Com mais de 800 mortes por coronavírus, Itália fechará comércios por 2 semanas


Da CNN Brasil, em São Paulo*
11 de março de 2020 às 19:42
Turista com máscara de proteção na Praça de São Marcos, em Veneza

Turista com máscara de proteção na Praça de São Marcos, em Veneza

Foto: Manuel Silvestri - 08.mar.2020/ Reuters

Dos 114 países e territórios com casos confirmados do novo coronavírus, a Itália é o que mais concentra preocupações pelo avanço da doença, agora considerada uma pandemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Nas últimas 24 horas, o número de mortes pelo Covid-19 em solo italiano aumentou em 196, a maior elevação diária registrada em qualquer lugar do mundo desde a descoberta do vírus. 

Ao todo, 827 italianos morreram em decorrência do coronavírus. O número total de casos no país subiu de 10.149 para 12.462 confirmados. Diante do cenário, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou novas medidas de restrição, e prometeu aumentar os gastos públicos para amenizar os estragos com o coronavírus. 

Segundo Conte, todas as lojas serão fechadas, com a exceção de supermercados, restaurantes e farmácias.

O primeiro-ministro também afirmou que empresas deverão fechar todos os departamentos que não sejam essenciais à produção.

A previsão é que as medidas comecem a valer nesta quinta-feira (12) e permaneçam impostas ao país até o próximo dia 25.

O governo da Itália também decidiu suspender os pagamentos de contribuições para a segurança social e hipotecas. De acordo com o ministro da Economia italiano, Roberto Gualtieri, a medida visa aliviar a pressão sobre famílias e pequenos negócios. 

Mesmo assim, o governante prevê uma longa batalha da Itália contra o coronavírus. “Nós só conseguiremos perceber os efeitos desse grande efeito em algumas semanas”, disse. A Itália prevê injetar € 25 bilhões para mitigar os efeitos na economia. 

Europa

A Itália não é o único país da Europa preocupado com o avanço do vírus. A disseminação do Covid-19 também cresceu de forma concreta na França, onde o número de mortes passou de 33 para 48 entre terça e quarta. Os casos confirmados chegaram a 2.281.

O ministro da Saúde da França, Olivier Veran, anunciou a decisão do governo de fechar creches e escolas em duas regiões, Corsica e a região metropolitana de Montpellier. Também serão proibidas as visitas a asilos, uma vez que os idosos são os mais vulneráveis ao coronavírus. 

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel afirmou que dois terços dos alemães estão suscetíveis de serem infectados pelo coronavírus.

“Quando o vírus está aí fora e a população não tem imunidade e não existe vacina ou terapia, uma alta porcentagem –especialistas dizem que será entre 60% e 70% da população-- será infectada enquanto isso [o coronavírus] permanecer”, afirmou. A Alemanha registra 1.567 casos e três mortes relacionadas ao coronavírus. 

Estados Unidos

Pelas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que está “totalmente preparado para usar todo o poder do governo federal para lidar com o atual desafio do coronavírus”. 

O Departamento de Estado americano decidiu suspender todas as viagens dos seus funcionários em virtude da pandemia. Só serão permitidas as viagens para missões consideradas críticas, segundo informações da agência de notícias Reuters. 

Diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci afirmou que a pandemia vai “ficar pior” na medida em que casos passem a acontecer de forma mais disseminada no país.

*Com Reuters