Voto dos negros leva Biden a vitória surpreendente na Superterça


CNN Brasil, em São Paulo
04 de março de 2020 às 09:22 | Atualizado 04 de março de 2020 às 10:34
Bernie Sanders disputa presidência dos EUA pelo Partido Democrata

Com base nos resultados das primárias e pesquisas até agora, está claro que a base de apoio de Sanders encolheu em quatro anos

Crédito: Reprodução/Reuters

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden venceu ao menos nove dos 14 estados que realizaram na terça-feira (3) primárias democratas para definir o candidato do partido nas eleições de 2020 e tornou-se o líder na disputa, seguido pelo senador Bernie Sanders.

Graças ao apoio dos eleitores negros, Biden conquistou vitórias importantes na Virgínia, Carolina do Norte e Tennessee. Os eleitores afro-americanos representam cerca de um quarto do eleitorado que foi às urnas na Superterça nestes estados.

Biden também conquistou importantes vitórias em outros estados do sul dos EUA, como Alabama, Arkansas, Oklahoma. No Alabama, os negros representam mais de 40% da base eleitoral democrata. O ex-vice-presidente também venceu Sanders em Minnesota, onde recebeu na segunda-feira, o apoio da ex-pré-candidata Amy Klobuchar, que tem base eleitoral nesse estado. 

A grande vitória do ex-vice-presidente, no entanto, veio do Texas, onde Sanders era tido como favorito. A preferência do senador de Vermont entre os latinos não foi suficiente para derrotar Biden no Texas. Os afro-americana representam 20% dos eleitores do estado.

Sanders venceu apenas em três estados: Colorado, Utah e Vermont. Ele lidera a apuração na Califórnia, estado com a maior quantidade de delegados em disputa na Superterça. 

Agora, segundo contagem da CNN, Biden tem 345 delegados e Sanders tem 269. Outro grande derrotado da noite foi o ex-prefeito Michael Bloomberg, que investiu US$ 464 milhões na campanha e venceu apenas a primária do território da Samoa Ocidental.

A senadora Elizabeth Warren perdeu em Massachusetts - onde tem sua base eleitoral - para Biden, e também viu sua campanha perder força.

Na Superterça, 14 estados americanos — além dos eleitores fora do país e do território da Samoa Americana — votaram em primárias para definir os candidatos de cada legenda nas eleições presidenciais do país. O dia é considerado crucial para a escolha do concorrente democrata, que deverá enfrentar Donald Trump, o candidato republicano, na corrida pela Casa Branca.

"As coisas parecem boa demais", disse Biden após a vitória no Texas. "Para quem se sentia deixado de lado ou para trás, essa é a campanha de vocês."

Biden lembrou ainda que quase foi deixado de fora da disputa depois de resultados ruins nas primárias iniciais de Iowa, New Hampshire e Nevada até conseguir uma vitória acachapante na Carolina do Sul, no sábado.

Nos últimos dias, o apoio de outros pré-candidatos moderados, como Klobuchar e o ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, consolidaram o centro do partido em torno de Biden. "Estamos muito vivos e vamos mandar Donald Trump de volta para casa em novembro", disse. 

Já Sanders se disse confiante graças aos números da Califórnia, que devem não devem deixá-lo tão longe de Biden na contagem de delegados."Tenho confiança absoluta que conquistaremos a indicação", disse o senador.

O candidato democrata será decidido em uma convenção em Milwakee, em julho.

Ataque de Trump a Biden

Professor de relações internacionais e de economia da ESPM, Leonardo Trevisan afirmou nesta quarta-feira (4) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é candidato à reeleição, sabia desde início que deveria atacar Joe Biden, por considerá-lo o verdadeiro inimigo na disputa pela Casa Branca.

"Trump fez uma leitura disso lá trás e percebeu quem, de fato, era o inimigo", avaliou o professor durante participação no CNN Novo Dia. "Não estava tão caracterizado para nós como estava para Trump de que o inimigo real era quem tem o controle partidário da máquina e uma certa expressão do corpo político dos democratas", completa.

Com isso, o professor avalia que "Trump sabia o que estava fazendo ao contaminar candidatura do Biden". "Ele percebeu, já intuía, que o candidato forte mesmo dos democratas - não só da cúpula, mas da grande expressão moderada norte-americana - seria Biden", explica.