Diana aos 60: Como a princesa de Gales se vestiria em 2021

'Diana não seguia ninguém. Pelo contrário, ela fez suas próprias criações, e todos nós assistimos maravilhados e tentamos acompanhar', disse estilista sobre ela

Princesa Diana
Princesa Diana Foto: Tim Graham Photo Library/Getty Images

Megan C. Hills, da CNN

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O guarda-roupa da falecida princesa Diana foi imortalizado em livros, exposições, séries da Netflix, ensaios fotográficos de homenagem na revista “Vogue” e até em musicais. De seu vestido de noiva de conto de fadas ao chamado “vestido de vingança” usado depois que o príncipe Charles admitiu a infidelidade, o mundo testemunhou a transformação de seu estilo até virar a “Princesa do Povo”.

“O estilo dela era muito pessoal”, disse Jack L. Carlson, cuja marca, Rowing Blazers, lançou recentemente uma coleção inspirada em Diana. “Ela não seguia ninguém. Pelo contrário, ela fez suas próprias criações, e todos nós assistimos maravilhados e tentamos acompanhar”.

Ainda há muita nostalgia em torno do estilo da princesa de Gales – de fato, quando a marca de Carlson relançou seu icônico suéter decorado com ovelhas brancas e uma ovelha negra no ano passado, ele vendeu “três meses de suéteres em uma hora e meia” depois que se tornou viral online.

Mas como Diana poderia ter se vestido se estivesse viva em 2021? E como ela poderia ter empregado sua propensão para a moda diplomática, simbólica e comunicativa nesta época de polarização?

Como nesta quinta-feira, dia 1, marca-se o que seria o 60º aniversário de Diana, olhamos para as influências que formaram seu estilo – e como elas podem ter moldado sua aparência hoje.

Diplomacia branda

A princesa de Gales era adepta do uso de seu guarda-roupa diplomaticamente. Seja escolhendo estilistas dos países que visitou, ou usando cores e símbolos associados às identidades nacionais dos anfitriões, ela usava roupas como um sinal de apoio e respeito.

Como a ex-estilista de Diana Anna Harvey lembrou na “Vogue” britânica em 1997, logo após a morte da princesa: “Desde o início ela usou roupas para transmitir gestos; em sua primeira visita ao País de Gales, ela adotou as cores galesas, com um terno de seda verde e vermelho; para sua chegada ao Japão, ela vestiu peças do estilista japonês Yuki Torimaru e, para uma visita a Paris , Chanel”.

Durante uma viagem à região do Golfo em 1986, a princesa usou um vestido enfeitado com falcões dourados, um dos símbolos patrióticos da Arábia Saudita. Durante seu tour real ao Japão no mesmo ano, ela usou um vestido de bolinhas vermelho e branco que parecia fazer referência a bandeira nacional.

Princesa Diana
Princesa Diana usa peça do designer Yuki Torimaru para uma viagem real ao Japão.
Foto: The Asahi Shimbun/Getty Images

Diana também assentiu à instituição real na qual entrou pelo casamento, como quando o modista Stephen Jones costurou as penas-símbolo do príncipe de Gales no tradicional chapéu tam-o’shanter (o gorro com pompom típico escocês) que ela usou no encontro anual da vila de Braemar, da Escócia.

Matthew Storey, curador da nova exposição do Palácio de Kensington chamada “Royal Style in the Making”, escreveu por e-mail que os membros da família real normalmente “usam roupas que sutilmente prestam homenagem à cultura do país que estão visitando”. Mas a princesa Diana continuou fazendo isso nos anos após sua separação de Charles no início dos anos 1990 (optando por usar um traje shalwar tradicional em uma visita ao Paquistão em 1996, por exemplo), e parece que teria seguido com a abordagem cuidadosa de seu guarda-roupa de trabalho.

Além de homenagear os países anfitriões, Diana também usou a moda para destacar as instituições de caridade e as instituições que admirava ao usar seus equipamentos em partidas de polo ou eventos públicos. Ela estava “anos-luz à nossa frente, mesmo naquela época”, disse Carlson, lembrando a tendência atual de usar mercadorias para apoiar as organizações com as quais as pessoas se identificam.

Princesa Diana
Princesa Diana veste suéter da Virgin Atlantic ao sair da academia.
Foto: Anwar Hussein/WireImage/Getty Images

“Na verdade, ela nos ensinou a apreciar o merchandising de universidades que nunca frequentou, times esportivos de outras cidades e até companhias aéreas nas quais nunca voou”, disse, referindo-se às ocasiões em que Diana emparelhou um suéter da Universidade Northwestern ou da Virgin Atlantic com bermuda ciclista.

