Hospitais de Nova York têm suprimentos médicos para apenas uma semana


Marcelo Favalli Da CNN, em Nova York
23 de março de 2020 às 15:52
Pedestre caminha na Times Square praticamente vazia

Pedestre caminha na Times Square praticamente vazia, em Nova York, em meio à pandemia do coronavírus

Foto: Carlo Allegri/Reuters

"Os suprimentos nos hospitais de Nova York irão durar uma semana”. O prefeito Bill de Blasio resumiu em uma frase a capacidade de atendimento aos pacientes em coronavírus na maior cidade dos Estados Unidos. O alerta, durante uma entrevista exclusiva à CNN, nesta segunda-feira, reforçou o apelo que as autoridades nova-iorquinas têm feito ao governo federal, para o envio de material médico essencial para o tratamento dos doentes com COVID-19.

Blasio defende a ideia de que Donald Trump deva usar a Lei de Produção de Defesa para direcionar a capacidade industrial dos Estados Unidos para fabricar os dois itens mais necessários, no momento: máscaras antivirais e respiradores para pacientes em condição crítica.

Em seguida, o governador do estado reforçou o discurso do prefeito e lembrou que também cabe à Casa Branca concentrar a distribuição dos produtos. Andrew Cuomo pede à administração federal equalizar as alíquotas impostas nos produtos que, hoje, são essenciais para o tratamento do novo coronavírus. Mais uma vez ele lembrou que Nova York paga mais tributos em comparação com estados menores, e isso diminui a capacidade dele em adquirir os insumos que faltam no sistema de saúde.

A coletiva de imprensa de Andrew Cuomo, nesta segunda-feira, teve um tom de apelo. O governo pediu que médicos, enfermeiros e técnicos de saúde aposentados se apresentem como voluntários aos hospitais. O mesmo deveria ser feito pelos profissionais dos planos de saúde, segundo o governador.

Cuomo pressionou os hospitais do estado a dobrarem a capacidade de atendimento, imediatamente. Para isso, as unidade de atendimento foram orientadas a admitir apenas casos de emergência. Todas as cirurgias eletivas e não essenciais serão desmarcadas a partir de quarta-feira, em Nova York. Segundo o governo, apenas essa iniciativa vai ampliar em 25% da capacidade de atendimentos dos hospitais ao coronavírus.

Em Washington, o conselheiro da Casa Branca para a Saúde Pública, o vice-almirante, Jerome Adams, disse hoje, que “a situação vai piorar essa semana”. O consenso entre governo e a comunidade médica é que o pico da epidemia do novo coronavírus nos Estados Unidos deve acontecer no próximo mês. O alerta do conselheiro médico da presidência reforça as orientações para o distanciamento social. Nesta segunda-feira, subiu para onze o número de estados que pediram aos seus moradores não saírem de casa, ao não ser em emergências.