Nos bastidores, Bolsonaro mostrou preocupação com crise dos mercados


Lisandra Paraguassu Da Reuters, em Miami (EUA)
10 de março de 2020 às 17:35 | Atualizado 10 de março de 2020 às 17:44
Presidente Jair Bolsonaro discursa a empresários em Miami

Presidente Jair Bolsonaro discursa a empresários em Miami

Foto: Marco Bello - 9.mar.2020/Reuters

Apesar de ter minimizado a crise que derrubou os mercados, na segunda-feira (9), o presidente chegou a mostrar preocupação a membros da sua comitiva e pediu ao ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, que acelerasse a apresentação das medidas que o governo prepara para tentar compensar mudanças bruscas no preço internacional do petróleo, contaram à Reuters duas fontes que acompanham a viagem presidencial.

"O presidente nos disse que assim que chegar vai chamar uma reunião com o ministro Guedes (Economia) e os ministro Bento” para analisar as medidas, relatou uma das fontes.

Durante sua viagem em Miami, Bolsonaro minimizou por duas vezes a crise dos mercados, chegando a dizer nessa terça-feira que o acontecido "não era uma crise".

No entanto, fontes ouvidas pela Reuters que estavam com o presidente em sua comitiva, contaram que Bolsonaro acompanhou com atenção as informações do mercado. A instrução, no entanto, era demonstrar tranquilidade.

Na segunda, depois de falar diretamente com Bolsonaro, Bento Albuquerque informou aos jornalistas que os estudos para as medidas de compensação às variações do preço do petróleo devem ser apresentadas ao presidente ainda esta semana, mas não há nenhuma decisão tomada.

Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, Bolsonaro demonstrou preocupação com a queda nas ações da Petrobras, mas espera ver a queda nos preços chegar aos combustíveis — algo que repetiu nesta terça-feira.

No final do dia, no entanto, Bolsonaro estava convencido de que era uma crise passageira e que os mercados iriam se recuperar. À noite, foi jantar com parte da comitiva em uma casa de massas em Miami para comer um de seus pratos favoritos, massa à bolonhesa.