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    Brasil soma 57 denúncias por injúria racial no futebol em 2022

    Dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol mostram que, em todo o ano de 2021, foram 64 denúncias e, desde 2014, início da série história, houve 399 registros

    Cleber Rodriguesda CNN

    no Rio de Janeiro

    Em menos de sete meses completos de 2022, o Brasil registrou 57 denúncias de injúria racial no futebol. Em todo o ano de 2021, foram 64. O levantamento é do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, feito a pedido da CNN.

    Doze dos casos deste ano foram em competições sul-americanas. Desde que os casos de injúria racial no futebol começaram a ser contabilizados pelo Observatório Racial, em 2014, foram feitas 399 denúncias.

    No caso mais recente, um torcedor do Fluminense usou as redes sociais para denunciar um ato de racismo sofrido na partida do último domingo (17), pelo Campeonato Brasileiro, contra o São Paulo, no estádio do Morumbi.

    Nas imagens gravadas por ele, é possível observar o momento em que um apoiador do tricolor paulista, que está na arquibancada, chama a atenção e faz gestos imitando um macaco.

    Policiais militares passam pelo local no instante do ato, mas apenas pedem para o homem se afastar do vidro que separava as duas torcidas.

    Após a partida, o vídeo foi divulgado e amplamente compartilhado nas redes sociais.

    Ambos os clubes manifestaram repúdio à atitude do torcedor são-paulino e o caso está sendo investigado pela 6ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), de São Paulo.

    A polícia tenta identificar o autor e a vítima e pretende chamá-los para prestarem depoimento.

    Para o fundador e diretor executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, as medidas atuais de enfrentamento ao racismo no futebol são insuficientes e ineficazes.

    “O aumento de casos também passa pela sensação de impunidade que as pessoas têm, por acreditarem que não vai dar em nada. Além da falta de punição, tem também a questão de educação e conscientização”, lamenta Carvalho.

    A CNN procurou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para falar sobre as punições por conta de casos de racismo e injúria racial e aguarda retorno.

    A Conmebol, organizadora das competições sul-americanas, informou que, em maio deste ano, modificou seu Código Disciplinar e aumentou o rigor e as punições para racismo e discriminação tanto para jogadores quanto para os clubes.

    Entre elas estão suspensão de jogador que cometa atos discriminatórios por, no mínimo, cinco jogos ou por um período mínimo de dois meses; e a multa de US$ 100 mil para qualquer associação membro ou clube, caso algum torcedor cometa qualquer discriminação.

    Série histórica de denúncias de racismo no futebol no Brasil:

    • 2014: 25 casos

    • 2015: 36 casos

    • 2016: 26 casos

    • 2017: 43 casos

    • 2018: 47 casos

    • 2019: 70 casos

    • 2020: 31 casos

    • 2021: 64 casos

    • 2022 (até julho): 57 casos