Netanyahu está a duas cadeiras de formar governo em Israel


02 de março de 2020 às 21:21 | Atualizado 03 de março de 2020 às 11:25
Benjamin Netanyahu acena para apoiadores em Israel

Benjamin Netanyahu acena para apoiadores após projeções indicarem sua vitória na eleição em Israel

Crédito: Amir Levy/Getty Images

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, precisava de apenas dois deputados para formar maioria legislativa após as eleições-gerais de Israel, segundo projeções feitas na manhã desta terça-feira (3) pelas três principais emissoras de televisão do país com 90% dos votos contados.

Dirigindo-se aos partidários do Likud nas primeiras horas do dia na sede do partido em Tel Aviv, Netanyahu declarou vitória dizendo que havia superado "contra todas as probabilidades" as forças que tentavam derrubá-lo.

“As pessoas disseram que a era Netanyahu tinha acabado”, afirmou ele antes de acrescentar que os eleitores confiavam na sua condução política. “Entregamos a eles (eleitores) a melhor década da história de Israel.”

Netanyahu disse que se reuniria no fim do dia com outros partidos de direita e de identificação religiosa para discutir a formação de um governo “nacional e forte para o Estado de Israel”.

Projeções dos canais de TV sugerem que o apoio conquistado por Netanyahu nas últimas semanas de campanha se manteve na votação de segunda-feira. Todos os canais apontam que o Likud conquistará 36 deputados, 4 a mais do que o Azul e Branco, partido de Benny Gantz, que deve ter 32 cadeiras.

Gantz se recusou a aceitar a derrota para Netanyahu ao discursar para apoiadores na sede de seu partido em Tel Aviv, mas admitiu que compartilhava o sentimento de decepção e dor sentidos por eles. “Este não é o resultado que queremos e não é o resultado que colocará Israel de volta ao caminho correto”, afirmou.

Votação em eleição-geral de Israel

Eleitor israelense vota em colégio eleitoral especial aberto para as mais de 5 mil pessoas em isolamento preventivo por causa do coronavírus

Crédito: Jack Guez/AFP/Getty Images

Ele também atacou as táticas eleitorais de seus oponentes, descreveu essa campanha eleitoral como a mais difícil na história de Israel e afirmou que seu partido foi vítima de mentiras e jogo sujo. “Eles acharam que eu desistiria sob pressão, mas eu não desisti e não vou desistir”, prometeu.

Disputa fragmentada

Na manhã de segunda-feira, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, criticou os legisladores do país por conduzirem o que ele chamou de “campanha eleitoral horrível e suja”, bem como por sua incapacidade de negociar um novo governo após duas eleições no ano passado.

“Não merecemos esta instabilidade sem fim. Merecemos um governo que funcione para todos”, afirmou Rivlin.

Vinte e nove partidos disputaram essa eleição em Israel. No atual estágio de apuração, é possível dizer que apenas oito deles terão mais votos que o mínimo necessário de 3,25% determinado pela lei para conquistar representação no Knesset, o Legislativo do país.

As projeções indicam que a coalizão de partidos árabes deve ficar na terceira posição, atrás de Likud e Azul e Branco, com 15 cadeiras. Esse resultado é visto como um indício do nível de oposição das comunidades árabes – que representam 20% da população de Israel – ao plano de paz para o Oriente Médio revelado pelo presidente americano, Donald Trump, em janeiro.

Dois partidos com linha de atuação religiosa – que representam a população ultra ortodoxa de Israel – devem conquistar, juntos, 17 deputados. Esse resultado os transformará em uma parte influente da coalizão de Netanyahu.

Outro partido de direita, o linha-dura Yamina, liderado pelo ministro de Defesa, Naftali Bennett, deve ficar com seis representantes.

Uma aliança de centro-esquerda com três partidos, incluindo o Trabalhista – que, no passado, já foi a força dominante na política do país –, teve resultado abaixo do esperado e aparece com sete cadeiras no novo Parlamento, segundo as projeções.

Por fim, o último partido a caminho de garantir representação legislativa é o Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Liberman, ex-aliado de Netanyahu, que deve conquistar sete vagas no Legislativo.

Em busca do 5º mandato

Depois da última eleição em Israel, em setembro, tanto Netanyahu quanto Gantz tiveram a oportunidade de formar uma coalizão de governo, mas nenhum dos dois conseguiu montar um bloco com ao menos 61 deputados.

Gantz recusou sem hesitação fazer parte de um governo liderado por Netanyahu em razão das investigações que a Justiça do país conduz contra o premiê. Netanyahu também não aceitou ocupar uma posição secundária em uma possível aliança com o opositor.

Desta vez, Netanyahu só precisa convencer dois deputados opositores a apoiarem sua coalizão formada por partidos de direita e religiosos para conquistar a maioria do Parlamento.

Ele busca seu quinto mandato como primeiro-ministro – desde o meio do ano passado Netanyahu já é o líder mais longevo da história de Israel após superar os 4.875 dias que David Ben-Gurion, primeiro chefe de governo do país, ficou no cargo.

Apesar de estar sob investigação criminal há vários anos, Netanyahu só foi formalmente indiciado em janeiro deste ano. Ele enfrenta acusações de suborno, fraude e quebra de confiança. O premiê, no entanto, nega que tenha cometido qualquer irregularidade.

Próximos passos

Espera-se que praticamente a totalidade dos votos seja apurada até o final desta terça-feira, restando apenas a contagem de votos de soldados e israelenses no exterior. Os resultados certificados devem ser divulgados em alguns dias.

Em algum momento da próxima semana, provavelmente no próximo domingo, o presidente Rivlin convocará todos os líderes partidários que obtiveram representação no Parlamento para consultá-lo sobre quem deve ser o primeiro a tentar construir uma coalizão.

Nas eleições anteriores, com uma única exceção, o líder do maior partido foi o primeiro a tentar formar governo. O presidente pedirá formalmente que esse líder inicie as negociações – que devem durar no máximo seis semanas.

Mas como as últimas duas votações deixaram claro no ano passado, esse processo de formação do bloco majoritário pode ser muito difícil. Portanto, não é possível descartar a necessidade de uma quarta eleição ainda neste semestre.