Título da Liga dos Campeões é o que falta para City se tornar marca global

Sky Blues é o principal time de Manchester e da Inglaterra, mas ainda precisa conquistar uma competição continental – o que favorecia também seu apelo comercial

Jogadores do City celebram conquista do Campeonato Inglês; clube ainda busca título da Liga dos Campeões
Jogadores do City celebram conquista do Campeonato Inglês; clube ainda busca título da Liga dos Campeões Foto: Michael Regan - 23.mai.2021/Getty Images

Reuters

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Uma eventual vitória do Manchester City sobre o Chelsea na final da Liga dos Campeões, no Porto, neste sábado (29), pode ter um impacto muito além do orgulho esportivo.

O título inédito na principal competição de clubes da Europa completaria a ascensão do City, de “segundo clube” de Manchester à melhor equipe do continente, e os especialistas acreditam que esse poderia ser o elemento que faltava na criação de uma marca verdadeiramente global.

“O maior troféu para um clube de futebol é a Liga dos Campeões e vencê-la certamente teria um impacto na marca deles, por isso os clubes almejam tanto essa competição, como o Paris St Germain (PSG)”, disse Hugo Hensley, chefe de serviços esportivos da Brand Finance.

O PSG chegou à final da competição na temporada passada, mas foi derrotado pelo Bayern de Munique, deixando seus donos do Catar ainda em busca do troféu definitivo que sela o status na elite do futebol.

Mas além do título europeu, o City tenta também se provar como a principal equipe da Inglaterra. Quando o bilionário xeque Mansour bin Zayed al-Nahyan comprou o clube em 2008, não havia dúvidas de que ele havia investido no segundo clube da cidade.

O Manchester United não era apenas o time de maior sucesso país, mas era uma marca global que atraia fãs de todo o mundo.

O United tinha tudo o que era necessário para o sucesso comercial e futebolístico – um dos principais técnicos do mundo, Alex Ferguson, alguns dos principais jogadores do mundo, Cristiano Ronaldo, e uma marca já enraizada e que cresceia com o terceiro triunfo na Copa da Europa/Liga dos Campeões.

O City tinha uma tradição própria – era um dos melhores times da Inglaterra no final dos anos 1960 – mas apenas nove anos antes de o grupo de Abu Dhabi assumir o controle, eles vinham definhando na terceira divisão.

Grande final da Liga dos Campeões coloca frente a frente duas novas potências do
Final da Liga dos Campeões coloca frente a frente duas potências do futebol inglês: Manchester City e Chelsea
Foto: Marc Atkins/Gettyimages

Atualmente, em campo, as coisas mudaram dramaticamente. Enquanto o United luta para recuperar o sucesso desde a saída de Ferguson, em 2013, o City ganhou cinco dos últimos nove títulos da Premier League, incluindo três dos últimos quatro.

Com Pep Guardiola, o clube conta com um dirigente amplamente considerado o mais inovador e eficaz no futebol e possui um time recheado de talentos internacionais, produzindo um futebol divertido.

Isso já é mais do que suficiente para os torcedores do clube, que sabem que são, atualmente, os melhores da sua cidade e do seu país.

Mas quando se trata de ser uma marca global e de negócios internacionais, o United ainda aparece acima da City na maioria das avaliações.

Em termos de valor financeiro, os rankings da Forbes e Deloitte colocam o United em quarto lugar no mundo e o City em sexto.

Quando se trata do valor mais amplo da marca, os cálculos da Brand Finance colocam o United em terceiro e o City em quarto – os espanhóis Real Madrid e Barcelona estão nas primeiras posições.

Como os torcedores do United diriam rapidamente, porém, o rival nunca foi campeão europeu. O único triunfo dos Sky Blues nas competições continentais veio na já extinta Uefa Cup Winners’ Cup, há 51 anos.

“O torcedor periférico, que talvez só assista à fase final da Liga dos Campeões, vai ficar exposto ao Manchester City, pois essa fase leva a competição a um público mais amplo”, diz Hensley.

“Em termos de construção do valor da marca, o que isso faz por eles pode aumentar sua capacidade de vender contratos de patrocínio, conseguir patrocínios em mais categorias e, então, construir mais lealdade entre esses patrocinadores, que é o que importa no aspecto comercial da marca”, disse ele.

O United ainda gera cerca de £ 100 milhões (R$ 741 milhões) a mais do que o City em receita anual e também aponta para um maior alcance digital global que impulsiona cada vez mais seus acordos de patrocínio.

Um triunfo na Liga dos Campeões para o City viria em um momento ruim para o United, cujos donos americanos, a família Glazer, estão enfrentando protestos de alguns grupos de fãs – e o time ainda sofre com a derrota na final da Liga Europa para o Villarreal, da Espanha, na quarta-feira (26).

Uma vitória no Porto pode não catapultar o City para cima do United em termos financeiros e de marca, mas certamente os aproximaria.

“Isso os ajudará a fechar a lacuna financeira. Em termos de marca global, eles ainda estão um pouco atrás de United, Real, Barça, Bayern, Juve e, provavelmente, Liverpool”, disse o analista financeiro de futebol Rob Wilson, da Sheffield Hallam University.

“Eles têm muito pouca história, mas estão certamente em uma curva ascendente – e uma vitória na Champions, sem dúvida, aceleraria as coisas”.

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