É impossível dizer a quais causas Diana teria se apegado hoje. Mas, dada a sua defesa ao longo da vida da conscientização sobre o HIV/AIDS, as várias pequenas coleções lançadas para o Dia Mundial da AIDS, por marcas como Maison Margiela e Victoria Beckham, podiam muito bem ter chamado sua atenção.

Princesa Diana
Princesa Diana com moletom de caridade da British Lung Foundation para uma partida de polo
Foto: Tim Graham Photo Library/Getty Images

Mas o estilo de Diana nem sempre foi tão literal. A pesquisadora de moda Eloise Moran, que fundou a conta do Instagram Lady Di Revenge Looks (ou “Looks de Vingança de Lady Di”) comparou o guarda-roupa da princesa a uma “armadura”. Além de defendê-la de ataques, suas roupas a ajudaram a retomar o controle de sua narrativa – tanto do palácio quanto da imprensa britânica – após seu divórcio de 1996 com o príncipe Charles.

“Ela se tornou, no final, uma figura realmente forte”, comentou Moran em uma entrevista em vídeo. “Acho que as pessoas tinham medo dela – e do que ela faria a seguir”.

Princesa Diana
Princesa Diana usa colete de proteção, camisa branca e calça jeans enquanto caminha por um campo de minas terrestres em Angola
Foto: Tim Graham Photo Library/Getty Images

Sua abordagem desafiadora certamente ressoaria no mundo de hoje. Ela pode até ter influenciado a forma como as mulheres famosas costumam usar seus guarda-roupas para se proteger e fazer declarações políticas secretas, da deputada norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez chamando seu batom vermelho de “pintura de guerra” à decisão da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, de usar um manto de penas maori tradicional no Palácio de Buckingham.

Um guarda-roupa mais internacional

Em seus primeiros anos, Diana gravitou em torno de estilistas britânicos e muitas vezes ela transformou a sorte daqueles cujas peças ela foi fotografada usando. “Ela queria usar roupas britânicas porque sentia que era algo positivo que ela poderia fazer pela indústria da moda”, escreveu sua estilista Harvey em seu tributo à “Vogue” em 1997.

Veja o caso do suéter de ovelha mencionado anteriormente, que se tornou viral muito antes da era da internet: a ovelha negra solitária parecia sinalizar o status de estranha de Diana na família real. Carlson, que colaborou com o criador original da roupa, Warm & Wonderful, no relançamento do ano passado, disse que a publicidade “mudou a vida” das designers Joanna Osborne e Sally Muir. Segundo ele, a dupla conseguiu abrir uma loja e suas peças foram enviadas para lojas de departamento de Nova York ao Japão.

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A princesa Diana fotografada em 1981 vestindo seu suéter original Warm & Wonderful, relançado no ano passado em colaboração com a Rowing Blazers
Foto: Tim Graham Photo Library/Getty Images

“Os membros da família real sabem que as roupas que vestem podem chegar às manchetes e imediatamente sumir das prateleiras”, disse Morgane Le Caer, líder de conteúdo da plataforma de busca de moda Lyst, em uma entrevista por e-mail. É uma tendência seguida por Meghan Markle e Kate Middleton, disse Le Caer, acrescentando que as duas da geração seguinte de esposas reais “se tornaram influenciadoras poderosas por seus próprios méritos”.

Moran e Carlson especularam que, se a princesa Diana estivesse viva hoje, poderia ter revisitado seus dias de peças de tricô (um período resumido por seu suéter Gyles & George com a frase “Sou um luxo que ninguém pode pagar”). Moran disse: “Talvez ela prestasse homenagem ao seu lado mais jovem com as malhas de tricô irônicas”.

“Acho que ela teria adorado os suéteres de Magda Archer x Marc Jacobs, particularmente aquele com a frase ‘Fique longe de pessoas tóxicas’”, acrescentou, referindo-se a um item usado por celebridades, incluindo Harry Styles.

Princesa Diana
Princesa Diana veste terno vermelho Catherine Walker durante uma visita de 1996 a um centro para pessoas afetadas pelo HIV e AIDS
Foto: Princess Diana Archive/Hulton Royals Collection/Getty Images

Diana foi leal aos designers do Reino Unido com quem trabalhou ao longo de sua vida. Embora alguns de seus aparentes favoritos, como Catherine Walker, já tenham falecido, outros como Bruce Oldfield permanecem ativos até hoje, e a falecida princesa pode ter continuado a buscar seus projetos.

