hubbard, uma levantadora de peso da Nova Zelândia, falhou em todas as três tentativas de levantamento de peso, incluindo uma de 120kg e duas de 125kg, o que a tirou da disputa por medalha. Depois de suas tentativas, ela acenou para a multidão e se curvou antes de sair do palco.

Tem havido muito debate sobre a inclusão de atletas transgêneros nos Jogos, com o COI dizendo que revisará as diretrizes para atletas trans após Tóquio em 2020.

Laurel Hubbard, da Nova Zelândia, competiu no halterofilismo nos Jogos de Tóquio
Foto: Luca Bruno – 2.ago.2021/AP

“Não estou totalmente alheia à polêmica que cerca minha participação nesses Jogos”, disse Hubbard após competir na segunda-feira (2). “E, como tal, gostaria de agradecer particularmente ao COI por, eu acho, realmente afirmar seu compromisso com os princípios do Olimpismo e estabelecer que o esporte é algo para todas as pessoas. É inclusivo, acessível.”

‘Eles aceitaram a mudança’

A skatista da equipe dos Estados Unidos Alana Smith, que se identifica como não-binária, competiu em Tóquio, e a também americana Chelsea Wolfe, que é trans, esteve em Tóquio como alternativa para a equipe de BMX dos Estados Unidos.

Quinn compartilhou no Instagram em setembro de 2020 que era trans. Desde então, tem falado sobre sua jornada pessoal, dizendo que quer ser um modelo para as futuras gerações de atletas sentirem que podem competir como eles são autenticamente.

Quinn
Foto: Silvia Izquierdo/AP

“Sei que, para mim, é algo que farei de novo pelo resto da minha vida. Como vivi como uma pessoa abertamente trans com as pessoas que mais amo por muitos anos, sempre me perguntei quando viria publicamente “, disse Quinn.

Quinn disse que o Canadá e suas companheiras receberam bem a transição e que “elas abraçaram a mudança”.

Canadá x Suécia 

O Canadá buscará sua primeira medalha de ouro olímpica no futebol feminino na manhã desta sexta-feira (no horário de Brasília), quando enfrenta a Suécia. As suecas buscam um destino melhor do que nos Jogos de 2016, quando perderam por 2 a 1 para a Alemanha na final.

Quinn
Foto: Fernando Vergara/AP

A final foi transferida de horário e mudou para um local diferente devido a preocupações com o calor.

(Texto traduzido do inglês; leia aqui o original)

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