Contra coronavírus, Trump diz que EUA rejeitarão todos os pedidos de asilo


Da CNN Brasil, em São Paulo
18 de março de 2020 às 14:06 | Atualizado 18 de março de 2020 às 15:20
Trump fala sobre a situação do novo coronavírus nos EUA durante coletiva de impr

Trump fala sobre a situação do novo coronavírus nos EUA durante coletiva de imprensa

Foto: Jonathan Ernst - 18.mar.2020/ Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende rejeitar todos os pedidos feitos por requisitantes de asilo e por imigrantes sem documentos que entrarem no país pela fronteira com o México diante da pandemia do novo coronavírus.

“A resposta é sim”, disse o presidente americano ao ser questionado sobre essa possibilidade em entrevista na Casa Branca nesta quarta-feira (18). “Muito em breve, talvez hoje [tomarei essa medida]”, completou.

Na terça-feira, a CNN informou que funcionários do governo americano trabalhavam em um plano para rejeitar todos os novos pedidos de asilo. Essa ação incluiria também um plano para enviar os imigrantes ilegais de volta para seus países de origem sem qualquer processo legal, como ocorre hoje.

Trump disse que não pretende fechar a fronteira Sul dos EUA, mas que seu governo adotaria “certas disposições para permitir grande latitude quanto ao que será feito”.

Lei cinquentenária

Na mesma entrevista, Trump afirmou que convocará a Lei de Produção de Defesa diante da pandemia do COVID-19. Ele também chamou a doença de “vírus chinês” e classificou o surto como um “evento trágico”.

"Assim que terminarmos esta coletiva, eu assinarei a lei", afirmou Trump. A Lei de Produção de Defesa, de 1950 – dispositivo do período da Guerra da Coreia (1950-1953) –, prevê que o governo pode ordenar a expansão da produção de máscaras e equipamentos de proteção para prevenir a disseminação de doenças.

Trump também disse se considerar um presidente em tempos de guerra em razão das medidas que teve que tomar para enfrentar o avanço do coronavírus. “Eu vejo isso, de certa forma, [sou] um presidente em tempos de guerra”, disse o presidente americano.

“Quero dizer, nós estamos lutando. É uma situação muito difícil pela qual passamos. Você tem que tomar decisões. Fechar partes da economia que seis semanas atrás estavam na melhor situação da história”, continuou Trump. “Tínhamos a melhor economia da história. E então, um dia, temos que fechar tudo para derrotar esse inimigo. E vamos fazer isso, estamos fazendo isso bem.”

O presidente anunciou que a Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema, em inglês) foi ativada em todo o país para combater o novo coronavírus. "Hoje, a Fema foi ativado em todas as regiões. Estamos no nível 1, o mais alto com o qual vamos trabalhar", disse ele. "Estamos trabalhando muito com a Fema. Eles são incríveis. Sempre estiveram presentes em situações de furacões ou tornados", ressaltou.

Leia também: 

Por que a Itália soma tantas mortes a mais que a Coreia do Sul por coronavírus

Coronavírus nos EUA: um desafio equivalente à 2ª Guerra Mundial e ao 11/09

Medidas emergenciais

Trump disse ainda que o governo federal enviará um navio da Marinha dos EUA à Nova York para ajudar as unidades médicas locais com relação à capacidade de atendimento. Outro navio, segundo ele, será enviado à Costa Oeste do país.

"Eles estão sendo preparados agora. São navios enormes. São grandes, brancos e com a Cruz Vermelha nas laterais", afirmou Trump.

O presidente anunciou também que suspenderá execuções de hipotecas e despejos de donos de imóveis até o fim do próximo mês. "O Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano está providenciando auxílio imediato a inquilinos e donos de imóveis, suspendendo todas as execuções de hipotecas e despejos até o fim de abril", informou.

Em Nova York, o governador Andrew Cuomo disse nesta quarta que mais de 14 mil pessoas foram submetidas a testes para saber se estão com o COVID-19. Neste momento, há mais de 2 mil casos no estado norte-americano.

Todos os 50 estados norte-americanos têm casos confirmados da doença. O país tem, até agora, mais de 7 mil casos de pessoas infectadas e 117 mortos pelo vírus, segundo agências de saúde do país e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.