Uruguai deixa Unasul e se realinha à OEA contra Venezuela


Da CNN Brasil, em São Paulo 
10 de março de 2020 às 20:05

O presidente uruguaio Luis Lacalle Pou durante sua posse, em Montevidéu

O presidente uruguaio Luis Lacalle Pou durante sua posse, em Montevidéu

Foto: Mariana Greif - 1.mar.2020/Reuters

O governo do Uruguai anunciou nesta terça-feira (10) que o país deixará a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e voltará a integrar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), acordo de assistência militar e diplomática assinado por países das três américas.

Em nota, o chanceler uruguaio Ernesto Talvi afirmou que a Unasul havia se tornado um órgão “baseado em alinhamentos político-ideológicos e que já havia deixado de funcionar de fato”. Brasil e Argentina, entre outros, já haviam deixado a entidade em 2019.

Ernesto Talvi assumiu a condução da política externa do Uruguai no começo deste mês, como parte do novo governo liderado pelo presidente Luis Lacalle Pou. De acordo com a nota da chancelaria uruguaia, as medidas anunciadas refletem "os eixos da nova gestão", que serão o apoio aos órgãos multilaterais, com o fortalecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA) e com o princípio de "formar alianças baseadas em uma institucionalidade forte e não em afinidades ideológicas".

Ao deixar a Unasul e retornar ao Tiar, o país se realinha à OEA e marca um afastamento do regime de Nicolás Maduro na Venezuela, que tinha no Uruguai um dos seus últimos aliados no continente. A organização reconhece o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como governante em exercício do país — e não Maduro. O chanceler anunciou que sua primeira missão oficial no cargo será o comparecimento à Assembleia Geral da OEA, marcada para este mês em Washington. 

A decisão do Uruguai de deixar o Tiar havia sido tomada em setembro de 2019, quando os países signatários do tratado aprovaram a ativação do mecanismo que permite a imposição de sanções diplomáticas e militares à Venezuela. Segundo Ernesto Talvi, se retirar do Tratado “debilitava o sistema interamericano e privava nosso país de fazer sentir a sua voz nesse âmbito de assistência recíproca em matéria de deficiência coletiva e seguridade hemisférica”.