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    Oito países europeus participarão de campanha de diversidade na Copa do Catar

    Cada capitão usará braçadeira da campanha OneLove durante o torneio; cores representam heranças, origens, gêneros e identidades sexuais

    Jogadores usarão faixa chamando atenção para a necessidade do respeito
    Jogadores usarão faixa chamando atenção para a necessidade do respeito Alex Livesey - UEFA/UEFA via Getty Images

    Issy Ronaldda CNN*

    Dez times de futebol de países europeus –Holanda, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Noruega, Suécia, Suíça e País de Gales– participarão por uma temporada da campanha OneLove, que promove a inclusão e se opõe à discriminação.

    Todos os países, com exceção da Suécia e da Noruega, se classificaram para a Copa do Mundo realizada neste ano no Catar e cada capitão dessas oito nações usará uma braçadeira distintiva da campanha OneLove –que apresenta um coração contendo cores de todas as origens– durante o torneio.

    A Federação Holandesa, que lidera a campanha, escolheu as cores para representar todas as heranças, origens, gêneros e identidades sexuais; a braçadeira será usada no Catar, onde relações entre pessoas do mesmo sexo são uma ofensa criminal.

    A Suécia e a Noruega participarão da iniciativa durante os próximos jogos da Liga das Nações, enquanto a Inglaterra também usará braçadeiras pretas durante os jogos da Liga das Nações da Uefa em homenagem à morte da rainha Elizabeth II.

    “Esta é uma mensagem importante que se adapta ao jogo de futebol: no campo todos são iguais e isso deve ser o caso em todos os lugares da sociedade. Com a braçadeira da OneLove, expressamos essa mensagem”, disse Virgil van Dijk, capitão da seleção da Holanda.

    “Em nome da seleção holandesa, uso esta braçadeira há algum tempo. É bom ver que outros países estão se juntando a esta iniciativa”.

    A OneLove foi fundada na Holanda em 2020 para enfatizar que todos os fãs de futebol têm pelo menos uma coisa em comum –o amor pelo futebol– e para se manifestar contra qualquer forma de discriminação.

    Além de focar em mensagens públicas, a iniciativa também se desenvolveu para oferecer treinamento sobre diversidade aos clubes de base.

    “Nosso amor pelo futebol nos une a todos. Não importa de onde você vem, como você se parece e quem você ama. O futebol existe para todos e nosso esporte deve defender as pessoas em todo o mundo que enfrentam discriminação e exclusão”, disse o capitão da seleção da Alemanha, Manuel Neuer.

    “Estou orgulhoso por enviar esta mensagem aos meus colegas das outras seleções nacionais. Cada voz conta.”

    Em junho, o capitão da seleção inglesa, Harry Kane, revelou que havia discutido uma postura coletiva em relação aos direitos humanos no Catar com o dinamarquês Christian Eriksen e o capitão da França, Hugo Lloris.

    Operário trabalha no acabamento do estádio Al Bayt, que será usado na Copa do Mundo do Catar / 17/11/2021 REUTERS/Hamad I Mohammed

    “Estou honrado por me juntar aos meus colegas capitães das seleções nacionais no apoio à importante campanha OneLove”, disse ele na terça-feira (20).

    “Como capitães, podemos estar todos competindo uns contra os outros em campo, mas estamos juntos contra todas as formas de discriminação. Isso é ainda mais relevante em um momento em que a divisão é comum na sociedade. Usar a braçadeira juntos em nome de nossas equipes enviará uma mensagem clara quando o mundo está assistindo”.

    “Continuamos a pressionar pelo princípio da compensação”

    A ideia para esta campanha específica teve origem na iniciativa do Grupo de Trabalho da Uefa, que foi criada para responder a questões relacionadas com o tratamento dado pelo Catar aos trabalhadores imigrantes e à comunidade LGBTQ+.

    Atualmente, a homossexualidade é ilegal no Catar e punível com até três anos de prisão, enquanto o jornal “The Guardian” informou no ano passado que 6.500 trabalhadores imigrantes morreram no país nos dez anos que se seguiram à candidatura bem-sucedida do Catar para sediar o torneio, em 2010, a maioria dos quais envolvidos em trabalho perigoso e de baixa remuneração, muitas vezes realizado em calor extremo.

    O relatório –negado “categoricamente” pelo executivo-chefe da organização do torneio, Nasser Al Khater– não conectou todas as 6.500 mortes com projetos de infraestrutura da Copa do Mundo e não foi verificado de forma independente pela CNN.

    Em entrevista à CNN no ano passado, Al Khater também apontou as recentes reformas que o Catar fez em sua estrutura trabalhista.

    “Continuamos pressionando pelo princípio de compensação para as famílias de trabalhadores imigrantes que perderam a vida ou foram feridos em projetos de construção”, disse o executivo-chefe da Football Association, Mark Bullingham.

    “Junto com os outros membros do Grupo de Trabalho da Uefa sobre Direitos Humanos, estamos pressionando a Fifa para uma atualização sobre o conceito de um Centro de Trabalhadores Migrantes no Catar, para fornecer aconselhamento e ajuda a esses trabalhadores”.

    “É claro que o Catar trouxe uma legislação mais progressiva nos últimos anos para dar direitos aos trabalhadores, então este conceito ajudará esta legislação a entrar em vigor”.

     

    *Com informações de Jack Bantock, da CNN.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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