Zanetti erra movimento e falha na busca por terceira medalha em Olimpíadas

Ginasta brasileiro fez série nas argolas com alto nível de dificuldade, mas errou movimento de saída; medalha de ouro fica com chinês Liu Yang

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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O ginasta brasileiro Arthur Zanetti, de 31 anos, completou sua participação nas Olimpíadas de 2020 sem medalha ao terminar a final das argolas na 8ª e última posição.

Zanetti, que conquistou o ouro em Londres-2012 e a prata na Rio-2016, poderia se tornar o primeiro atleta do mundo a conquistar uma medalha nas argolas em três edições consecutivas dos Jogos Olímpicos.

Apesar de ter feito uma apresentação com alto nível de dificuldade (partindo de 6.500 pontos), o brasileiro apresentou uma falha na sua saída e teve uma execução bem abaixo dos outros competidores (7.633), ficando com a notal final de 14.133.

O brasileiro, que tinha se classificado com a 5ª melhor nota – 14.900 – esperava se aproximar do chinês Liu Yang e do grego Eleftherios Petrounias, os favoritos da prova, que fizeram apresentações com notas acima de 15.000 na primeira fase dos Jogos.

Para isso, uma das mudanças foi exatamente no movimento de saída das argolas, em que ele tentou um giro triplo, mas não conseguiu executar totalmente as rotações e chegou ao solo encostando os joelhos e as mãos.

“Não chega a ser frustração, mas essa saída aí, você não sabe o quanto a gente sofreu fazendo ela. Machuquei meu pé 3 vezes antes das Olimpíadas, tive uma ruptura parcial fazendo ela, só para fazer essa bendita saída”, disse Zanetti, após a final da competição, em entrevista à emissora BandSports.

“Tô feliz com a minha prova, com a saída fica um pouquinho triste, mas como falei, tem que ir para o tudo ou nada. É uma saída muito fácil de fazer, sozinha, mas fazer na série é muito difícil. É o último elemento da série, depois de ter feito muita força, maior grau de dificuldade da minha série”, completou.

O atleta brasileiro disse também que ficou mais satisfeito de ter “ousado e errado” do que se não tivesse mudado sua saída, feito sua rotina usual e ficado na quarta ou na quinta posição. “Eu teria ficado mais triste, tô muito mais feliz por ter ousado.”

China conquista ouro e prata

Ginasta chinês Liu Yang de ponta cabeça dando salto mortal na saída das argolas
Ginasta chinês Liu Yang, que ficou com o ouro, dá salto mortal na saída das argolas
Foto: Jeff Roberson – 2.ago.2021/AP

Os ginastas da China ficaram com as medalhas de ouro e de prata na final das argolas, com Liu Yang e You Hao, que obtiveram as notas 15.500 e 15.300, respectivamente. 

Yang fez uma apresentação com o mesmo nível de dificuldade de Zanetti (6.500), mas obteve a melhor nota de execução entre todos os competidores, 9.000, o que lhe garantiu a primeira posição.

Já Hao, que realizou os movimentos considerados mais difíceis entre todos os competidores (com nota de partida de 6.600) teve pequenos descontos na execução (recebeu 8.700), mas conseguiu garantiu a prata.

Na terceira posição posição do pódio olímpico ficou o grego Eleftherios Petrounias – que defendia a 1ª posição conquistada em 2016. Petrounias fez uma série limpa, com alta nota de execução (8.900), mas sua dificuldade inferior aos concorrentes chineses (6.300) lhe rendeu a nota final de 15.200.

Caio Souza erra na final do salto

Na final masculina individual do salto, o brasileiro Caio Souza ficou na 8ª posição, após sofrer uma queda em seu segundo movimento.

O ginasta recebeu notas 14.466 e 12.900 em suas apresentações, completando sua apresentação com média de 13.683. Na classificatória, Caio ficou na 7ª posição, com média de 14.700.

Ao final da prova, Caio disse ter ficado feliz com sua participação nos Jogos, apesar de o resultado não ser o esperado.

Caio Souza em um de seus saltos na final masculina do aparelho nas Olimpíadas
Caio Souza em um de seus saltos na final masculina do aparelho nas Olimpíadas de 2020
Foto: Wander Roberto – 2.ago.2021/COB

“Estou feliz com tudo que aconteceu. Óbvio, queria estar no pódio, mas estou feliz com minha primeira [disputa nas] Olimpíadas”, disse Caio ao canal SporTV.

Ele também elogiou as apresentações de Rebeca Andrade, que conquistou uma medalha de ouro e uma de prata nos Jogos. “O que falar? Acho que ela mostrou o potencial dela. Mostrou realmente… aqui ela conseguiu competir o 100% dela, está de parabéns, entrou para a história.”

A final masculina do salto foi vencida pelo sul-coreano Jeahwan Shin, que obteve média de 14.783 (saltos de 15.100 e 14.633). Já a prata ficou com o russo Denis Abliazin, que também terminou a prova com média de 14.783 (notas 14.766 e 14.800).

Como o primeiro critério de desempate no aparelho era a dificuldade dos saltos, e a primeira tentativa de Shin partiu da nota 6.000 contra 5.600 de Abliazin, a medalha não foi dividida pelos dois.

Por fim, fechando o pódio, ficou o atleta romeno Artur Davtyan, que ficou com a média de 14.733.

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