Duas tiaras de Joséphine Bonaparte, esposa de Napoleão, serão leiloadas

As tiaras fazem parte de conjuntos de joias do século 19, que são emblemáticos do design neoclássico, estilo que floresceu durante o reinado de Napoleão

Duas tiaras que provavelmente perteceram à esposa de Napoleão Bonaparte entrarão em leilão em dezembro
Duas tiaras que provavelmente perteceram à esposa de Napoleão Bonaparte entrarão em leilão em dezembro Sotheby's

Jacqui Palumboda CNN

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Duas tiaras que se acredita terem sido propriedade de Joséphine Bonaparte, a primeira esposa do imperador francês Napoleão, estão à venda depois de um século e meio em coleções particulares.

Juntas, elas devem arrecadar até £ 500 mil (cerca de R$ 3,8 milhões) na casa de leilões Sotheby’s, em Londres, no próximo mês.

Uma das tiaras é dourada, com detalhes em esmalte azul e gravuras em cornalina em vermelho vivo com retratos clássicos. O diadema está sendo oferecido como parte de um conjunto de joias, ao lado de brincos combinando, um enfeite de cinto e um pente.

A segunda tiara de ouro e esmalte apresenta retratos das antigas divindades gregas Zeus, Dionísio, Medusa, Pã e ​​Gaia em ágata e jaspe. O Museu Victoria & Albert de Londres, que anteriormente continha o item em contrato de empréstimo, observou que “provavelmente foi um presente da irmã de Napoleão, Caroline Murat”.

As tiaras ajudaram a popularizar o estilo neoclássico durante o século 19 / Sotheby’s

A imperatriz, também conhecida como Joséphine de Beauharnais após o seu primeiro casamento com o nobre e general do exército Alexandre de Beauharnais, tem sido objeto de constante fascínio nas últimas décadas.

As cartas apaixonadas de Napoleão para ela são famosas por sua intensidade, e ela tem sido retratada como uma mulher sedutora e inteligente, que acabou renunciando ao casamento quando ela e o imperador não conseguiram produzir um herdeiro juntos.

As tiaras fazem parte de parures (conjuntos de joias) do século 19, que são emblemáticos do design neoclássico, estilo que floresceu durante o reinado de Napoleão.

Joséphine Bonaparte foi objeto de fascínio em livros e exposições neste século / Sotheby’s

Após a agitação da Revolução Francesa, o imperador evocou criteriosamente as antigas tradições, estilos e designs romanos a fim de associar seu governo a uma linhagem antiga, de acordo com Sotheby’s.

Essa associação está presente nos pequenos detalhes de ambas as tiaras – como nos retratos e entalhes de divindades clássicas e figuras antigas que Napoleão e Joséphine costumavam usar, inclusive na coroa da coroação do primeiro. Séculos antes, os imperadores romanos usavam símbolos semelhantes de poder esculpidos em joias semipreciosas.

A imperatriz Joséphine era muito mais do que apenas uma colecionadora de antiguidades. Por ser a primeira a incorporar esses retratos e entalhes em seu vestido, usando-os lado a lado com pérolas e diamantes, ela criou uma moda totalmente nova que varreu Paris e o mundo, baseada em formas neoclássicas.”

Kristian Spofforth, líder do departamento de joias da Sotheby's em Londres

Apesar da posição de Joséphine como uma imperatriz criadora de tendências, ela veio de origem pobre, sendo a filha mais velha de uma família francesa aristocrata que havia feito e perdido sua riqueza com a cana-de-açúcar na ilha colonizada de Martinica.

Ela se casou com de Beauharnais quando era adolescente, embora eles tenham se separado depois de dois filhos e um casamento infeliz em Paris.

Seu marido foi posteriormente guilhotinado durante a Revolução. Embora também presa, Joséphine escapou do mesmo destino e ascendeu na escala social antes de conhecer o jovem oficial do exército que viria a ser seu imperador.

Uma das tiaras está sendo oferecida ao lado de brincos combinando, um enfeite de cinto e um pente / Sotheby’s

A indústria joalheira sofreu com a turbulência política, a depressão econômica e a hostilidade contra o luxo que marcaram a Revolução Francesa e suas consequências.

Entretanto, em vez de promover um estilo menos opulento do que a malfadada Maria Antonieta, Joséphine também tendia para o luxo.

A Sotheby’s disse em um comunicado à imprensa que, em um período de apenas seis anos, a imperatriz “gastou uma quantia impressionante de mais de 25 milhões de francos em joias e roupas, excedendo em muito sua mesada designada”.

Como observou Spofforth, as joias eram freqüentemente desmontadas e remodeladas de acordo com as mudanças de gostos, tornando a sobrevivência das duas partes “verdadeiramente excepcional”.

As tiaras, junto com as joias que as acompanham, serão exibidas no Mandarin Oriental em Genebra antes da venda.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.

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