Biden e Sanders se enfrentam no primeiro debate decisivo da campanha democrata


Da CNN Brasil, em São Paulo
13 de março de 2020 às 15:59 | Atualizado 15 de março de 2020 às 18:07
Joe Biden e Bernie Sanders

Os democratas Joe Biden (esquerda) e Bernie Sanders disputam a indicação do partido para enfrentar Donald Trump nas eleições dos EUA, em novembro

Foto: CNN (31.jan.2020)

A CNN Brasil transmite na noite deste domingo o primeiro debate direto entre o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders, que disputam a indicação democrata para concorrer às eleições presidenciais americanas. O encontro em Washington ocorre às vésperas das primárias da Flórida, Illinois e Ohio — que somam 577 delegados que votam na convenção do Partido Democrata — e o desempenho dos dois poderá ser decisivo. 

O debate será moderado por Dana Bash e Jake Tapper, âncoras da CNN, ao lado de Jorge Ramos, âncora da Univision — emissora parceira. Biden e Sanders são os únicos candidatos democratas que conseguiram pelo menos 20% dos delegados disputados até agora nas primárias, critério estabelecido pela organização.  

Até o momento, Biden lidera a disputa, após um surpreende desempenho na Superterça, no início do mês. O ex-vice de Barack Obama conta com os votos de 881 delegados, seguido por Sanders, com 725. São necessários 1.991 delegados para conquistar a indicação do partido na Convenção Nacional Democrata, marcada para 13 de julho em Milwaukee, no estado do Wisconsin. “Este debate será uma vitrine para nossos candidatos presidenciais. Destacará o histórico de promessas não cumpridas de [Donald] Trump ”, disse o presidente do Comitê Nacional Democrata, Tom Perez à CNN

Mudança de rumos 

A campanha do ex-vice de Barack Obama patinava, com pouca organização e problemas na arrecadação de fundos, até sua vitória nas primárias da Carolina do Sul, em 1º de março. Após o resultado, Biden conquistou uma onda de apoios que o levaram a uma vitória em 10 dos 14 estados disputados na Superterça. 

A ampla vantagem obtida na Superterça deu tração à candidatura Biden, que passou a contar com os apoios de seus adversários que anunciaram a desistência da disputa: Michael Bloomberg, Pete Buttigieg, Amy Klobuchar, Cory Booker e Kamala Harris. A senadora por Massachusetts Elizabeth Warren também abriu mão de concorrer, mas ainda não anunciou seu apoio a outro candidato. 

Apesar de estar atrás na disputa, Sanders conta com a vantagem de ser o favorito dos eleitores democratas latinos e brancos sem formação universitária. Segundo análise do programa da equidade ambiental e regional da Universidade do Sul da Califórnia à CNN, este estrato constitui um contingente muito maior de eleitores do que o de brancos com ensino superior e os afroamericanos.  

Para contar com a preferência deste público, o senador tem contado com apoios como o do reverendo Jesse Jackson, líder do movimento por direitos civis nos EUA e com quem Sanders participou de um evento no último dia 8 de março. A deputada nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, popular entre os latinos, é uma das principais entusiastas da campanha de Sanders. 

A maior vitória de Sanders este ano foi em Nevada, um estado com forte presença sindical e comunidade latina politicamente poderosa. O senador espera seguir na disputa replicando esse desempenho em outros estados com perfil semelhante. Ele também recebeu o apoio do progressista Partido das Famílias Trabalhadoras, que inicialmente havia endossado Elizabeth Warren. 

Pesquisas  

Biden é atualmente a escolha da maioria dos eleitores democratas em todo o país para a indicação do candidato à presidência pelo partido, de acordo com uma nova pesquisa da CNN realizada pela SSRS. A pesquisa foi realizada nos dias seguintes à vitória de Biden na Superterça. O levantamento mostra que 52% dos eleitores democratas — ou independentes com tendência democrata — prefere ver o ex-vice-presidente ganhar a nomeação, enquanto 36% preferem Sanders.  

O ex-vice-presidente tem uma vantagem de quase 20 pontos percentuais entre os eleitores brancos e 10 pontos entre os não-brancos, já que a força de Sanders entre os eleitores latinos diminui a vantagem de Biden entre os afro-americanos. No entanto, ainda há divisões acentuadas dentro do partido entre faixas etárias, visões ideológicas e filiação partidária.  

Entre os menores de 45 anos, Sanders supera Biden em 26 pontos, 57% a 31%. Entre os eleitores com 45 anos ou mais, Biden tem 72% contra 17% de Sanders. Já entre os liberais, 52% apoiam Sanders e 36% Biden. Os que se consideram moderados ou conservadores dão a Biden uma vantagem de 65% a 24%. Quem se declara democrata se distribui entre 55% para Biden e 32% para Sanders. Já os eleitores independentes estão praticamente divididos: 46% para Sanders e 45% para Biden.  

Cerca de dois terços dos eleitores democratas dizem que preferem um candidato com uma forte chance de derrotar Donald Trump (65%) – a maior parcela nesse aspecto nas pesquisas da CNN desde o ano passado –, enquanto 29% dizem preferir um que concorde com eles em grandes questões (seja lá quem for). Estes eleitores têm opiniões opostas sobre a corrida entre Biden e Sanders: 59% no aspecto derrotar Trump escolhe Biden e 53% no aspecto das grandes questões escolhem Sanders.