Proliferação de coronavírus é preocupante mas não há motivo para pânico, diz OMS


14 de Março de 2020 às 18:27
Equipe médica atua em hospital de Wuhan, China, epicentro do coronavírus

Equipe médica atua em hospital de Wuhan, China, epicentro do surto do novo coronavírus

Crédito: China Daily via REUTERS-16/02/2020

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa, Hans Kluge, disse em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26), em Roma, que não há necessidade de pânico por conta da proliferação do coronavírus. Mundialmente, o número de casos registrados da doença passou de 81 mil em 33 países. 

Kluge ressaltou que a taxa de mortalidade do Coronavírus é, em média, de 2%. Na China, que possui 96,5% dos casos globais, esse índice é de 1%. "Lembre-se de que quatro em cada cinco pacientes apresentam sintomas leves e se recuperam", disse.

Segundo o representante da OMS, a cooperação para combater o vírus será ampliada para garantir que todas as regiões da Itália, país mais afetado pelo surto na Europa, estejam igualmente preparadas após o surgimento de casos no norte do país. 

Mais cedo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, havia declarado que o aumento repentino de casos do novo coronavírus na Itália, no Irã e na Coreia do Sul é "profundamente preocupante", mas o vírus ainda pode ser contido e não chega a ser uma pandemia.

"Usar a palavra pandemia de forma descuidada não traz benefícios tangíveis, mas de fato tem um risco significativo em termos de amplificar medo e estigma desnecessários e injustificados e paralisar sistemas. Isso também pode sinalizar que não podemos mais conter o vírus, o que não é verdade", disse Ghebreyesus a diplomatas de Genebra.

Ele também afirmou que uma missão da OMS no Irã – que deveria inicialmente ir para a República Islâmica na terça-feira – viajaria no fim de semana.

Ambulância chega a hospital de Paris

Ambulância chega a hospital de Paris; país registrou primeira morte por coronavírus

Crédito: Charles Platiau-Reuters (15.02.2020)

Morte na França

A França registrou nesta quarta-feira a primeira morte de um cidadão do país por coronavírus. Além disso, outra pessoa que havia viajado para a região da Lombardia, no norte da Itália, testou positivo para a doença, informaram autoridades de saúde.

O vice-ministro francês da Saúde, Jérôme Salomon, disse que a morte de um homem de 60 anos hospitalizado em Paris em estado grave na terça-feira foi um dos quatro novos casos registrados no país nas últimas 24 horas, elevando o total a 18.

A França está em alerta máximo após a vizinha Itália se tornar uma nova frente do surto de coronavírus. Casos da doença em pessoas que viajaram recentemente ao norte da Itália foram registrados também em Espanha, Áustria, Suíça, Romênia, Croácia, Argélia e Brasil.

O francês que esteve na Lombardia foi hospitalizado em Estrasburgo e não apresentava estado grave, disse Salomon. O terceiro caso informado pelo governo envolve um homem de 55 anos que se encontra em um sistema de suporte à vida na cidade de Amiens, no norte da França.

Casos na Coreia do Sul

Com um salto nas últimas horas, a Coreia do Sul chegou nesta quarta a 1.146 casos confirmados de Covid-19 e tem o maior número de infecções fora da China.

Um militar norte-americano está entre as pessoas confirmadas com a doença no país. Ele está isolado e sob monitoramento na base militar de Guarnição-Humphreys, perto da cidade sul-coreana de Pyeongtaek.

Sul-coreano usa máscara de proteão em estação de trem em Seul

Sul-coreano usa máscara de proteão em estação de trem em Seul

Crédito: Kim Hong-Ji/Reuters-25/02/2020

Diante do aumento de casos, os soldados norte-americanos foram orientados a não participar de "atividades não essenciais", disse o comandante da base, Michael F. Tremblay, à CNN americana.

Além disso, as equipes foram aconselhadas a "manter distância de multidões com mais de 20 pessoas", de acordo com o militar. 

Mortes na Itália

Uma 12ª pessoa morreu no norte da Itália devido ao coronavírus, enquanto o número de casos confirmados aumentou para 374, crescimento de mais de 50 casos em relação ao dia anterior, informou o chefe da agência de Defesa Civil nesta quarta-feira.

Angelo Borrelli disse a jornalistas que o morto tinha 69 anos. Todos os que morreram até agora no surto no país, que ganhou destaque na sexta-feira, eram idosos e a maioria tinha outros problemas de saúde.

Os casos do coronavírus estão amplamente concentrados na região da Lombardia, onde foram confirmadas ao menos 212 infecções.

Turistas usam máscaras de proteção em Roma

Crédito: Remo Casilli/REUTERS-31/01/2020

Situação no Irã

Teerã enfrenta um surto significativo da doença, com 19 mortes e 139 casos confirmados pelo governo. O que chama atenção nestes números é o índice de mortalidade da doença, de 13,6%, bem acima da média de 1% a 2% nos outros países em que foram registradas mortes.

Entre os infectados está o vice-ministro da Saúde do Irã, Iraj Harirchi. Na segunda-feira ele apareceu na televisão suado e doente para alertar os iranianos sobre o coronavírus. Mais tarde, ele foi diagnosticado com coronavírus, de acordo com a imprensa estatal.

Em todo o Oriente Médio, os voos com origem no Irã foram suspensos e as fronteiras com o país foram fechadas enquanto a região tenta impedir a propagação do vírus. Vários países também emitiram proibições de viagem para o país.

As sanções econômicas impostas contra o Irã pelos EUA e por outros países tornam a luta contra a doença mais difícil, já que Teerã tem dificuldades para ter acesso aos novos kits de teste de coronavírus, disse um membro do conselho da Associação de Importadores de Equipamentos Médicos do Irã à agência de notícias semi-oficial ILNA no domingo. 

Mais de 81 mil casos pelo mundo 

O novo coronavírus tem mais de 81 mil casos confirmados pelo mundo. Desses, 78.064 foram registrados somente na China, onde a doença deixou 2.715 mortos - a maior parte na província de Hubei (2.615).

A doença foi registrada em mais de 40 países, incluindo o primeiro caso confirmado no Brasil. O paciente é um homem de 61 anos que esteve na Itália entre 9 a 21 de fevereiro, durante o período que o país começou a registrar os primeiros casos.

Ele viajou sozinho a trabalho e foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein na segunda-feira (24), onde fez o primeiro exame. O resultado foi confirmado em contraprova feita pelo Instituto Adolfo Lutz.