Mercosul trabalhará para repatriar cidadãos detidos por causa do coronavírus


André Spigariol Da CNN Brasil, em Brasília
18 de março de 2020 às 17:35
 
Brasileiros no aeroporto de Cusco, no Peru

Brasileiros no aeroporto de Cusco, no Peru (17.mar.20)

Foto: Reprodução/Agora CNN
 
A presidência do Mercosul anunciou nesta quarta-feira (18) que os quatro países que integram o bloco trabalharão de maneira conjunta para agilizar a repatriação de seus cidadãos que estiverem detidos em países de risco por causa da pandemia do coronavírus.

O chanceler paraguaio, Antonio Rivas, disse que cidadãos serão buscados “onde estiverem”, mas não deu mais detalhes sobre a operação. O Paraguai atualmente preside o bloco.

Nesta manhã, os quatro países estiveram videoconferência com a presença dos presidentes Jair Bolsonaro, Mario Abdo-Benitez (Paraguai) e Luis Lacalle Pou (Uruguai). O presidente Alberto Fernández (Argentina) não se conectou na reunião, e foi representado pelo seu chanceler, Felipe Solá.

De acordo com Antonio Rivas, a repatriação se daria principalmente para cidadãos no território dos quatro países “ou em alguns casos que acontecem nos países do norte da América do Sul, e também da América do Norte, Europa ou outro continente onde há cidadãos do Mercosul detidos”.

Juntos, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai trabalharão em “cooperação para permitir que cidadãos 'encalhados' por questões de viagens de última hora possam voltar aos seus países de forma oportuna”, pontuou. No Peru, brasileiros procuraram o Itamaraty para tentar voltar para casa, depois que o país declarou estado de emergência e decidiu fechar suas fronteiras. 

Segundo apurou a colunista da CNN Basília Rodrigues, o Itamaraty tem, até o momento, notícia de fechamento de fronteiras para entrada de cidadãos estrangeiros em Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Suriname. 

De acordo com a presidência do Mercosul, os quatro países falaram nesta quarta sobre a importância de se evitar restrições ao transporte de bens e serviços através de suas fronteiras.
“O que queremos é manter [o trânsito de bens e serviços] sem danificar a economia ou um comércio ágil, para que isso continue em seu movimento normal, mais ainda tendo em conta os equipamentos médicos, que se busca que cheguem ao seu destino para fortalecer o sistema de saúde”, disse Rivas.

Na videoconferência, o Mercosul decidiu também que vai propor uma reunião dos seus membros com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a CAF (Cooperação Andina de Fomento) e o Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata), para analisar as medidas econômicas para enfrentar a pandemia no nível do Mercosul, além de iniciativas nas áreas fronteiriças, com o objetivo de ajudar os cidadãos dos quatro países que estejam em trânsito.