Mas, no final de sua vida, Diana estava experimentando várias grifes internacionais. Conforme sua estrela ascendia, ela formou relacionamentos próximos com designers como Gianni Versace, a cujo funeral ela compareceu, e Christian Dior, que em 1996 rebatizou uma bolsa que ela adorava – e possuía em todas as cores – de “Lady Dior”. Versace, em particular, ajudou Diana a desenvolver um guarda-roupa mais ousado à medida que ela se tornava uma embaixadora global de caridade, desenhando minivestidos e tailleurs rosa estilo primeira-dama que ela combinava com chapéus tipo casquete de Phillip Sommerville.

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Princesa Diana, veste tailleur azul claro e chapéu tipo casquete em 1995, acompanhada por seu filho, o Príncipe Harry
Foto: Princess Diana Archive/Hulton Archive/Getty Images

“Ela era uma verdadeira camaleoa e gostava de misturar as coisas, tanto de designers famosos quanto desconhecidos”, contou Moran. “Eu sei que ainda seria o caso se ela estivesse viva hoje”.

Mas, acrescentou Carlson, ela teria ampliado sua rede. “Não consigo vê-la escravizada por um estilista ou outro”, disse.

Vingança e alegria

Os últimos anos da vida da princesa Diana foram definidos por experiências alegres e elegantes à medida que ela saía da sombra do palácio. Para Moran, que abriu a conta Lady Di Revenge Looks no Instagram logo após a sua própria separação, a princesa Diana era uma “figura feminina” cuja transformação pós-divórcio serviu de inspiração.

A então recém-empoderada princesa Diana trocou os sapatos da corte por “saltos super altos de Jimmy Choo e Chanel’, de acordo com Moran, o que teria deixado a princesa mais alta que seu ex-marido, que tinha mais ou menos a mesma altura. O designer Roland Klein disse uma vez à “Vogue” britânica que, em um de seus últimos encontros com Diana, ela havia pedido um vestido “muito curto”. “Eu hesitei”, lembrou ele, “mas ela disse: ‘tudo o que eu fizer, serei criticado, então vamos em frente’”.

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Princesa Diana usa um minivestido Catherine Walker para o lançamento de um leilão da Christie’s em 1997, onde ela vendeu muitos de seus trajes mais icônicos
Foto: Tim Graham Photo Library/Getty Images

Nesse ponto, Diana havia encontrado silhuetas e designers que funcionavam para ela, disse Moran.

“Acho que ela realmente descobriu seu visual quando chegou aos 35 ou 36 anos – então não posso imaginá-la se vestindo de maneira tão diferente”, explicou, sugerindo que o básico do guarda-roupa de Diana (“blazers, o jeans Giorgio Armani, as bolsas Versace e Dior”) provavelmente ainda funcionariam para ela hoje.

“Eu também podia facilmente vê-la usando silhuetas sinuosas e mínimas da The Row”, acrescentou Moran.

Para a princesa Diana, a única roupa que pareceu marcar sua libertação foi seu “vestido de vingança” preto Christina Stambolian, o minivestido assimétrico e justo que ela usou em um evento em Londres no dia em que o príncipe Charles admitiu publicamente ter um caso.

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A princesa Diana em vestido de Christina Stambolian, apelidado de “vestido de vingança”, usado no mesmo dia em que o príncipe Charles admitiu o adultério
Foto: Jayne Fincher/Princess Diana Archive/Hulton Royals Collection/Getty Images

“Ela distorceu completamente sua narrativa naquela noite”, lembrou Moran. “A partir daí, acho que essa foi a linha traçada onde ela estava no controle, e ela estava mostrando isso para todo mundo. É possível deixar as pessoas com muito medo de você – ou intimidadas por você, ou respeitá-lo, ou seja, o que for – por meio das roupas”.

Embora a Princesa Diana fosse conhecida por repetir trajes, é, talvez, improvável que ela revisitasse suas roupas e acessórios mais icônicos se estivesse viva hoje. Ela ficou famosa por limpar seu guarda-roupa poucos meses antes de sua morte, leiloando muitas de suas peças de vestuário – incluindo o vestido Stambolian e um vestido de veludo azul Victor Edelstein que usou para dançar com John Travolta na Casa Branca – para arrecadar dinheiro para instituições de caridade relacionadas ao HIV/AIDS.

A venda foi simbólica de várias maneiras. Ao abrir o closet para o que teria sido seu próximo capítulo, Diana pareceu deixar a vida no palácio e o casamento para trás. E ela pode ter se distanciado ainda mais da família real por meio da moda – algo que já acontecia antes de sua morte, como notou a ex-estilista Harvey, escrevendo que a princesa evitou deliberadamente as marcas usadas pela família de seu ex-marido.

“Eu não acho que ela se vestiria como os outros membros da realeza”, opinou Carlson. “E acho que, ao invés de seguir a moda ou as expectativas de alguém, ela teria se vestido de uma maneira que refletisse sua vida, suas experiências, sentimentos e seu próprio conforto também”.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)

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